Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 173
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 276-277
sinceramente deseja obter a justiça de Deus.
“E a vida eterna é esta”, disse Jesus, “que Te conheçam, a Ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17:3). E o profeta Jeremias declarou: “Não se glorie o sábio na sua sabedoria; nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar glorie-se nisto: em Me conhecer e saber que Eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na Terra; porque destas coisas Me agrado, diz o Senhor” (Jr 9:23, 24). Apenas de maneira vaga pode a mente humana compreender a largura e a profundidade e a altura das realizações espirituais de quem alcança este conhecimento.
Ninguém precisa deixar de alcançar em sua esfera a perfeição do caráter cristão. Pelo sacrifício de Cristo, foi tomada providência para que o crente receba todas as coisas que dizem respeito à vida e piedade. Deus nos convida a alcançarmos a norma da perfeição, e põe diante de nós o exemplo do caráter de Cristo. O Salvador mostrou, por meio de Sua humanidade consumada por uma vida de constante resistência ao mal, que, com a cooperação da Divindade, podem os seres humanos alcançar nesta vida a perfeição de caráter. Esta é a certeza que Deus nos dá de que também nós podemos alcançar a vitória completa.
Perante o crente é apresentada a maravilhosa possibilidade de ser semelhante a Cristo, obediente a todos os princípios da lei. Mas por si mesmo é o homem absolutamente incapaz de alcançar esta condição. A santidade que a Palavra de Deus declara dever ele possuir antes que possa ser salvo, é o resultado da operação da divina graça, ao submeter-se à disciplina e restritoras influências do Espírito de verdade. A obediência do homem só pode ser aperfeiçoada pelo incenso da justiça de Cristo, o qual enche com a divina fragrância cada ato de obediência. A parte do cristão é perseverar em vencer cada falta. Constantemente deve orar para que o Salvador sare os distúrbios de sua alma enferma do pecado. Ele não tem sabedoria ou a força para vencer; isso pertence ao Senhor, e Ele os outorga a todos os que em humildade e contrição dEle buscam auxílio.
A obra de transformação da impiedade para a santidade é contínua. Dia a dia Deus opera para a santificação do homem, e o homem deve cooperar com Ele, desenvolvendo perseverantes esforços para o cultivo de hábitos corretos. Deve acrescentar graça à graça; e assim procedendo num plano de adição, Deus opera por ele num plano de multiplicação. Nosso Salvador está sempre pronto a ouvir e responder à oração do coração contrito, e graça e paz são multiplicadas a Seus fiéis seguidores. Alegremente lhes concede as bênçãos de que necessitam em sua luta contra os males que os cercam.
Há os que buscam galgar a escada do progresso cristão mas, ao avançarem, começam a pôr a confiança na capacidade humana, e logo perdem de vista a Jesus, Autor e Consumador de sua fé. O resultado é fracasso e perda de tudo o que foi ganho. Verdadeiramente lamentável é a condição dos que, perdendo-se no caminho, permitem que o inimigo das almas lhes roube as graças cristãs que lhes estiveram em formação no coração e na vida. “Aquele em quem não há estas coisas”, declara o apóstolo, “é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação de seus antigos pecados” (2Pe 1:9).
O apóstolo Pedro tivera uma longa experiência nas coisas de Deus. Sua fé no poder
de Deus para salvar se fortalecera com os anos, até alcançar a prova suficiente de que não há possibilidade de fracasso para aquele que, avançando pela fé, ascende degrau a degrau, sempre para cima e para a frente, em direção ao último degrau da escada que alcança os próprios portais do Céu.
Por muitos anos estivera Pedro insistindo com os crentes sobre a necessidade do crescimento constante na graça e no conhecimento da verdade e agora, sabendo que logo deverá ser levado a sofrer martírio por sua fé, uma vez mais chama a atenção para os preciosos privilégios que estão ao alcance de todo crente. Com ampla certeza de fé, o idoso discípulo exorta os irmãos à firmeza de propósito na vida cristã. “Procurai”, suplica-lhes, “fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 1:10, 11). Preciosa garantia! Gloriosa é a esperança oferecida ao crente, ao avançar ele pela fé em direção às alturas da perfeição cristã!
“Pelo que”, continuou o apóstolo, “não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade. E tenho por justo, enquanto estiver neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações: Sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, como também nosso Senhor Jesus Cristo já mo tem revelado. Mas também eu procurarei em toda a ocasião que depois da minha morte tenhais lembrança destas coisas” (2Pe 1:12-15).
O apóstolo estava bem qualificado para falar dos propósitos de Deus com respeito à raça humana; pois durante o ministério terrestre de Cristo ele vira e ouvira muito do que pertencia ao reino de Deus. “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas”, recordava ele aos crentes, “mas nós mesmos vimos a Sua majestade. Porquanto Ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória Lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o Meu Filho amado, em quem Me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do Céu, estando nós com Ele no monte santo” (2Pe 1:16-18).
No entanto, por convincente que fosse essa prova da certeza da esperança dos crentes, havia contudo outra evidência ainda mais convincente no testemunho da profecia, através do qual a fé de todos pode ser confirmada e ancorada com segurança. “E temos, mui firme, a palavra dos profetas”, declarou Pedro “à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2Pe 1:19-21).
Ao mesmo tempo que exaltava a “firme palavra dos profetas” como guia seguro em tempos de perigo, o apóstolo solenemente advertia a igreja contra a tocha da falsa profecia, que seria erguida por “falsos doutores”, os quais introduziriam encobertamente “heresias de perdição, e negarão o Senhor” (2Pe 2:1). Esses falsos mestres que apareceriam na igreja e seriam considerados verdadeiros por muitos de seus irmãos na fé,
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White