Cristo A Igreja

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Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 273-274

diferentes posições e variadas circunstâncias, para que possam descobrir os defeitos que estão ocultos ao seu próprio conhecimento. Dá-lhes oportunidades de vencer esses defeitos, habilitando-se para o serviço. Não raro permite que o fogo da aflição os abrase, a fim de serem purificados.

O cuidado de Deus por Sua herança é incessante. Ele não permite que sobrevenha a Seus filhos nenhuma aflição que não seja essencial ao seu bem presente e eterno. Deseja purificar Sua igreja da mesma maneira como Cristo purificou o templo durante Seu ministério terrestre. Tudo quanto Ele faz recair sobre Seu povo como provas, vem para que alcancem mais profunda piedade e maior força para levar avante os triunfos da Cruz.

Houve um tempo na experiência de Pedro em que ele não se dispunha a ver a cruz na obra de Cristo. Quando o Salvador deu a conhecer aos discípulos os sofrimentos e morte que O esperavam, Pedro exclamou: “Senhor, tem compaixão de Ti; de modo nenhum Te acontecerá isso” (Mt 16:22). A compaixão própria, que se esquivava de seguir a Cristo no sofrimento, preparou as razões de Pedro. Foi para o discípulo uma amarga lição, que ele não aprendeu senão vagarosamente, a de que a senda de Cristo na Terra é feita de sofrimento e humilhação. Porém na fornalha de fogo ardente devia ele aprender essa lição. Agora, quando seu corpo outrora ativo estava curvado ao peso dos anos e trabalhos, pôde ele escrever: “Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da Sua glória vos regozijeis e alegreis.”

Dirigindo-se aos anciãos da igreja, no tocante a suas responsabilidades como subpastores do rebanho de Cristo, o apóstolo escreve: “Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória.”

Os que ocupam a posição de subpastores devem exercer atento cuidado sobre o rebanho do Senhor. Isto não quer dizer vigilância ditatorial, mas que propenda a encorajar, fortalecer e a levantar. Ministrar significa mais que pregar sermões; significa trabalho zeloso e pessoal. A igreja na Terra é composta de homens e mulheres falíveis, que necessitam de esforços laboriosos e pacientes para que sejam disciplinados e educados para trabalhar de forma aceitável nesta vida, e serem na futura coroados de glória e imortalidade. Necessita-se de pastores - pastores fiéis - que não lisonjeiem o povo de Deus, nem o tratem com dureza, mas alimentem-no com o pão da vida - homens que sintam diariamente na vida o poder convertedor do Espírito Santo, e que cultivem amor forte e altruísta por aqueles por quem trabalham.

Há para o subpastor fazer uma obra que requer tato, quando é ele chamado a enfrentar a apostasia, descontentamento, inveja e ciúmes na igreja, e ele terá que trabalhar no espírito de Cristo para pôr as coisas em ordem. Fielmente devem ser advertidos, repreendido o pecado, endireitados os erros, não apenas pela obra do ministro no púlpito, mas por trabalho pessoal. O coração contumaz pode objetar à verdade e o servo de Deus

está sujeito a ser malcompreendido e criticado. Lembre-se ele portanto que “a sabedoria que do alto vem é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia. Ora o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz” (Tg 3:17, 18).

A obra do ministro do evangelho é “demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus” (Ef 3:9). Se alguém ao entrar nesta obra escolher a parte que demanda o menor sacrifício, contentando-se com pregar, e deixar a obra de ministério pessoal para outro, seu trabalho não será aceito por Deus. Pessoas por quem Cristo morreu estão perecendo por falta de trabalho pessoal bem dirigido; e tem malcompreendido o seu chamado quem, ao entrar para o ministério, não se dispõe ao trabalho pessoal que o cuidado do rebanho requer.

O espírito do verdadeiro pastor é de inteiro esquecimento de si mesmo. Ele perde de vista o eu para que possa fazer as obras de Deus. Pela pregação da Palavra e pelo ministério pessoal nos lares do povo, toma conhecimento de suas necessidades, tristeza e provas; e, cooperando com Aquele que leva o maior fardo, participa das aflições deles, conforta-os em seus dissabores, farta-lhes a alma faminta e salva-lhes o coração para Deus. Nesta obra é o ministro assistido pelos anjos do Céu, sendo ele próprio instruído e iluminado na verdade que o torna sábio para a salvação.

Em relação com as instruções que dá aos que ocupam posições de responsabilidade na igreja, o apóstolo esboça alguns princípios gerais que deviam ser seguidos por todos que estivessem incluídos na comunhão da igreja. Os membros mais novos do rebanho eram exortados a seguir o exemplo dos mais velhos na prática da humildade cristã. “Semelhantemente vós, mancebos, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos pois debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Ao qual resisti firmes na fé” (1Pe 5:5-9).

Assim escreveu Pedro aos crentes num tempo de peculiar provação para a igreja. Muitos tinham já experimentado a participação nos sofrimentos de Cristo, e logo a igreja devia passar por um período de terrível perseguição. Dentro de breves anos muitos dos que tinham sido mestres e líderes na igreja deviam depor a vida pelo evangelho. Logo se levantariam lobos devoradores que não poupariam o rebanho. Mas nada disto devia desencorajar aqueles cujas esperanças estavam centralizadas em Cristo. Com palavras de encorajamento e ânimo Pedro dirigiu o pensamento dos crentes das presentes provas e futuras cenas de sofrimento “para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar” (1Pe 1:4). “E o Deus de toda graça”, orou ele com fervor, “que em Cristo Jesus vos chamou à Sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, Ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá. A Ele seja a glória e o poderio para todo o sempre. Amém” (1Pe 5:10, 11).

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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