Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 170
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 271-273
no coração, surgem novas concepções, e as energias outrora dormentes despertam para cooperar com Deus.
Assim foi com Pedro e seus condiscípulos. Cristo foi o revelador da verdade ao mundo. Por Ele a incorruptível semente - a Palavra de Deus - foi semeada no coração humano. Muitas, porém, das mais preciosas lições do grande Ensinador foram ditas aos que então não as entenderam. Quando, depois de Sua ascensão, o Espírito Santo levou Seus ensinos à lembrança dos discípulos, seus dormentes sentidos despertaram. O significado dessas verdades brilhou-lhes no espírito como nova revelação, e a verdade, inalterada e pura, encontrou lugar para si. Então a maravilhosa experiência da vida do Salvador tornou-se deles. A Palavra testificou por intermédio deles, homens por Ele escolhidos, e eles proclamaram a poderosa verdade: “O Verbo Se fez carne, e habitou entre nós... cheio de graça e de verdade.” “E todos nós recebemos também da Sua plenitude, e graça por graça” (Jo 1:14, 16).
O apóstolo exortou os crentes a estudar as Escrituras, por cuja compreensão adequada poderiam eles fazer obra segura para a eternidade. Pedro sabia que na experiência de cada alma finalmente vitoriosa haveria cenas de perplexidade e prova; mas sabia também que a compreensão das Escrituras capacitaria o tentado a relembrar promessas que lhe confortariam o coração e fortaleceriam a fé no Onipotente.
“Porque toda a carne é como erva”, declarou o apóstolo, “e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a Palavra do Senhor permanece para sempre; e esta é a Palavra que entre vós foi evangelizada. Deixando pois toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações, desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo; se é que já provastes que o Senhor é benigno” (1Pe 1:24, 25). 1Pe 2:1-3.
Muitos dos crentes a quem Pedro dirigiu suas cartas estavam vivendo no meio do paganismo, e muito dependia de permanecerem eles fiéis à alta vocação de sua profissão. O apóstolo insistia em seus privilégios como seguidores de Cristo Jesus. “Vós sois a geração eleita”, escreveu, “o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido para que anuncieis as virtudes dAquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz; vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” (1Pe 2:9, 10).
“Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma; tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1Pe 2:11, 12).
O apóstolo esboça com clareza a atitude que deveriam os crentes sustentar em relação às autoridades civis: “Sujeitai-vos pois a toda a ordenação humana por amor do Senhor: quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por Ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens loucos; como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. Honrai a
todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai o rei.”
Os que eram servos, foram aconselhados a permanecer sujeitos “com todo temor aos senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus”. “Porque”, continua o apóstolo, “é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. Por que, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? mas se, fazendo bem, sois afligidos, e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as Suas pisadas. O qual não cometeu pecado, nem na Sua boca se achou engano. O qual, quando O injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se Àquele que julga justamente; levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas Suas feridas fostes sarados. Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas.”
O apóstolo exorta as mulheres cristãs a manterem vida pura e serem modestas no traje e no comportamento. “O enfeite delas”, aconselhou, “não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro; na compostura de vestidos; mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus.”
A lição se aplica aos crentes em todas as eras. “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7:20). O adorno interior de um espírito manso e quieto é inestimável. Na vida do verdadeiro cristão o adorno externo está sempre em harmonia com a paz e a santidade internas. “Se alguém quiser vir após Mim”, disse Jesus, “renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-Me” (Mt 16:24). O sacrifício e a negação do eu assinalarão a vida do cristão. E a evidência de que o gosto está mudado será vista no vestuário de todo aquele que anda na vereda aberta para os redimidos do Senhor.
É justo amar o belo e desejá-lo; mas Deus deseja que primeiro amemos e busquemos a beleza do alto, que é imperecível. Nenhum adorno externo se compara em valor ou amabilidade com “um espírito manso e quieto”, o “linho fino, branco e puro” (Ap 19:14), que todos os santos da Terra usarão. Essa veste os fará belos e amados aqui, e será depois sua senha para admissão ao palácio do Rei. Sua promessa é: “Comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso” (Ap 3:4).
Olhando com visão profética para os perigosos tempos em que a igreja de Cristo estava para entrar, o apóstolo exortou os crentes a permanecerem firmes em face das provas e sofrimentos. “Amados”, escreveu ele, “não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse.”
As provas são parte da educação recebida na escola de Cristo, para purificar os filhos de Deus da escória do que é terreno. É porque Deus está guiando Seus filhos que lhes sobrevêm experiências decisivas. Provas e obstáculos são Seus métodos escolhidos de disciplina, e as condições por Ele indicadas para o êxito. Aquele que lê os corações humanos conhece-lhes as fraquezas melhor do que eles mesmos as poderiam conhecer. Ele vê que alguns têm qualificações que, se apropriadamente dirigidas, poderiam ser usadas no avançamento de Sua obra. Em Sua providência Ele leva essas almas a
diferentes posições e variadas circunstâncias, para que possam descobrir os defeitos que estão ocultos ao seu próprio conhecimento. Dá-lhes oportunidades de vencer esses defeitos, habilitando-se para o serviço. Não raro permite que o fogo da aflição os abrase, a fim de serem purificados.
O cuidado de Deus por Sua herança é incessante. Ele não permite que sobrevenha a Seus filhos nenhuma aflição que não seja essencial ao seu bem presente e eterno. Deseja purificar Sua igreja da mesma maneira como Cristo purificou o templo durante Seu ministério terrestre. Tudo quanto Ele faz recair sobre Seu povo como provas, vem para que alcancem mais profunda piedade e maior força para levar avante os triunfos da Cruz.
Houve um tempo na experiência de Pedro em que ele não se dispunha a ver a cruz na obra de Cristo. Quando o Salvador deu a conhecer aos discípulos os sofrimentos e morte que O esperavam, Pedro exclamou: “Senhor, tem compaixão de Ti; de modo nenhum Te acontecerá isso” (Mt 16:22). A compaixão própria, que se esquivava de seguir a Cristo no sofrimento, preparou as razões de Pedro. Foi para o discípulo uma amarga lição, que ele não aprendeu senão vagarosamente, a de que a senda de Cristo na Terra é feita de sofrimento e humilhação. Porém na fornalha de fogo ardente devia ele aprender essa lição. Agora, quando seu corpo outrora ativo estava curvado ao peso dos anos e trabalhos, pôde ele escrever: “Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da Sua glória vos regozijeis e alegreis.”
Dirigindo-se aos anciãos da igreja, no tocante a suas responsabilidades como subpastores do rebanho de Cristo, o apóstolo escreve: “Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória.”
Os que ocupam a posição de subpastores devem exercer atento cuidado sobre o rebanho do Senhor. Isto não quer dizer vigilância ditatorial, mas que propenda a encorajar, fortalecer e a levantar. Ministrar significa mais que pregar sermões; significa trabalho zeloso e pessoal. A igreja na Terra é composta de homens e mulheres falíveis, que necessitam de esforços laboriosos e pacientes para que sejam disciplinados e educados para trabalhar de forma aceitável nesta vida, e serem na futura coroados de glória e imortalidade. Necessita-se de pastores - pastores fiéis - que não lisonjeiem o povo de Deus, nem o tratem com dureza, mas alimentem-no com o pão da vida - homens que sintam diariamente na vida o poder convertedor do Espírito Santo, e que cultivem amor forte e altruísta por aqueles por quem trabalham.
Há para o subpastor fazer uma obra que requer tato, quando é ele chamado a enfrentar a apostasia, descontentamento, inveja e ciúmes na igreja, e ele terá que trabalhar no espírito de Cristo para pôr as coisas em ordem. Fielmente devem ser advertidos, repreendido o pecado, endireitados os erros, não apenas pela obra do ministro no púlpito, mas por trabalho pessoal. O coração contumaz pode objetar à verdade e o servo de Deus
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White