Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 152
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 243-245
Capítulo 45 — Carta de Roma
Ao apóstolo Paulo, cedo em sua experiência cristã, foram dadas especiais oportunidades de conhecer a vontade de Deus concernente aos seguidores de Jesus. Ele “foi arrebatado até ao terceiro Céu”, “ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar”. Ele próprio reconheceu que lhe tinham sido dadas muitas “visões e revelações do Senhor”. Sua compreensão dos princípios da verdade evangélica era igual à dos “mais excelentes apóstolos” (2Co 12:2, 4, 1, 11). Ele tinha clara e plena compreensão da “largura, e o comprimento e a altura, e a profundidade” do “amor de Cristo, que excede todo o entendimento” (Ef 3:18, 19).
Paulo não podia falar de tudo o que tinha visto em visão; pois entre seus ouvintes havia alguns que teriam interpretado mal suas palavras. Mas o que lhe fora revelado capacitou-o a trabalhar como líder e sábio mestre, e também a moldar as mensagens que em seus últimos anos enviou às igrejas. A impressão que recebeu quando em visão, ficou para sempre com ele, capacitando-o a dar uma representação correta do caráter cristão. De viva voz e por carta ele apresentou uma mensagem que desde então tem levado auxílio e força à igreja de Deus. Aos crentes de hoje esta mensagem fala claramente dos perigos que ameaçarão a igreja, e das falsas doutrinas que ela terá de enfrentar.
O desejo do apóstolo àqueles a quem enviava suas cartas de conselho e admoestação, era que não fossem “mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina”; mas para que viessem “à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”. Aconselhava aos que eram seguidores de Jesus em comunidades pagãs, a não andarem como andavam “também os outros gentios, na vaidade do seu sentido, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus... pela dureza do seu coração” (Ef 4:14, 13, 17, 18), mas “como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus” (Ef 5:15, 16). Animava os crentes a olharem ao tempo em que Cristo, o qual “amou a igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela”, haveria de a “apresentar a Si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5:25, 27).
Essas mensagens, escritas não com o poder do homem mas de Deus, contêm lições que deviam ser estudadas por todos, e que podem com proveito ser muitas
vezes repetidas. Nelas é esboçada a piedade prática, são assentados princípios que deviam ser seguidos em todas as igrejas, e é esclarecido o caminho que leva à vida eterna.
Em sua carta “aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos”, escrita enquanto prisioneiro em Roma, Paulo faz menção de sua alegria pela firmeza deles na fé, novas que lhe haviam sido levadas por Epafras, “o qual”, escreveu o apóstolo, “nos declarou também a vossa caridade no Espírito. Por esta razão”, continuou, “nós também,
desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-Lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus; corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da Sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo” (Cl 1:2-11).
Assim Paulo exprimiu em palavras seu desejo para com os crentes colossenses. Quão elevado o ideal que essas palavras apresentam ao seguidor de Cristo! Elas mostram as maravilhosas possibilidades da vida cristã, e tornam claro que não há limite para as bênçãos que os filhos de Deus podem receber. Crescendo constantemente no conhecimento de Deus, podem eles ir de força em força, de altura em altura na experiência cristã, até que pela “força da Sua glória” sejam feitos “idôneos para participar da herança dos santos na luz” (Cl 1:12).
O apóstolo exaltou a Cristo perante seus irmãos como
Aquele por quem Deus criara todas as coisas, e por quem tinha promovido a redenção. Ele declarou que a mão que sustém os mundos no espaço, e mantém na ordem perfeita e incansável atividade todas as coisas através do Universo de Deus, é a mão que foi pregada na cruz por eles. “NEle foram criadas todas as coisas que há nos céus e na Terra”, escreveu Paulo, “visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele. E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele” (Cl 1:16, 17). “A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da Sua carne, pela morte, para perante Ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis” (Cl 1:21, 22).
O Filho de Deus Se rebaixou para levantar os caídos. Para isto deixou Ele os mundos sem pecado de cima, as noventa e nove que O amavam, e veio à Terra para ser “ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades” (Is 53:5). Em tudo foi feito semelhante aos irmãos. Tornou-Se carne, exatamente como nós somos. Ele soube o que significa ter fome, sede e cansaço. Foi sustentado pelo alimento e restaurado pelo sono. Foi estrangeiro e peregrino na Terra - estava no mundo mas não era do mundo; foi tentado e provado como o são os homens e mulheres de hoje, vivendo contudo uma vida sem pecado. Compassivo, compreensivo e terno, sempre gentil para com os outros, Ele representava o caráter de Deus. “O Verbo Se fez carne, e habitou entre nós... cheio de graça e de verdade” (Jo 1:14).
Cercados pelas práticas e influências do paganismo, os crentes colossenses estavam em perigo de ser afastados da simplicidade do evangelho, e Paulo, para adverti-los contra isto, apontou-lhes a Cristo como o único Guia seguro. “Porque quero que saibais”, escreveu ele, “quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e por quantos não viram o meu rosto em carne; para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em caridade, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus - Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.
“E digo isto para que ninguém vos engane com palavras persuasivas. Como, pois,
recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nEle, arraigados e edificados nEle e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, crescendo em ação de graças. Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porque nEle habita corporalmente toda a plenitude da divindade. E estais perfeitos nEle, que é a cabeça de todo principado e potestade” (Cl 2:4, 6-10).
Cristo predisse que se levantariam enganadores, por cuja influência faria transbordar a iniqüidade e esfriaria o “amor de muitos” (Mt 24:12). Advertiu os discípulos de que a igreja se encontraria em maior perigo por motivo desse mal, do que pela perseguição movida por seus inimigos. Vezes e mais vezes Paulo advertiu os crentes contra esses falsos ensinadores. Contra este perigo, acima de qualquer outro, deviam eles precaver-se; pois que, recebendo falsos ensinadores, abririam a porta aos erros mediante o que o inimigo turbaria as percepções espirituais e abalaria a confiança dos recém-conversos à fé do evangelho. Cristo era a norma pela qual deviam eles testar as doutrinas apresentadas. Tudo o que não estivesse em harmonia com Seus ensinos devia ser rejeitado. Cristo crucificado pelo pecado, Cristo ressurgido dos mortos, Cristo assunto ao Céu - esta era a ciência da salvação que eles deviam aprender e ensinar.
As advertências da Palavra de Deus com respeito aos perigos que rodeiam a igreja cristã pertencem a nós hoje. Como nos dias dos apóstolos os homens procuravam destruir a fé nas Escrituras pelas tradições e filosofias, assim hoje, pelos aprazíveis sentimentos da “alta crítica”, evolução, espiritismo, teosofia e panteísmo, o inimigo da justiça está procurando levar as almas para caminhos proibidos. Para muitos a Bíblia é uma lâmpada sem óleo, porque voltaram a mente para canais de crenças especulativas que produzem má compreensão e confusão. A obra da “alta crítica”, em dissecar, conjeturar, reconstruir está destruindo a fé na Bíblia como uma revelação divina. Está roubando a Palavra de Deus em seu poder de controlar, erguer e inspirar vidas humanas. Pelo espiritismo, multidões são ensinadas a crer que o desejo é a mais alta lei, que licenciosidade é liberdade, e que o homem deve prestar contas apenas a si mesmo.
O seguidor de Cristo enfrentará “palavras persuasivas” (Cl 2:4), contra as quais o apóstolo advertiu os crentes colossenses. Enfrentará interpretações espiritualistas das Escrituras, mas não as deve aceitar. Sua voz deve ser ouvida na clara afirmação das verdades eternas das Escrituras. Conservando os olhos fixos em Cristo, deve avançar com firmeza no caminho estabelecido, rejeitando todas as idéias que não estejam em harmonia com os Seus ensinos. A verdade divina deve ser o objeto de sua contemplação e meditação. Deve ele considerar a Bíblia como a voz de Deus a ele falando diretamente. Achará assim a sabedoria que é divina.
O conhecimento de Deus como revelado em Cristo é o conhecimento que precisam ter todos os salvos. É o conhecimento que opera a transformação do caráter. Recebido na vida, criará de novo a alma à imagem de Cristo. É o conhecimento além do qual tudo é vaidade e nulidade, e o qual Deus convida Seus filhos a receber.
Em cada geração e em cada terra o verdadeiro fundamento para a edificação do caráter tem sido o mesmo - os princípios contidos na Palavra de Deus. A única regra certa e segura é fazer o que Deus diz. “Os preceitos do Senhor são retos” (Sl 19:8) e “quem
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White