Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 148
Este plano não foi iniciado. Marque a leitura como lida para iniciá-lo hoje.
Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 239-240
Capítulo 44 — Os da Casa de César
O evangelho sempre alcançou seu maior sucesso entre as classes humildes. “Não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados” (1Co 1:26). Não seria de esperar que Paulo, pobre prisioneiro e sem amigos, pudesse obter a atenção das classes ricas e titulares dos cidadãos romanos. Para estas o vício apresentava todas as suas brilhantes seduções, e retinha-as como cativas voluntárias. Mas, dentre as cansadas e necessitadas vítimas de sua opressão, mesmo dentre os pobres escravos, muitos alegremente ouviam as palavras de Paulo, e encontravam na fé cristã esperança e paz que os animavam nas dificuldades de sua vida.
Todavia, conquanto o trabalho do apóstolo começasse com os humildes e modestos, sua influência se estendeu até atingir o próprio palácio do imperador.
Roma era nesta ocasião a metrópole do mundo. Os arrogantes Césares estavam dando leis a quase todas as nações da Terra. Reis e cortesãos ou não tomavam conhecimento do humilde Nazareno, ou O consideravam com ódio e desprezo. E contudo, em menos de dois anos o evangelho teve acesso da modesta casa do prisioneiro aos recintos imperiais. Paulo estava em cadeias como um malfeitor; mas “a Palavra de Deus não está presa” (2Tm 2:9).
Em anos anteriores o apóstolo havia publicamente proclamado a doutrina de Cristo com cativante poder; e por sinais e milagres havia dado indiscutível evidência de seu divino caráter. Com nobre firmeza levantara-se perante os sábios da Grécia, e por seu conhecimento e eloqüência tinha feito silenciar os argumentos da altiva filosofia. Com indômita coragem estivera diante de reis e governadores, e falara da justiça, da temperança e do juízo vindouro, até que soberbos governadores estremeceram como se já contemplassem os terrores do dia de Deus.
Tais oportunidades não lhe eram agora concedidas, confinado como se achava em sua própria residência, podendo pregar a verdade apenas aos que ali viessem. Não tinha, como Moisés e Arão, ordem divina para ir adiante de perversos reis, e em nome do grande EU SOU repreendê-los por sua crueldade e opressão. No entanto, foi neste mesmo tempo, quando seus principais advogados estavam aparentemente separados do trabalho público, que o evangelho alcançou grande vitória; membros da própria casa do imperador foram acrescentados à igreja.
Em nenhum lugar poderia haver uma atmosfera menos propícia ao cristianismo que na corte romana. Nero parecia ter apagado de sua alma o último vestígio do divino, e mesmo do humano, havendo recebido o ferrete de Satanás. Seus assistentes e cortesãos eram em geral do mesmo caráter que ele - violentos, envilecidos e corruptos. Segundo todas as aparências, seria impossível ao cristianismo firmar pé na corte e no palácio de Nero.
Contudo, neste caso, como em muitos outros, ficou provada a veracidade da afirmação de Paulo de que as armas de sua milícia eram “poderosas em Deus, para destruição das fortalezas” (2Co 10:4). Mesmo na casa de Nero foram ganhos troféus para a cruz. Dentre os vis servidores de um soberano ainda mais vil, foram ganhos conversos os quais se tornaram filhos de Deus. Não eram eles cristãos secretamente, mas abertamente. Não se envergonhavam de sua fé.
E por que meios foi conseguida entrada e uma firme posição alcançada pelo cristianismo, onde sua simples admissão parecia impossível? Em sua epístola aos filipenses, Paulo atribui a sua própria prisão seu sucesso em ganhar conversos da casa de Nero. Temendo que se pudesse pensar que suas aflições haviam impedido o progresso do evangelho, assegurou-lhes: “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” (Fp 1:12).
Logo que as igrejas cristãs souberam que Paulo deveria visitar Roma, tiveram a expectativa de um triunfo assinalado para o evangelho nesta cidade. Paulo levara a verdade a muitas terras; proclamara-a em grandes cidades. Não poderia este campeão da fé ser bem-sucedido no conquistar almas para Cristo mesmo na metrópole do mundo? Mas suas esperanças se aniquilaram com a notícia de que Paulo fora a Roma como prisioneiro.
Tinham confiantemente esperado ver o evangelho, uma vez estabelecido naquele grande centro, estender-se rapidamente a todas as nações e tornar-se um poder predominante na Terra. Quão grande foi a sua decepção! Falharam as expectativas humanas, mas não o propósito de Deus.
Não pelos sermões de Paulo, mas pelas suas cadeias, foi a atenção da corte atraída para o cristianismo. Foi como um cativo que ele rompeu de tantas almas as cadeias que as mantinham na escravidão do pecado. E não foi só isto. Declarou: “Muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a Palavra mais confiadamente, sem temor” (Fp 1:14).
A paciência e bom ânimo de Paulo durante seu longo e injusto aprisionamento, sua coragem e fé, eram um contínuo sermão. Seu espírito, tão diferente do espírito do mundo, dava testemunho de que um poder mais alto que o da Terra habitava com ele. E por seu exemplo, foram os cristãos impelidos a maior energia como advogados da causa no trabalho público de que Paulo havia sido afastado. Dessa maneira foram as cadeias do apóstolo de tal influência que, quando seu poder e utilidade pareciam liqüidados, e segundo todas as aparências muito pouco poderia ele fazer, alcançou ele para Cristo molhos em campos dos quais parecia inteiramente excluído.
Antes do fim desses dois anos de prisão, Paulo pôde dizer: “As minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares” (Fp 1:13); e entre os que enviavam saudações aos filipenses, ele mencionou “principalmente os que são da casa de César” (Fp 4:22).
A paciência, assim como a coragem, tem as suas vitórias. Pela mansidão sobre a prova, não menos do que pela ousadia nos empreendimentos, podem almas ser ganhas para Cristo. O cristão que manifesta paciência e bom ânimo sob aflição e sofrimentos, que enfrenta a própria morte com a paz e calma de uma fé inabalável, pode realizar para o
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White