Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 142
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 230-231
a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio. Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo, dizendo: Paulo, não temas; importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo. Portanto, ó varões, tende bom ânimo; porque creio em Deus, que há de acontecer assim como a mim me foi dito. É contudo necessário irmos dar numa ilha” (At 27:21-26).
A essas palavras, reviveu a esperança. Passageiros e tripulantes se ergueram de sua apatia. Havia muito, ainda, a ser feito, e cada esforço e capacidade deviam ser exercitados para evitar a destruição.
Foi na décima quarta noite de arremesso sobre as ondas negras e encapeladas que “lá pela meia-noite”, ouvindo som característico, “suspeitaram os marinheiros que estavam próximos de alguma terra. E, lançando prumo, acharam vinte braças; e, passando um pouco mais adiante, tornando a lançar o prumo, acharam quinze braças. E, temendo”, escreve Lucas, “ir dar em alguns rochedos, lançaram da popa quatro âncoras, desejando que viesse o dia” (At 27:27-29).
Ao raiar do dia os contornos da costa tempestuosa eram vagamente visíveis, mas não se viam quaisquer sinais de terra familiar. Tão sombria era a perspectiva que os marinheiros pagãos, perdendo toda a coragem, procuravam “fugir do navio”, e fazendo preparativos dissimulados para “lançar as âncoras pela proa”, tinha já lançado o bote salva-vidas, quando Paulo, percebendo seu baixo intento, disse ao centurião e aos soldados: “Se estes não ficarem no navio, não podereis salvar-vos.” Os soldados imediatamente “cortaram os cabos do batel, e o deixaram cair” no mar.
A hora mais crítica estava ainda diante deles. De novo o apóstolo disse palavras de encorajamento, e exortou a todos, soldados e passageiros, para que tomassem algum alimento, dizendo: “E já hoje o décimo quarto dia que esperais, e permaneceis sem comer, não havendo provado nada. Portanto, exorto-vos a que comais alguma coisa, pois é para a vossa saúde; porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós” (At 27:30-34).
“E, havendo dito isto, tomando o pão, deu graças a Deus na presença de todos; e, partindo-o, começou a comer.” Então aquele exausto e desencorajado grupo de duzentas e setenta e cinco almas que, não fora Paulo, ter-se-ia desesperado, uniu-se ao apóstolo em partilhar do “alimento. E, refeitos com a comida, aliviaram o navio, lançando o trigo ao mar” (At 27:35-38).
A luz do dia tinha agora rompido plenamente, mas eles nada podiam ver que lhes determinasse o lugar em que estavam. “Enxergaram porém uma enseada que tinha praia, e consultaram-se sobre se deveriam encalhar nela o navio. E, levantando as âncoras, deixaram-no ir ao mar, largando também as amarras do leme; e, alçando a vela maior ao vento, dirigiram-se para a praia. Dando, porém, num lugar de dois mares, encalharam ali o navio; e, fixa a proa, ficou imóvel, mas a popa abria-se com a força das ondas” (At 27:39-41).
Paulo e os outros prisioneiros estavam agora ameaçados por um perigo maior que o naufrágio. Os soldados viram que enquanto estivessem procurando alcançar a terra, ser-lhes-ia impossível vigiar os prisioneiros. Cada homem teria que fazer todo o possível para
salvar-se. Entretanto, se algum dos prisioneiros faltasse, perderia a vida o responsável por eles. Por isso os soldados desejavam matar todos os prisioneiros. A lei romana sancionava essa cruel prática, e o plano teria sido imediatamente executado, não fosse aquele a quem todos muito deviam. Júlio, o centurião, sabia que Paulo tinha sido o instrumento em salvar a vida de todos a bordo; e, além disso, convencido de que o Senhor estava com ele, temeu fazer-lhe mal. Portanto, “mandou que os que pudessem nadar se lançassem primeiro ao mar, e se salvassem em terra; e os demais, uns em tábuas e outros em coisas do navio. E assim aconteceu que todos chegaram à terra, a salvo” (At 27:43, 44). Quando se verificou a lista, nenhum faltava.
Os náufragos foram bondosamente recebidos pelos bárbaros de Malta. “Acendendo uma grande fogueira”, escreve Lucas, “nos recolheram a todos por causa da chuva que caía, e por causa do frio.” Paulo estava entre os que se mostravam ativos em prover o conforto dos outros. Tendo “ajuntado uma quantidade de vides, e pondo-as no fogo, uma víbora, fugindo do calor, lhe acometeu a mão”. Os circunstantes ficaram tomados de horror, e vendo por suas correntes que Paulo era um prisioneiro,
“diziam uns aos outros: Certamente este homem é homicida, visto como, escapando do mar, a justiça não o deixa viver”. Mas Paulo sacudiu a cobra no fogo, e nenhum mal sentiu. Sabendo a natureza venenosa da víbora, as pessoas olhavam para ele, esperando vê-lo entrar num momento em terrível agonia. “Mas tendo esperado já muito e vendo que nenhum incômodo lhe sobrevinha, mudando de parecer, diziam que era um deus” (At 28:2-6).
Durante os três meses que o pessoal do navio permaneceu em Malta, Paulo e seus companheiros de trabalho aproveitaram muitas oportunidades de pregar o evangelho. De modo notável operou o Senhor por meio deles. Por amor de Paulo, toda a tripulação do navio foi tratada com grande bondade; todas as suas necessidades foram supridas e, ao deixarem Malta, foram liberalmente providos de todo o necessário para a viagem. Os principais incidentes desta permanência ali são assim descritos por Lucas:
“E ali, próximo daquele mesmo lugar, havia umas herdades que pertenciam ao principal da ilha, por nome Públio, o qual nos recebeu e hospedou benignamente por três dias. E aconteceu estar de cama enfermo de febres e disenteria o pai de Públio, que Paulo foi ver e, havendo orado, pôs as mãos sobre ele e o curou. Feito pois isto, vieram também ter com ele os demais que na ilha tinham enfermidades, e sararam. Os quais nos distinguiram também com muitas honras; e, havendo de navegar, nos proveram das coisas necessárias” (At 28:7-10).
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White