Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 141
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 228-229
Capítulo 42 — A Viagem e o Naufrágio
Paulo estava afinal a caminho de Roma. “E, como se determinou que havíamos de navegar para a Itália”, escreve Lucas, “entregaram Paulo, e alguns outros presos, a um centurião por nome Júlio, da coorte augusta. E, embarcando nós em um navio adramitino, partimos navegando pelos lugares da costa da Ásia, estando conosco Aristarco, macedônio, de Tessalônica” (At 27:1, 2).
No primeiro século da era cristã, as viagens por mar eram feitas com peculiares dificuldades e perigos. Os marinheiros faziam a sua rota em grande parte orientando-se pela posição do Sol e das estrelas; e quando estes corpos celestes não apareciam, e havia indício de tempestade, os proprietários dos navios temiam aventurar-se em pleno mar. Durante uma parte do ano era quase impossível a navegação sem riscos.
O apóstolo Paulo era agora chamado a suportar as difíceis experiências que lhe poderiam tocar como um prisioneiro em cadeias durante a longa e tediosa viagem para a Itália. Uma circunstância suavizou grandemente as dificuldades de sua vida - foi-lhe permitida a companhia de Lucas e Aristarco. Em sua carta aos colossenses, referiu-se ele mais tarde ao último como seu “companheiro de prisão” (Cl 4:10); mas foi por vontade própria que Aristarco partilhou da prisão de Paulo, a fim de poder confortá-lo em suas aflições.
A viagem começou favoravelmente. No dia seguinte lançaram âncora no porto de Sidom. Aqui Júlio, o centurião, “tratando Paulo humanamente”, e sendo informado de que neste lugar havia cristãos, “lhe permitiu ir ver os amigos, para que cuidassem dele” (At 27:3). Esta permissão foi grandemente apreciada pelo apóstolo, que estava com a saúde debilitada.
Havendo deixado Sidom, o navio encontrou ventos contrários; e tendo-se desviado de uma rota direta, seu progresso foi lento. Em Mirra, na província de Lícia, o centurião encontrou um grande navio de Alexandria, que viajava para a costa da Itália, e para este navio transferiu imediatamente os prisioneiros. Mas os ventos eram ainda contrários, e o progresso do navio foi difícil. Lucas escreve: “E, como por muitos dias navegássemos vagarosamente, havendo chegado apenas defronte a Cnido, não nos permitindo o vento ir mais adiante, navegamos abaixo de Creta, junto de Salmone. E, costeando-a dificilmente, chegamos a um lugar chamado Bons Portos.”
Em Bons Portos foram forçados a ficar por algum tempo, esperando vento favorável. O inverno estava-se aproximando rapidamente, “sendo já perigosa a navegação”; e os que tinham a responsabilidade do navio tiveram que desistir de alcançar seu destino antes que a época favorável para a navegação marítima se encerrasse naquele ano. A única questão a ser decidida agora era se deviam permanecer em Bons Portos ou tentar alcançar um lugar mais favorável para invernar.
Esta questão foi calorosamente discutida, sendo afinal referida pelo centurião a Paulo, o qual conquistara o respeito tanto dos soldados como da tripulação. Sem hesitação o apóstolo aconselhou ficarem onde estavam. “Vejo”, disse ele, “que a navegação há de ser incômoda, e com muito dano, não só para o navio e carga, mas também para as nossas vidas.” Mas “o piloto” e o “mestre” do navio e a maioria dos passageiros e toda a tripulação não quiseram aceitar este conselho. Como aquele porto em que ancoraram “não era cômodo para invernar, os mais deles foram de parecer que se partisse dali para ver se podiam chegar a Fênix, que é um porto de Creta que olha para a banda do vento da África e do Coro, e invernar ali” (At 27:8-12).
O centurião decidiu seguir o discernimento da maioria. De comum acordo, “soprando o sul brandamente”, deixaram Bons Portos na esperança de que alcançariam logo o desejado porto. “Mas não muito depois deu nela um pé-de-vento”; “e sendo o navio arrebatado” (At 27:13-15), não podiam navegar contra o vento.
Impulsionado pela tempestade, o navio se aproximou da pequena ilha de Clauda, e neste abrigo os tripulantes se prepararam para o pior. O bote salva-vidas, seu único meio de escape no caso do navio afundar, estava amarrado, e sujeito a ser feito em pedaços a cada momento. Seu primeiro trabalho foi içar este bote para bordo. Todas as precauções possíveis foram então tomadas para fortificar o navio e prepará-lo para resistir à tempestade. A exígua proteção oferecida pela pequena ilha não durou muito, e logo estavam de novo expostos a toda a violência da tempestade.
Toda a noite a tempestade rugiu, e não obstante as precauções tomadas, o navio fazia água. “No dia seguinte aliviaram o navio.” De novo veio a noite, mas o vento não amainava. O navio batido pela tempestade, com os mastros partidos e as velas rotas, era pela fúria do vento atirado de um para outro lado. A cada momento parecia que o madeiramento dos costados, que não deixava de ranger, se iria abrir, tal a veemência dos abalos e estremecimentos produzidos pelos choques das ondas. A invasão da água mais aumentava, e a tripulação e passageiros trabalhavam continuamente nas bombas. Não havia um momento de repouso para ninguém a bordo. “E ao terceiro dia”, escreve Lucas, “nós mesmos, com as nossas próprias mãos, lançamos ao mar a armação do navio.” “E não aparecendo, havia já muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos” (At 27:18-20).
Durante catorze dias flutuaram sob um céu sem sol e sem estrelas. O apóstolo, embora sofrendo ele próprio fisicamente, tinha palavras de esperança para o momento mais crítico, uma mão auxiliadora em cada emergência. Agarrou-se pela fé ao braço do Poder Infinito, e seu coração se apoiava em Deus. Não temia por si; sabia que Deus o preservaria para testificar em Roma da verdade de Cristo. Porém seu coração se comovia de piedade pelas pobres almas que lhe estavam ao redor, pecadoras, degradadas e não preparadas para morrer. Ao suplicar ardentemente a Deus para lhes poupar a vida, foi-lhe revelado que sua oração fora atendida.
Aproveitando a vantagem de uma trégua na tempestade, Paulo ficou na coberta, e levantando a voz disse: “Fora, na verdade, razoável, ó varões, ter-me ouvido a mim, e não partir de Creta, e assim evitariam este incômodo e esta perdição. Mas agora vos admoesto
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White