Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 129
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Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 207-208
Capítulo 38 — Paulo Prisioneiro
“E logo que chegamos a Jerusalém, os irmãos nos receberam de muito boa vontade. E no dia seguinte Paulo entrou conosco em casa de Tiago, e todos os anciãos vieram ali” (At 21:17, 18).
Nesta ocasião, Paulo e seus companheiros formalmente apresentaram aos dirigentes da obra em Jerusalém as contribuições enviadas pelas igrejas gentílicas para o sustento dos pobres existentes entre os irmãos judeus. A arrecadação dessas contribuições havia custado ao apóstolo e a seus coobreiros, muito dispêndio de tempo, profunda ansiedade e intenso trabalho. A importância, que excedia de muito à expectativa dos anciãos de Jerusalém, representava muitos sacrifícios e mesmo severas privações da parte dos crentes gentios.
Essas ofertas voluntárias traduziam a lealdade dos conversos gentios para com a obra de Deus organizada em todo o mundo, e deviam ter sido por todos recebidas com grato reconhecimento; entretanto, era manifesto a Paulo e seus coobreiros que, mesmo dentre aqueles diante de quem agora estavam, havia alguns que eram incapazes de apreciar o espírito de amor fraternal que prodigalizara as ofertas.
Nos primeiros anos da obra do evangelho entre os gentios, alguns dos irmãos dirigentes de Jerusalém, apegando-se a anteriores preconceitos e modos de pensar, não haviam cooperado sinceramente com Paulo e seus companheiros. Em sua ansiedade por preservar umas poucas formas e cerimônias insignificantes, tinham perdido de vista as bênçãos que poderiam advir a eles e à causa que amavam, mediante um esforço para unir numa só todas as partes da obra do Senhor. Embora desejosos de salvaguardar os melhores interesses da igreja cristã, tinham deixado de manter-se a passo com as progressivas providências de Deus, e em sua humana sabedoria tinham procurado entravar os obreiros com muitas restrições desnecessárias. Dessa maneira surgiu ali um grupo de homens que não estavam familiarizados pessoalmente com as circunstâncias mutáveis e peculiares necessidades enfrentadas pelos obreiros em campos distantes, e que entretanto sustentavam ter autoridade para levar seus irmãos nesses campos a seguir certos e determinados métodos de trabalho. Julgavam que a obra de pregar o evangelho pudesse ser levada avante em harmonia com suas opiniões.
Vários anos haviam passado desde que os irmãos em Jerusalém, juntamente com representantes de outras igrejas principais, tinham dado cuidadosa atenção às perturbadoras questões que haviam surgido com respeito a métodos seguidos pelos que trabalhavam entre os gentios. Como resultado deste concílio, os irmãos tinham sido unânimes em fazer definidas recomendações às igrejas concernentes a certos ritos e costumes, inclusive a circuncisão. Foi neste concílio
geral que os irmãos foram também unânimes em recomendar Paulo e Barnabé às igrejas cristãs como obreiros dignos da inteira confiança de cada crente.
Havia entre os presentes a essa reunião, alguns que haviam criticado severamente os métodos de trabalho seguidos pelos apóstolos sobre quem repousava o principal encargo de levar o evangelho ao mundo gentio. Mas durante o concílio, sua visão do propósito de Deus se tinha ampliado, e eles se uniram a seus irmãos em fazer sábias decisões que tornaram possível a unificação de todo o corpo de crentes.
Posteriormente, quando se tornou claro que os conversos dentre os gentios estavam aumentando rapidamente, houve alguns poucos dentre os irmãos dirigentes em Jerusalém que começaram de novo a acariciar seus anteriores preconceitos contra os métodos de Paulo e seus companheiros. Esses preconceitos se fortaleceram com o passar dos anos, até que alguns dos dirigentes determinaram que a obra de pregar o evangelho devia daí por diante ser dirigida de acordo com suas próprias idéias. Se Paulo conformasse seus métodos a certa orientação por eles advogada, reconheceriam sua obra e a sustentariam; de outro modo, não mais a veriam com favor nem lhe concederiam a manutenção.
Esses homens haviam perdido de vista o fato de que Deus é o Mestre de Seu povo; que cada obreiro em Sua causa deve alcançar uma experiência pessoal em seguir o divino Líder, e não em buscar dos homens guia direta; que Seus obreiros devem ser talhados e moldados, não segundo as idéias do homem, mas segundo a semelhança divina.
Em seu ministério, o apóstolo Paulo tinha ensinado o povo não com “palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder”. As verdades que proclamava tinham-lhe sido reveladas pelo Espírito Santo; “porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus. ... As quais”, declara Paulo, “também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1Co 2:4, 10-13).
Através de seu ministério, Paulo tinha buscado de Deus guia direta. Ao mesmo tempo, tinha sido muito cuidadoso em trabalhar em harmonia com as decisões do concílio geral de Jerusalém; e como resultado, as igrejas “eram confirmadas na fé, e cada dia cresciam em número” (At 16:5). E agora, não obstante a falta de simpatia mostrada por alguns, encontrava conforto na tranqüila consciência de que havia cumprido seu dever ao encorajar em seus conversos um espírito de lealdade, generosidade e amor fraternal, como se revelou nessa ocasião nas contribuições liberais que lhe foi possível colocar diante dos anciãos judeus.
Após a apresentação das ofertas, Paulo “contou-lhes por miúdo o que por seu ministério Deus fizera entre os gentios”. Esta exposição de fatos levou ao coração de todos, mesmo dos que tinham estado a duvidar, a convicção de que a bênção do Céu tinha acompanhado seu trabalho. “E, ouvindo-o eles, glorificaram ao Senhor” (At 21:19, 20). Eles sentiram que os métodos de trabalho seguidos pelo apóstolo levavam o sinete do Céu. As liberais contribuições que tinham perante si, acrescentavam peso ao testemunho do apóstolo no tocante à fidelidade das novas igrejas estabelecidas entre os gentios. Os
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White