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Atos dos Apóstolos, páginas 195-196

compreensão da mensagem do evangelho. “O bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel”, declarou, “é para sua salvação” (Rm 10:1).

Não era um desejo comum que o apóstolo sentia. Constantemente estava ele pedindo a Deus para operar em favor dos israelitas que haviam deixado de reconhecer a Jesus de Nazaré como o Messias prometido. “Em Cristo digo a verdade, não minto”, afirmou ele aos crentes de Roma, “dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo, que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração. Porque eu mesmo poderia desejar ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne; que são israelitas dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas; dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos Deus bendito eternamente” (Rm 9:1-5).

Os judeus foram o povo escolhido de Deus, por cujo intermédio Ele Se propusera abençoar toda a humanidade. Dentre eles Deus havia levantado muitos profetas. Estes haviam predito o advento de um Redentor que devia ser rejeitado e morto pelos que deveriam ter sido os primeiros a reconhecê-Lo como o Prometido.

O profeta Isaías, devassando os séculos e testemunhando a rejeição de profeta após profeta e finalmente do Filho de Deus, foi inspirado a escrever com respeito à aceitação do Redentor por parte daqueles que nunca haviam sido antes contados entre os filhos de Israel. Referindo-se a esta profecia, Paulo declara: “Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que Me não buscavam, fui manifestado aos que por Mim não perguntavam. Mas contra Israel diz: Todo o dia estendi as Minhas mãos a um povo rebelde e contradizente” (Rm 9:1-5).

Muito embora houvesse Israel rejeitado Seu Filho, Deus não os rejeitou. Notai como Paulo continua a argumentar: “Digo pois: Porventura rejeitou Deus o Seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o Seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os Teus profetas, e derribaram os Teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões, que não dobraram os joelhos diante de Baal. Assim pois também agora neste tempo ficou um resto, segundo a eleição da graça” (Rm 11:1-5).

Israel tinha tropeçado e caído, mas isto não tornara impossível para eles se levantarem outra vez. Em resposta à pergunta: “Porventura tropeçaram, para que caíssem?” o apóstolo responde: “De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. E, se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, glorificarei o meu ministério; para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da minha carne e salvar alguns deles. Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?” (Rm 11:11-15).

Era propósito de Deus que Sua graça fosse revelada entre os gentios bem como entre os israelitas. Isto havia sido claramente esboçado nas profecias do Antigo Testamento. O

apóstolo usa algumas dessas profecias em seu argumento. “Não tem o oleiro poder sobre o barro”, interroga, “para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a Sua ira, e dar a conhecer o Seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição; para que também desse a conhecer as riquezas da Sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? Como também diz em Oséias: Chamarei Meu povo ao que não era Meu povo; e amada à que não era amada. E sucederá que no lugar em que lhes foi dito: Vós não sois Meu povo; aí serão chamados filhos do Deus vivo” (Rm 9:21-26).

Não obstante haver Israel falhado como nação, havia entre eles um considerável remanescente em condições de serem salvos. Ao tempo do advento do Salvador, houve homens e mulheres fiéis que receberam com alegria a mensagem de João Batista, e foram assim levados a estudar de novo as profecias referentes ao Messias. Quando a igreja cristã primitiva foi fundada, foi ela composta desses fiéis judeus que reconheceram Jesus de Nazaré como Aquele cujo advento haviam almejado. É a este remanescente que Paulo se refere quando escreve: “E, se as primícias são santas, também a massa o é; se a raiz é santa, também os ramos o são.”

Paulo relaciona o remanescente de Israel a uma boa oliveira de que alguns galhos foram quebrados. E compara os gentios aos ramos de uma oliveira silvestre, enxertados no tronco da oliveira-mãe. “E se alguns dos ramos foram quebrados”, escreve ele aos crentes gentios, “e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé; então não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que te não poupe a ti também. Considerai pois a bondade e a severidade de Deus; para com os que caíram, severidade; mas para contigo, a benignidade de Deus, se permaneceres na Sua benignidade; de outra maneira, também tu serás cortado” (Rm 11:16-22).

Devido à incredulidade e à rejeição do propósito do Céu para eles, Israel como nação perdera sua ligação com Deus. Mas os ramos que haviam sido cortados do tronco, Deus podia ligar ao verdadeiro tronco de Israel - o remanescente que havia permanecido fiel ao Deus de seus pais. “E também eles”, declara o apóstolo, falando dos ramos cortados, “se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar.” “Se tu”, escreve aos gentios, “foste cortado do natural zambujeiro, e contra a natureza, enxertada na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira! Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.

“E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades. E este será o Meu concerto com eles, quando Eu tirar os seus pecados. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas,

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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