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Atos dos Apóstolos, páginas 191-192

abençoar a outros. Ele não perdia oportunidade de falar do Salvador ou de ajudar aos que estavam em lutas. Ia de lugar em lugar, pregando o evangelho de Cristo e estabelecendo igrejas. Onde quer que pudesse encontrar audiência, procurava desfazer o mal e tornar os pés de homens e mulheres ao caminho da justiça.

Paulo não esquecia as igrejas que havia estabelecido. Depois de fazerem uma viagem missionária, Paulo e Barnabé repassavam seu caminho, visitavam as igrejas que haviam estabelecido, escolhendo delas homens a quem pudessem preparar a fim de se unirem na proclamação do evangelho.

Este aspecto da obra de Paulo contém uma importante lição para os ministros de hoje. O apóstolo constituiu como parte de seu trabalho educar jovens para o encargo do ministério. Levava-os consigo em suas viagens missionárias e assim adquiriam experiência que mais tarde os habilitava a ocupar posições de responsabilidade. Separado deles, conservava-se ainda em contato com o trabalho deles, e suas cartas a Timóteo e a Tito são provas de quão profundo era o seu desejo pelo êxito deles.

Os experimentados obreiros de hoje fazem nobre obra quando, em vez de procurarem levar todos os encargos sozinhos, adestram obreiros mais jovens e colocam responsabilidades sobre seus ombros.

Paulo jamais esqueceu a responsabilidade que repousava sobre ele como ministro de Cristo, nem que, se almas se perdessem por infidelidade de sua parte, Deus o faria responsável. Do “qual estou feito ministro”, declarou ele a respeito do evangelho, “segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a Palavra de Deus; o mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos Seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; a quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo; e para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que obra em mim poderosamente” (Cl 1:25-29).

Estas palavras apresentam perante o obreiro de Cristo um elevado objetivo, que entretanto, pode ser alcançado por todos os que, colocando-se sob o controle do grande Professor, aprendem diariamente na escola de Cristo. O poder às ordens de Deus é ilimitado, e o pastor que em sua grande necessidade une-se a Deus pode estar certo de que receberá o que há de ser para seus ouvintes um cheiro de vida para vida.

Os escritos de Paulo mostram que o ministro do evangelho deve ser um exemplo das verdades que ensina, “não dando... escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado”. De sua própria obra deixou-nos um quadro em sua carta aos crentes coríntios: “Tornando-nos recomendáveis em tudo; na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda, por honra e por desonra, por infâmia

e por boa fama; como enganadores, e sendo verdadeiros; como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como morrendo, e eis que vivemos; como castigados, e não mortos; como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos” (2Co 6:3, 4-10).

A Tito ele escreveu: “Exorta semelhantemente os mancebos a que sejam moderados. Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós” (Tt 2:6-8).

Nada existe mais precioso à vista de Deus que Seus ministros, os quais vão aos lugares desolados da Terra para semear as sementes da verdade, na esperança da colheita: Ninguém a não ser Cristo pode medir a solicitude de Seus servos ao saírem em busca dos perdidos. Ele lhes outorga Seu Espírito, e por seus esforços as almas são levadas a tornarem do pecado para a justiça.

Deus está chamando homens que estejam dispostos a deixar suas fazendas, negócios, se necessário a família, para se tornarem missionários para Ele. E o chamado será respondido. Tem havido no passado homens que, constrangidos pelo amor de Cristo e pelas necessidades dos perdidos, deixaram os confortos do lar e a sociedade de amigos, inclusive da esposa e filhos, para irem a terras estrangeiras, entre idólatras e selvagens, a fim de proclamar a mensagem de misericórdia. Muitos nessa empreitada perderam a vida, mas outros têm surgido para levar a obra. Assim passo a passo a causa de Cristo tem progredido, e a semente semeada em tristeza tem produzido uma abundante colheita. O conhecimento de Deus tem sido estendido amplamente, e a bandeira da cruz plantada em terras pagãs.

Para a conversão de um só pecador, o ministro deve forçar ao máximo suas energias. A alma criada por Deus e por Cristo redimida, é de grande valor, por causa das possibilidades perante ela, das vantagens espirituais que lhe tem sido concedidas, das habilidades que pode possuir se vitalizada pela Palavra de Deus e da imortalidade que pode obter através da esperança apresentada no evangelho. E se Cristo deixou as noventa e nove ovelhas para que pudesse buscar e salvar a única que se havia extraviado, podemos nós ser justificados fazendo menos? Não constitui o negligenciar trabalhar como Cristo trabalhou, sacrificar como Ele sacrificou, a traição de sagradas verdades, um insulto a Deus?

O coração do verdadeiro ministro está cheio do intenso desejo de salvar almas. São gastos o tempo e a força, e nenhum penoso esforço é evitado, pois outros precisam ouvir as verdades que levaram a sua própria alma tamanha alegria, paz e satisfação. O Espírito de Cristo repousa sobre ele. Ele vela pelas almas como quem deve dar conta delas. Com os olhos fixos na cruz do Calvário, contemplando o Salvador suspenso, confiando em Sua graça, crendo que Ele estará com ele até o fim, como sua proteção, sua fortaleza, sua eficiência, ele trabalha para Deus. Com rogos e convites, misturados com a segurança do amor de Deus, ele busca conquistar almas para Jesus, e no Céu é contado entre os que são “chamados, e eleitos, e fiéis” (Ap 17:14).

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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