Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 89
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 166-168
Pedro exclamou: “Ausenta-Te de mim, que sou um homem pecador”; todavia, apegou-se aos pés de Jesus, sentindo que dEle não se podia separar. O Salvador respondeu: “Não temas; de agora em diante serás pescador de homens”. Lucas 5:10. Foi depois de Isaías haver contemplado a santidade de Deus e sua própria indignidade, que lhe foi confiada a mensagem divina. Foi depois de Pedro haver sido levado à renúncia de si mesmo e à dependência do poder divino, que recebeu o chamado para sua obra por Cristo.
Até então nenhum dos discípulos se havia inteiramente unido a Jesus como colaborador Seu. Tinham testemunhado muitos de Seus milagres e Lhe escutado os ensinos; não haviam, porém, abandonado de todo sua anterior ocupação. O encarceramento de João Batista lhes fora a todos amarga decepção. Se tal devia ser o resultado da missão do profeta pouca esperança podiam ter quanto a seu Mestre, com todos os guias religiosos unidos contra Ele. Sob essas circunstâncias, era-lhes um alívio tornar por algum tempo à sua pesca. Mas agora Jesus os convidava a abandonar a vida anterior, unindo aos dEle os seus interesses. Pedro aceitara o chamado. Ao chegar à praia, Jesus pediu aos outros três discípulos: “Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens.” Imediatamente deixaram tudo e O seguiram.
Antes de lhes pedir que abandonassem as redes e barcos, Jesus lhes dera a certeza de que Deus lhes supriria as necessidades. O serviço do barco de Pedro para a obra do evangelho, fora abundantemente pago. Aquele que é “rico para com todos os que O invocam” (Romanos 10:12), disse: “Dai, e ser-vos á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando”. Lucas 6:38. Nessa medida havia Ele recompensado o serviço dos discípulos. E todo sacrifício, feito em Seu serviço, será recompensado segundo “as abundantes riquezas da Sua graça”.
Durante aquela triste noite no lago, enquanto separados de Cristo, os discípulos foram duramente premidos pela incredulidade, e cansaram-se num infrutífero labor. Sua presença, porém, lhes ateou a fé, e trouxe-lhes alegria e bom êxito. O mesmo se dá conosco; separados de Cristo, nosso trabalho não dá fruto, e fácil se torna desconfiar e murmurar. Quando Ele está perto, porém, e trabalhamos sob Sua direção, regozijamo-nos nas demonstrações de Seu poder. É a obra de Satanás desanimar a pessoa; a de Cristo é inspirar fé e esperança.
A mais profunda lição que o milagre ensinou aos discípulos, é também uma lição para nós — que Aquele cuja palavra pôde apanhar os peixes do mar, podia igualmente impressionar corações humanos, atraindo-os com as cordas de Seu amor, de maneira que Seus servos se tornassem “pescadores de homens”.
Eram humildes e ignorantes, aqueles pescadores da Galiléia; mas Cristo, a luz do mundo, era sobejamente capaz de habilitá-los para a
posição a que os chamara. O Salvador não desprezava a educação; pois, quando regida pelo amor de Deus e consagrada a Seu serviço, a cultura intelectual é uma bênção. Mas Ele passou por alto os sábios de Seu tempo, porque eram tão cheios de confiança em si mesmos, que não podiam simpatizar com a humanidade sofredora, e tornar-se colaboradores do Homem de Nazaré. Em sua hipocrisia, desdenhavam ser instruídos por Cristo. O Senhor Jesus procura a cooperação dos que se tornem desimpedidos condutos para comunicação de Sua graça. A primeira coisa a ser aprendida por todos os que desejam tornar-se coobreiros de Deus é a desconfiança de si mesmos; acham-se então preparados para lhes ser comunicado o caráter de Cristo. Este não se adquire por meio de educação recebida nas mais competentes escolas. É unicamente fruto da sabedoria obtida do divino Mestre.
Jesus escolheu homens ignorantes, porque não haviam sido instruídos nas tradições e errôneos costumes de seu tempo. Eram dotados de natural capacidade, humildes e dóceis — homens a quem podia educar para Sua obra. Há, nas ocupações comuns da vida, muitos homens que seguem a rotina dos labores diários, inconscientes de possuírem faculdades que, exercitadas, os ergueriam à altura dos mais honrados homens do mundo. Requer-se o toque de uma hábil mão para despertar essas faculdades adormecidas. Foram esses os homens que Jesus chamou para colaboradores, e deu-lhes a vantagem da convivência com Ele. Nunca tiveram os grandes homens do mundo um mestre assim. Ao saírem os discípulos do preparo ministrado pelo Salvador, já não eram mais ignorantes e incultos. Haviam-se tornado como Ele no espírito e no caráter, e os homens conheciam que haviam estado com Jesus.
A mais elevada obra da educação não é comunicar conhecimentos, meramente, mas aquela vitalizante energia recebida mediante o contato de espírito com espírito, de pessoa com pessoa. Somente vida gera vida. Que privilégio, pois, foi o deles, por três anos em contato com aquela divina vida de onde tem provindo todo impulso doador de vida que tem abençoado o mundo! João, o discípulo amado, mais que todos os seus companheiros, entregou-se ao influxo daquela assombrosa existência. Diz ele: “A vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada”. 1 João 1:2. “Todos nós recebemos também da Sua plenitude, e graça por graça”. João 1:16.
Não havia, nos apóstolos de nosso Senhor, coisa alguma que lhes trouxesse glória. Era evidente que o êxito de seus esforços se devia unicamente a Deus. A vida desses homens, o caráter que desenvolveram, e a poderosa obra por Deus operada por intermédio deles, são testemunhos do que fará por todos quantos forem dóceis e obedientes.
Aquele que mais ama a Cristo, maior soma de bem fará. Não há limites à utilidade de uma pessoa que, pondo de parte o próprio eu, oferece margem à operação do Espírito Santo na pessoa, e vive uma vida de inteira consagração a Deus. Caso os homens suportem a necessária disciplina, sem queixume ou desfalecimento pelo caminho, Deus os ensinará a cada hora, a cada dia. Anseia revelar Sua graça. Remova Seu povo os obstáculos, e Ele derramará as águas da salvação em torrentes, mediante os condutos humanos. Se os homens de condição humilde fossem animados a fazer todo o bem ao seu alcance, não houvesse sobre eles mãos repressivas a refrear-lhes o zelo, e haveria uma centena de obreiros de Cristo onde temos agora apenas um.
Deus toma os homens tais quais são, e educa-os para Seu serviço, uma vez que se entreguem a Ele. O Espírito de Deus, recebido na mente, vivificar-lhes-á todas as faculdades. Sob a direção do Espírito Santo, o intelecto que se consagra sem reservas a Deus desenvolve-se harmonicamente, e é fortalecido para compreender e cumprir o que Deus requer. O caráter fraco e vacilante muda-se em outro forte e firme. A devoção contínua estabelece uma relação tão íntima entre Jesus e Seu discípulo, que o cristão se torna como Ele em espírito e caráter. Mediante ligação com Cristo terá visão mais clara e ampla. O discernimento se tornará mais penetrante, mais equilibrado o juízo. Aquele que anela ser de utilidade a Cristo é tão vivificado pelo vitalizante poder do Sol da Justiça, que é habilitado a produzir muito fruto para glória de Deus.
Homens da mais elevada educação em ciências e artes, têm aprendido preciosas lições de cristãos de condição humilde, classificados pelo mundo como ignorantes. Mas esses obscuros discípulos haviam recebido educação na mais alta das escolas. Tinham-se sentado aos pés dAquele que falava “como nunca homem algum falou”. João 7:46.
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White