Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 74
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 141-143
acompanhado a alma com as mais ternas súplicas, buscando atraí-la do pecado para a santidade, é ao mesmo tempo seu Advogado e Juiz. Desde o início do grande conflito no Céu, Satanás tem mantido sua causa por meio de engano; e Cristo tem trabalhado no sentido de lhe revelar as tramas, e derribar-lhe o poder. É Aquele que Se tem oposto ao enganador e, no decorrer de todos os séculos, Se tem empenhado por arrebatar os cativos de seu poder, que julgará cada pessoa.
E Deus “deu-Lhe poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem”. Como Ele tenha provado as próprias fezes do cálice da aflição e tentação humanas, e compreenda as fragilidades e pecados dos homens; como tenha, em nosso favor, resistido vitoriosamente às tentações de Satanás, e lidará justa e ternamente com as pessoas para cuja salvação derramou o próprio sangue — o Filho do homem é indicado para exercer o juízo.
A missão de Cristo, porém, não era julgar, mas salvar. “Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele”. João 3:17. E perante o Sinédrio Jesus declarou: “Quem ouve a Minha Palavra, e crê nAquele que Me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida”. João 5:24.
Pedindo a Seus ouvintes que não se maravilhassem, Cristo desenrolou diante deles, em visão ainda mais ampla, o mistério do futuro: “Vem a hora”, disse, “em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação”. João 5:28, 29.
Essa certeza da vida futura era a que Israel há tanto aguardara, e esperava receber por ocasião do advento do Messias. Sobre eles estava a resplandecer a única luz que pode iluminar as sombras da sepultura. A obstinação, porém, é cega. Jesus violara as tradições dos judeus, e desprezara-lhes a autoridade, e eles não queriam crer.
O tempo, o local, a ocasião, a intensidade dos sentimentos que animavam a assembléia, tudo se combinou para tornar mais impressivas as palavras de Jesus perante o Sinédrio. As mais altas autoridades religiosas da nação estavam procurando tirar a vida Àquele que Se declarava o restaurador de Israel. O Senhor do sábado era citado perante um tribunal terrestre, para responder à acusação de quebrantar a lei sabática. Ao declarar Ele tão intrepidamente Sua missão, Seus juízes contemplaram-nO espantados e enfurecidos; Suas palavras, todavia, eram irrespondíveis. Não O podiam condenar. Recusava aos sacerdotes e rabis o direito de interrogar acerca de Sua obra, ou nela interferir. Não estavam revestidos dessa autoridade. Suas pretensões baseavam-se no próprio orgulho e arrogância. Ele Se recusava a reconhecer-Se culpado de suas acusações, ou ser catequizado por ele.
Em lugar de Se desculpar do ato de que se queixavam, ou explicar o próprio desígnio em assim fazer, Jesus Se voltou contra os líderes, e o acusado tornou-Se acusador. Repreendeu-os pela sua dureza de coração e ignorância das Escrituras. Declarou que tinham rejeitado a Palavra de Deus, da mesma maneira que o haviam feito Àquele a quem Deus enviara. “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de Mim testificam”. João 5:39.
Em toda página, seja história, preceito ou profecia, irradia nas Escrituras do Antigo Testamento a glória do Filho de Deus. Em tudo quanto encerrava de instituição divina, todo o judaísmo era uma encadeada profecia do evangelho. De Cristo “dão testemunho todos os profetas”. Atos dos Apóstolos 10:43. Desde a promessa feita a Adão, descendo pela linha patriarcal e a dispensação legal, a gloriosa luz celeste tornou claras as pegadas do Redentor. Os viventes contemplaram a Estrela de Belém, o Siló por vir, ao passarem diante deles, em misteriosa procissão, os acontecimentos futuros. Em cada sacrifício, mostrava-se a morte de Cristo. Em cada nuvem de incenso, ascendia Sua justiça. Seu nome ressoava com cada trombeta de jubileu. No tremendo mistério do santo dos santos habitava Sua glória.
Os judeus estavam de posse das Escrituras, e supunham que, no mero conhecimento que delas possuíam, tinham a vida eterna. Jesus, porém, disse: “A Sua Palavra não permanece em vós”. João 5:38. Havendo rejeitado a Cristo em Sua Palavra, rejeitaram-nO em pessoa. “Não quereis vir a Mim”, disse Ele, “para terdes vida”. João 5:40.
Os guias judaicos tinham estudado os ensinos dos profetas a respeito do reino do Messias; haviam-no feito, porém, não com o sincero desejo de conhecer a verdade, mas com o desígnio de encontrar provas para apoiar suas ambiciosas esperanças. Vindo Cristo de maneira contrária a sua expectativa, não O quiseram receber; e para se justificarem, procuravam demonstrar que era enganador. Uma vez postos os pés nesse caminho, fácil era a Satanás fortalecer-lhes a oposição a Cristo. As próprias palavras que deveriam ter sido recebidas como testemunho de Sua divindade, foram contra Ele interpretadas. Assim tornaram a verdade de Deus em mentira, e quanto mais diretamente lhes falava o Salvador em Suas obras de misericórdia, tanto mais decididos ficavam para resistir à luz.
Jesus disse: “Eu não recebo glória dos homens”. João 5:41. Não era a influência do Sinédrio, não era sua sanção que Ele desejava. Não podia receber honra alguma da aprovação deles. Achava-Se revestido de honra e autoridade do Céu. Houvesse-a Ele desejado, e anjos Lhe teriam vindo render homenagem; o Pai teria outra vez testificado de Sua divindade. Mas, por amor deles próprios, por amor da nação que representavam, desejava que os guias judaicos Lhe distinguissem o caráter, e recebessem as bênçãos que lhes viera trazer.
“Eu vim em nome de Meu Pai, e não Me aceitais; se outro vier em seu
próprio nome, a esse aceitareis”. João 5:43. Jesus veio pela autoridade de Deus, apresentando-Lhe a imagem, cumprindo Sua Palavra e buscando-Lhe a glória; todavia, não foi aceito pelos guias de Israel; mas quando outros viessem, assumindo o caráter de Cristo, embora movidos por sua própria vontade e buscando a própria glória, estes seriam recebidos. E por quê? — Porque o que busca a própria glória, fala ao desejo de exaltação própria nos outros. A tais estímulos, corresponderiam os judeus. Receberiam o falso mestre, porque lhes lisonjearia o orgulho pela sanção de suas acariciadas opiniões e tradições. Os ensinos de Cristo, porém, não tinham afinidades com suas idéias. Eram espirituais e exigiam o sacrifício do eu; não O receberiam, portanto. Não estavam relacionados com Deus, e Sua voz, por intermédio de Cristo, era para eles a de um estranho.
Não se repete o mesmo em nossos dias? Não há muitos, mesmo guias religiosos, que estão endurecendo o coração contra o Espírito Santo, tornando impossível a si mesmos o reconhecer a voz de Deus? Não estão rejeitando a Palavra de Deus, a fim de conservar as próprias tradições?
“Se vós crêsseis em Moisés”, disse Jesus, “creríeis em Mim; porque de Mim escreveu ele. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas Minhas palavras?” João 5:46. Fora Cristo que falara a Israel por meio de Moisés. Houvessem eles ouvido a voz divina que falara por intermédio de seu grande guia, e a teriam reconhecido nos ensinos de Cristo. Houvessem crido em Moisés, e teriam acreditado nAquele de quem ele escrevera.
Jesus sabia que os sacerdotes e rabis estavam decididos a tirar-Lhe a vida; todavia, expôs-lhes claramente Sua unidade com o Pai, e Sua relação para com o Mundo. Viram que a oposição que Lhe moviam não tinha desculpa; todavia, seu ódio assassino não se extinguiu. Deles se apoderou o temor ao testemunhar o convincente poder que Lhe acompanhava o ministério, mas resistiram a Seus apelos, encerrando-se em trevas.
Fracassaram assinaladamente em derribar a autoridade de Jesus ou dEle alienar o respeito e a atenção do povo, do qual muitos ficaram convencidos por Suas palavras. Os próprios líderes se haviam sentido sob profunda condenação ao apresentar-lhes à consciência sua culpa; todavia, isso apenas os instigou mais amargamente contra Ele. Estavam decididos a tirar-Lhe a vida. Enviaram por todo o país mensageiros a advertir o povo contra Jesus, como impostor. Mandaram-se espias para O observar e relatar o que dizia ou fazia. O precioso Salvador achava-Se agora, sem dúvida nenhuma, sob a sombra da cruz.
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White