Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 73
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 138-141
curso. Deus não poderia por um momento deter Sua mão, do contrário o homem desfaleceria e viria a morrer. E o homem também tem nesse dia uma obra a realizar. Devem-se atender às necessidades da vida, cuidar dos doentes, suprir as faltas dos necessitados. Não será tido por inocente o que negligenciar aliviar o sofrimento no sábado. O santo dia de repouso de Deus foi feito para o homem, e os atos de misericórdia se acham em perfeita harmonia com seu desígnio. Deus não deseja que Suas criaturas sofram uma hora de dor que possa ser aliviada no sábado, ou noutro dia qualquer.
As solicitações para com Deus são ainda maiores no sábado do que nos outros dias. Seu povo deixa então a ocupação ordinária, e passa mais tempo em meditação e culto. Pedem-Lhe mais favores no sábado, que noutros dias. Exigem-Lhe a atenção de modo especial. Anelam Suas mais preciosas bênçãos. Deus não espera que o sábado passe para lhes conceder esses pedidos. A obra no Céu não cessa nunca, e o homem não deve descansar de fazer o bem. O sábado não se destina a ser um período de inútil inatividade. A lei proíbe trabalho secular no dia de repouso do Senhor; o labor que constitui o ganha-pão, deve cessar; nenhum trabalho que vise prazer ou proveito mundanos, é lícito nesse dia; mas como Deus cessou Seu labor de criar e repousou ao sábado, e o abençoou, assim deve o homem deixar as ocupações da vida diária, e devotar essas sagradas horas a um saudável repouso, ao culto e a boas obras. O ato de Cristo em curar o enfermo estava de perfeito acordo com a lei. Era uma obra que honrava o sábado.
Jesus afirmou ter direitos iguais aos de Deus, ao fazer uma obra da mesma maneira sagrada, e do mesmo caráter daquela em que Se empenhava o Pai no Céu. Mas os fariseus ficaram ainda mais exasperados. Ele não somente quebrantara a lei, segundo seu modo de ver, mas dizendo que “Deus era Seu próprio Pai”, declarara ser igual a Deus.
Toda a nação judaica chamava a Deus seu Pai, de maneira que se não deveriam ter assim enfurecido se Cristo Se colocara na mesma relação para com Ele. Mas acusaram-nO de blasfêmia, mostrando que compreendiam fazer Ele essa reivindicação no mais alto sentido.
Esses adversários de Cristo não tinham argumentos com que enfrentar as verdades que lhes fazia penetrar na consciência. Não podiam senão citar seus costumes e tradições, e estes pareciam fracos e nulos quando comparados com os argumentos que Jesus tirava da Palavra de Deus e da vida natural! Houvessem os rabis experimentado qualquer desejo de receber a luz, e se teriam convencido de que Cristo dizia a verdade. Evitavam, porém, os pontos que apresentavam com referência ao sábado, e procuraram incitar ódio contra Ele, por declarar ser igual a Deus. A fúria dos líderes não conhecia limites. Não houvessem temido o povo, e os sacerdotes e rabis teriam matado a Jesus ali mesmo. Mas o sentimento popular em Seu favor era forte. Muitos reconheciam em Cristo o amigo
que lhes curara as moléstias e confortara as dores, e justificavam-nO em curar o doente de Betesda. De modo que os guias se viram obrigados, de momento, a restringir seu ódio.
Jesus repeliu a acusação de blasfêmia. Minha autoridade, disse, para fazer a obra de que Me acusais, é o ser Eu o Filho de Deus, um com Ele em natureza, em vontade e em desígnio. Em todas as Suas obras de criação e providência, Eu coopero com Deus. O “Filho por Si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai.” Os sacerdotes e rabis estavam repreendendo o Filho de Deus pela própria obra para cuja realização fora enviado ao mundo. Por seus pecados, haviam-se separado de Deus e estavam, em seu orgulho, agindo independentemente dEle. Sentiam-se suficientes para tudo, e não percebiam a necessidade de mais alta sabedoria para lhes dirigir os atos. Mas o Filho de Deus era submisso à vontade de Seu Pai, e dependente de Seu poder. Tão plenamente vazio do próprio eu era Jesus, que não elaborava planos para Si mesmo. Aceitava os que Deus fazia a Seu respeito, e o Pai os desdobrava dia a dia. Assim devemos nós confiar em Deus, para que nossa vida seja uma simples operação de Sua vontade.
Quando Moisés estava para construir o santuário como lugar de habitação de Deus, recebeu instruções para fazer tudo segundo o modelo que lhe fora mostrado no monte. Moisés era todo zeloso para fazer a obra de Deus; os homens mais talentosos e hábeis lhe estavam ao lado para realizar suas sugestões. No entanto, não devia fazer uma campainha, uma romã, uma borla, uma franja, uma cortina ou qualquer vaso do santuário, que não fosse segundo o modelo mostrado. Deus o chamara ao monte e lhe revelara as coisas celestiais. O Senhor o cobrira com Sua glória, a fim de que pudesse ver o modelo, e segundo ele foram feitas todas as coisas. Assim a Israel, a quem desejava tornar Seu lugar de habitação, revelara Seu glorioso ideal de caráter. O modelo lhes fora mostrado no monte, quando a lei havia sido dada no Sinai, e o Senhor passara perante Moisés, proclamando: “Jeová, o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade; que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniqüidade, e a transgressão e o pecado”. Êxodo 34:6, 7.
Israel preferira seus próprios caminhos. Não haviam edificado segundo o modelo; mas Cristo, o verdadeiro templo para habitação de Deus, moldara cada detalhe de Sua vida terrestre em harmonia com o ideal divino. Disse Ele: “Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; sim, a Tua lei está dentro do Meu coração”. Salmos 40:8. Assim nosso caráter deve ser formado para “morada de Deus em Espírito”. Efésios 2:22. E cumpre-nos fazer “tudo conforme o modelo”, isto é, Aquele que “padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as Suas pisadas”. 1 Pedro 2:21.
As palavras de Cristo nos ensinam que nos devemos considerar
inseparavelmente ligados a nosso Pai celestial. Seja qual for nossa posição, dependemos de Deus, que enfeixa em Suas mãos todos os destinos. Ele nos designou nossa obra, e nos dotou de faculdades e meios para ela. Enquanto submetermos a vontade à Sua, e confiarmos em Sua força e sabedoria, seremos guiados por caminhos seguros, para realizar a parte que nos cabe em Seu grande plano. Aquele, porém, que confia em sua própria sabedoria e poder, se está separando de Deus. Em vez de trabalhar em harmonia com Cristo, cumpre o desígnio do inimigo de Deus e dos homens.
O Salvador continuou: “Tudo quanto Ele faz, o Filho o faz igualmente. [...] Assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer”. João 5:19, 21. Os saduceus afirmavam que não havia ressurreição do corpo; mas Jesus lhes diz que uma das maiores obras de Seu Pai é ressuscitar os mortos, e que Ele próprio possui poder de fazer a mesma obra. “Vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão”. João 5:25. Os fariseus acreditavam na ressurreição dos mortos. Cristo declara que mesmo agora o poder que dá vida aos mortos se encontra entre eles, e eles hão de testemunhar-lhe a manifestação. É esse mesmo poder de ressuscitar que dá vida à pessoa morta “em ofensas e pecados”. Efésios 2:1. Esse espírito de vida em Cristo Jesus, a “virtude da Sua ressurreição” (Filipenses 3:10), liberta os homens “da lei do pecado e da morte”. Romanos 8:2. O domínio do mal é despedaçado e, pela fé, a mente é guardada do pecado. Aquele que abre o coração ao Espírito de Cristo, torna-se participante daquele grande poder que lhe fará o corpo ressurgir do sepulcro.
O humilde Nazareno afirma Sua real nobreza. Ergue-se acima da humanidade, atira de Si o disfarce do pecado e da injúria, e revela-Se — o Honrado dos anjos, o Filho de Deus, Um com o Criador do Universo. Seus ouvintes ficam fascinados. Homem algum já falou palavras como as Suas, nem se portou com tão régia majestade. Seus discursos são claros e positivos, declarando plenamente Sua missão, e o dever do mundo: “O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo; para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que O enviou. [...] Porque, como o Pai tem a vida em Si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em Si mesmo. E deu-Lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem”. João 5:22-27.
Os sacerdotes e principais haviam-se arvorado em juízes, para condenar a obra de Cristo, mas Ele Se declarou juiz deles próprios, e de toda a Terra. O mundo foi confiado a Cristo, e por Seu intermédio tem vindo toda bênção de Deus à raça caída. Era o Redentor, tanto antes como depois da encarnação. Assim que existiu o pecado; houve um Salvador. Ele tem dado luz e vida a todos, e em harmonia com a medida da luz concedida, será cada um julgado. E aquele que tem comunicado a luz, que tem
acompanhado a alma com as mais ternas súplicas, buscando atraí-la do pecado para a santidade, é ao mesmo tempo seu Advogado e Juiz. Desde o início do grande conflito no Céu, Satanás tem mantido sua causa por meio de engano; e Cristo tem trabalhado no sentido de lhe revelar as tramas, e derribar-lhe o poder. É Aquele que Se tem oposto ao enganador e, no decorrer de todos os séculos, Se tem empenhado por arrebatar os cativos de seu poder, que julgará cada pessoa.
E Deus “deu-Lhe poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem”. Como Ele tenha provado as próprias fezes do cálice da aflição e tentação humanas, e compreenda as fragilidades e pecados dos homens; como tenha, em nosso favor, resistido vitoriosamente às tentações de Satanás, e lidará justa e ternamente com as pessoas para cuja salvação derramou o próprio sangue — o Filho do homem é indicado para exercer o juízo.
A missão de Cristo, porém, não era julgar, mas salvar. “Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele”. João 3:17. E perante o Sinédrio Jesus declarou: “Quem ouve a Minha Palavra, e crê nAquele que Me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida”. João 5:24.
Pedindo a Seus ouvintes que não se maravilhassem, Cristo desenrolou diante deles, em visão ainda mais ampla, o mistério do futuro: “Vem a hora”, disse, “em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação”. João 5:28, 29.
Essa certeza da vida futura era a que Israel há tanto aguardara, e esperava receber por ocasião do advento do Messias. Sobre eles estava a resplandecer a única luz que pode iluminar as sombras da sepultura. A obstinação, porém, é cega. Jesus violara as tradições dos judeus, e desprezara-lhes a autoridade, e eles não queriam crer.
O tempo, o local, a ocasião, a intensidade dos sentimentos que animavam a assembléia, tudo se combinou para tornar mais impressivas as palavras de Jesus perante o Sinédrio. As mais altas autoridades religiosas da nação estavam procurando tirar a vida Àquele que Se declarava o restaurador de Israel. O Senhor do sábado era citado perante um tribunal terrestre, para responder à acusação de quebrantar a lei sabática. Ao declarar Ele tão intrepidamente Sua missão, Seus juízes contemplaram-nO espantados e enfurecidos; Suas palavras, todavia, eram irrespondíveis. Não O podiam condenar. Recusava aos sacerdotes e rabis o direito de interrogar acerca de Sua obra, ou nela interferir. Não estavam revestidos dessa autoridade. Suas pretensões baseavam-se no próprio orgulho e arrogância. Ele Se recusava a reconhecer-Se culpado de suas acusações, ou ser catequizado por ele.
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White