Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 294
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 474-476
banidos para ilhas solitárias. Conforta-os com Sua presença. Quando por amor da verdade o crente comparece à barra de injustos tribunais, Cristo se encontra a seu lado. Toda injúria que cai sobre eles, cai sobre Cristo. Ele é condenado outra vez, na pessoa de Seus discípulos. Quando uma pessoa se acha entre as paredes de um cárcere, Cristo lhe arrebata o coração com Seu amor. Quando alguém sofre a morte por Sua causa, Ele diz: “Eu sou [...] o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. [...] E tenho as chaves da morte e do inferno”. Apocalipse 1:18. A vida que por Mim é sacrificada, conserva-se para a glória eterna.
Em todos os tempos e lugares, em todas as dores e aflições, quando a perspectiva se afigura sombria e cheio de perplexidade o futuro, e nos sentimos desamparados e sós, o Consolador será enviado em resposta à oração da fé. As circunstâncias podem-nos separar de todos os amigos terrestres; nenhuma, porém, nem mesmo a distância, nos pode separar do celeste Consolador. Onde quer que estejamos, aonde quer que vamos, Ele Se encontra sempre à nossa direita, para apoiar, suster, erguer e animar.
Os discípulos ainda deixaram de compreender as palavras de Cristo em seu sentido espiritual, e novamente Ele lhes explicou sua significação. Pelo Espírito, disse, manifestar-Se-ia a eles. “Aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, Esse vos ensinará todas as coisas”. João 14:26. Não mais haveis de dizer: Não posso compreender. Não mais vereis por um espelho, imperfeitamente. Sereis capazes “de compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento”. Efésios 3:18, 19.
Os discípulos deviam dar testemunho da vida e obra de Cristo. Por meio de suas palavras, Ele falaria a todo o povo na face da Terra. Mas na humilhação e morte de Cristo deviam eles sofrer grande prova e decepção. Para que, depois, Sua palavra pudesse ser exata, Jesus prometeu que o Consolador os faria “lembrar de tudo quanto vos tenho dito”.
“Ainda tenho muito que voz dizer”, continuou Ele, “mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele Me glorificará, porque há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar”. João 16:12-14. Jesus desvendara a Seus discípulos uma vasta porção da verdade. Mas era-lhes demasiado difícil manterem Suas lições, separadas das tradições e máximas dos escribas e fariseus. Tinham sido ensinados a receber os ensinos dos rabis como a própria voz de Deus, e isso ainda exercia domínio sobre seu espírito, moldando-lhes os sentimentos. Idéias terrenas, coisas temporais, ocupavam ainda amplo espaço em seus pensamentos. Não entendiam a natureza espiritual do reino de Cristo, embora Ele lho houvesse tantas vezes explicado. A mente se lhes tinha tornado
confusa. Não compreendiam o valor das Escrituras apresentadas por Cristo. Dir-se-iam perdidas muitas de Suas lições para eles. Jesus viu que não apreendiam o verdadeiro sentido de Suas palavras. Prometeu compassivamente que o Espírito Santo lhes havia de trazer essas palavras à memória. E deixara por dizer muitas coisas que os discípulos não compreendiam. A essas também o Espírito lhes abriria o entendimento, para que apreciassem as coisas celestiais. “Quando vier aquele Espírito de Verdade”, disse Jesus, “Ele vos guiará em toda a verdade”. João 16:13.
O Consolador é chamado “o Espírito de verdade”. Sua obra é definir e manter a verdade. Ele primeiro habita o coração como o Espírito de verdade, e torna-Se assim o Consolador. Há conforto e paz na verdade, mas nenhuma paz ou conforto real se pode achar na falsidade. É por meio de falsas teorias e tradições que Satanás adquire seu domínio sobre a mente. Encaminhando os homens para falsas normas, deforma o caráter. Por intermédio das Escrituras o Espírito Santo fala à mente, e grava a verdade no coração. Assim expõe o erro, expelindo-o da alma. É pelo Espírito de verdade, operando pela Palavra de Deus, que Cristo submete a Si Seu povo escolhido.
Descrevendo aos discípulos a obra oficial do Espírito Santo, Jesus procurou inspirar-lhes a alegria e esperança que Lhe animavam o próprio coração. Regozijava-Se Ele pelas abundantes medidas que providenciara para auxílio de Sua igreja. O Espírito Santo era o mais alto dos dons que Ele podia solicitar do Pai para exaltação de Seu povo. Ia ser dado como agente de regeneração, sem o qual o sacrifício de Cristo de nenhum proveito teria sido. O poder do mal se estivera fortalecendo por séculos, e alarmante era a submissão dos homens a esse cativeiro satânico. Ao pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa operação da terceira pessoa da Divindade, a qual viria, não com energia modificada, mas na plenitude do divino poder. É o Espírito que torna eficaz o que foi realizado pelo Redentor do mundo. É por meio do Espírito que o coração é purificado. Por Ele torna-se o crente participante da natureza divina. Cristo deu Seu Espírito como um poder divino para vencer toda tendência hereditária e cultivada para o mal, e gravar Seu próprio caráter em Sua igreja.
Disse Jesus a respeito do Espírito: “Ele Me glorificará.” O Salvador veio glorificar o Pai pela demonstração de Seu amor; assim o Espírito havia de glorificar a Cristo, revelando ao mundo a Sua graça. A própria imagem de Deus tem de ser reproduzida na humanidade. A honra de Deus, a honra de Cristo, acha-se envolvida no aperfeiçoamento do caráter de Seu povo.
“E quando Ele [o Espírito de verdade] vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo”. João 16:8. A pregação da Palavra não será de nenhum proveito sem a contínua presença e ajuda do Espírito Santo.
Este é o único Mestre eficaz da verdade divina. Unicamente quando a verdade chega ao coração acompanhada pelo Espírito, vivificará a consciência e transformará a vida. Uma pessoa pode ser capaz de apresentar a letra da Palavra de Deus, pode estar familiarizada com todos os seus mandamentos e promessas; mas a menos que o Espírito Santo impressione o coração com a verdade, alma alguma cairá sobre a Rocha e se despedaçará. A mais esmerada educação, as maiores vantagens, não podem tornar uma pessoa um veículo de luz sem a cooperação do Espírito de Deus. A semeadura da semente evangélica não terá êxito algum a menos que essa semente seja vivificada pelo orvalho do Céu. Antes de ser escrito um livro do Novo Testamento, antes de ser pregado qualquer sermão depois da ascensão de Cristo, o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos em oração. Então seus inimigos deram o testemunho: “Enchestes Jerusalém desta vossa doutrina”. Atos dos Apóstolos 5:28.
Cristo prometeu o dom do Espírito Santo a Sua igreja, e essa promessa nos pertence, da mesma maneira que aos primeiros discípulos. Mas, como todas as outras promessas, é dada sob condições. Muitos há que crêem e professam reclamar a promessa do Senhor; falam acerca de Cristo e acerca do Espírito Santo, e todavia não recebem benefício. Não entregam a vida para ser guiada e regida pelas forças divinas. Não podemos usar o Espírito Santo. Ele é que deve servir-Se de nós. Mediante o Espírito opera Deus em Seu povo “tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade”. Filipenses 2:13. Mas muitos não se submeterão a isto. Querem dirigir a si mesmos. É por isso que não recebem o celeste dom. Unicamente aos que esperam humildemente em Deus, que estão atentos à Sua guia e graça, é concedido o Espírito. O poder de Deus aguarda que O peçam e O recebam. Essa prometida bênção, reclamada pela fé, traz após si todas as outras bênçãos. É concedida segundo as riquezas da graça de Cristo, e Ele está pronto a suprir toda alma segundo sua capacidade para receber.
Em Seu discurso aos discípulos, Jesus não fez nenhuma triste alusão a Seus próprios sofrimentos e morte. Foi de paz Seu último legado a eles. Disse: “Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou: não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração nem se atemorize”. João 14:27.
Antes de deixar o cenáculo, o Salvador dirigiu os discípulos num hino de louvor. Sua voz se fez ouvir, não nos acentos de uma dolorosa lamentação, mas nas jubilosas notas da aleluia pascoal: “Louvai ao Senhor, todas as nações, louvai-O todos os povos. Porque a Sua benignidade é grande para conosco, e a verdade do Senhor é para sempre. Louvai ao Senhor”. Salmos 117.
Depois do hino, saíram. Atravessaram as ruas, saindo pela porta da cidade em direção do monte das Oliveiras. Lentamente caminhavam, preocupado cada um com seus próprios pensamentos. Ao começarem a descer para o monte, Jesus disse, num tom de profunda tristeza: “Todos vós esta noite vos escandalizareis em Mim; porque está escrito: Ferirei o
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White