Cristo O Caminho

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O Desejado de Todas as Nações, páginas 471-474

conduzi-los acima, a Deus, ali permanecendo. Quão fervorosa e perseverantemente buscava nosso compassivo Salvador preparar os discípulos para a tempestade de tentação que os sacudiria em breve! Queria tê-los escondido com Ele em Deus.

Enquanto Cristo proferia estas palavras, a glória de Deus Lhe irradiava do semblante, e todos os presentes experimentaram um sagrado respeito ao escutar, com enlevada atenção, as Suas palavras. Seu coração foi mais decididamente arrastado para Ele; e ao serem atraídos para Cristo em maior amor, foram atraídos uns para os outros. Sentiram que o Céu estava muito próximo, e que as palavras que escutavam era uma mensagem a eles enviada por seu Pai celestial.

“Na verdade, na verdade vos digo”, continuou Cristo, “que aquele que crê em Mim também fará as obras que Eu faço”. João 14:12. O Salvador estava profundamente ansioso por que Seus discípulos compreendessem para que fim Sua divindade estava unida à humanidade. Ele veio ao mundo para manifestar a glória de Deus, a fim de que o homem fosse erguido por Seu poder restaurador. Deus Se revelou nEle, para que Se pudesse manifestar neles. Jesus não revelou qualidades, nem exerceu poderes que os homens não possam possuir mediante a fé nEle. Sua perfeita humanidade é a que todos os Seus seguidores podem possuir, se forem sujeitos a Deus como Ele o foi.

“E as fará maiores do que estas; porque Eu vou para Meu Pai.” Por estas palavras Cristo não queria dizer que as obras dos discípulos seriam de um mais exaltado caráter que as Suas, mas que seriam de maior extensão. Ele não Se refere meramente à operação de milagres, mas a tudo quanto se realiza sob a operação do Espírito Santo.

Depois da ascensão do Senhor, os discípulos compreenderam o cumprimento de Sua promessa. As cenas da crucifixão, ressurreição e ascensão de Cristo foram para eles vivas realidades. Viram que as profecias se haviam cumprido literalmente. Examinaram as Escrituras, e aceitaram-lhes o ensino com fé e segurança anteriormente desconhecidas. Sabiam que o divino Mestre era tudo quanto afirmava ser. Ao contarem o que haviam experimentado, e exaltarem o amor de Deus, o coração dos homens abrandava-se e rendia-se, e multidões criam em Jesus.

A promessa do Salvador a Seus discípulos, é uma promessa a Sua igreja até ao fim dos séculos. Não era o desígnio de Deus que Seu maravilhoso plano para redimir os homens realizasse apenas insignificantes resultados. Todos quantos se puserem ao trabalho, não confiando no que eles próprios possam fazer, mas no que Deus por eles e por intermédio deles possa realizar, hão de certamente ver o cumprimento de Sua promessa. “E as fará maiores do que estas”, declara Ele, “porque Eu vou para Meu Pai.”

Até então os discípulos não estavam familiarizados com os ilimitados recursos e poder do Salvador. Disse-lhes Ele: “Até agora nada pedistes

em Meu nome”. João 16:24. Explicou que o segredo de seu êxito estaria em pedir forças e graça em Seu nome. Ele estaria diante do Pai para fazer a petição por eles. A prece do humilde suplicante, apresenta-a como Seu próprio desejo em favor daquela alma. Toda sincera oração é ouvida no Céu. Talvez não seja expressa fluentemente; mas se nela estiver o coração, ascenderá ao santuário em que Jesus ministra, e Ele a apresentará ao Pai sem uma palavra desalinhada, sem uma dificuldade de enunciação, bela e fragrante com o incenso de Sua própria perfeição.

O caminho da sinceridade e integridade não é isento de obstáculos, mas em cada dificuldade devemos ver um chamado à oração. Não existe nenhum vivente dotado de qualquer poder que não o haja recebido de Deus, e a fonte de onde ele vem está aberta ao mais fraco dos seres humanos. “Tudo quanto pedirdes em Meu nome”, disse Jesus, “Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei”. João 14:13, 14.

“Em Meu nome” ordenou Jesus aos discípulos que orassem. No nome de Cristo Seus seguidores devem subsistir diante de Deus. Graças ao valor do sacrifício feito por eles, são estimados aos olhos do Senhor. Em virtude da imputada justiça de Cristo, são reputados preciosos. Por amor de Cristo o Senhor perdoa aos que O temem. Não vê neles a vileza do pecador. Neles reconhece a semelhança de Seu Filho, em quem eles crêem.

O Senhor fica decepcionado quando Seu povo se estima como de pouco valor. Deseja que Sua escolhida herança se avalie segundo o preço que Ele lhe deu. Deus a queria, do contrário não enviaria Seu Filho em tão dispendiosa missão de a redimir. Tem para eles uma utilidade, e agrada-Se muito quando Lhe fazem os maiores pedidos, a fim de que Lhe glorifiquem o nome. Podem esperar grandes coisas, se têm fé em Suas promessas.

Mas orar em nome de Cristo significa muito. Quer dizer que havemos de aceitar-Lhe o caráter, manifestar-Lhe o espírito e fazer Suas obras. A promessa do Salvador é dada sob condição. “Se Me amardes”, diz, “guardareis os Meus mandamentos”. João 14:15. Ele salva os homens, não em pecado, mas do pecado; e os que O amam manifestarão seu amor pela obediência.

Toda a verdadeira obediência vem do coração. Deste procedia também a de Cristo. E se consentirmos, Ele por tal forma Se identificará com os nossos pensamentos e ideais, dirigirá nosso coração e espírito em tanta conformidade com o Seu querer, que, obedecendo-Lhe, não estaremos senão seguindo nossos próprios impulsos. A vontade, refinada, santificada, encontrará seu mais elevado deleite em fazer o Seu serviço. Quando conhecermos a Deus como nos é dado o privilégio de O conhecer, nossa vida será de contínua obediência. Mediante o apreço do caráter de Cristo, por meio da comunhão com Deus, o pecado se nos tornará aborrecível.

Como Cristo viveu a lei na humanidade, assim podemos fazer, se nos

apegarmos ao Forte em busca de força. Mas não devemos pôr a responsabilidade de nosso dever sobre outros, e esperar que eles nos digam o que fazer. Não podemos depender da humanidade quanto a conselhos. O Senhor nos ensinará nosso dever com tanta boa vontade como o faz a qualquer outro. Se a Ele nos achegarmos com fé, transmitir-nos-á pessoalmente os Seus mistérios. Nosso coração arderá muitas vezes dentro de nós ao aproximar-Se Alguém para comungar conosco como fez com Enoque. Os que decidem não fazer, em qualquer sentido, coisa alguma que desagrade a Deus, depois de Lhe apresentarem seu caso saberão a orientação que hão de tomar. E não receberão unicamente sabedoria, mas força. Ser-lhes-á comunicado poder para a obediência e para o serviço, assim como Cristo prometeu. Tudo quanto foi dado a Cristo — “todas as coisas” para suprir as necessidades dos homens caídos — foi-Lhe dado como Cabeça e Representante da humanidade. E “qualquer coisa que Lhe pedirmos, dEle a receberemos; porque guardamos os Seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à Sua vista”. 1 João 3:22.

Antes de Se oferecer como a vítima sacrifical, Cristo buscou o mais essencial e completo dom para outorgar a Seus seguidores, um dom que lhes poria ao alcance os ilimitados recursos da graça. “Eu rogarei ao Pai”, disse, “e Ele vos dará outro Consolador para que fique convosco para sempre; o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece; mas vós O conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós”. João 14:16-18.

Antes disso, o Espírito havia estado no mundo; desde o próprio início da obra de redenção Ele estivera atuando no coração dos homens. Mas enquanto Cristo estava na Terra, os discípulos não tinham desejado nenhum outro auxiliador. Não seria senão depois que fossem privados de Sua presença, que experimentariam a necessidade do Espírito, e então Ele havia de vir.

O Espírito Santo é o representante de Cristo, mas despojado da personalidade humana, e dela independente. Limitado pela humanidade, Cristo não poderia estar em toda parte em pessoa. Era, portanto, do interesse deles que fosse para o Pai, e enviasse o Espírito como Seu sucessor na Terra. Ninguém poderia ter então vantagem devido a sua situação ou seu contato pessoal com Cristo. Pelo Espírito, o Salvador seria acessível a todos. Nesse sentido, estaria mais perto deles do que se não subisse ao alto.

“Aquele que Me ama será amado de Meu Pai, e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele”. João 14:21. Jesus lia o futuro de Seus discípulos. Via um ser levado ao cadafalso, outro à cruz, um terceiro exilado entre os solitários rochedos do mar, outros ainda perseguidos e mortos. Animou-os com a promessa de que, em toda provação estaria com eles. Aquela promessa não perdeu nada de sua força. O Senhor conhece tudo a respeito de Seus fiéis servos que, por amor dEle, jazem numa prisão, ou são

banidos para ilhas solitárias. Conforta-os com Sua presença. Quando por amor da verdade o crente comparece à barra de injustos tribunais, Cristo se encontra a seu lado. Toda injúria que cai sobre eles, cai sobre Cristo. Ele é condenado outra vez, na pessoa de Seus discípulos. Quando uma pessoa se acha entre as paredes de um cárcere, Cristo lhe arrebata o coração com Seu amor. Quando alguém sofre a morte por Sua causa, Ele diz: “Eu sou [...] o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. [...] E tenho as chaves da morte e do inferno”. Apocalipse 1:18. A vida que por Mim é sacrificada, conserva-se para a glória eterna.

Em todos os tempos e lugares, em todas as dores e aflições, quando a perspectiva se afigura sombria e cheio de perplexidade o futuro, e nos sentimos desamparados e sós, o Consolador será enviado em resposta à oração da fé. As circunstâncias podem-nos separar de todos os amigos terrestres; nenhuma, porém, nem mesmo a distância, nos pode separar do celeste Consolador. Onde quer que estejamos, aonde quer que vamos, Ele Se encontra sempre à nossa direita, para apoiar, suster, erguer e animar.

Os discípulos ainda deixaram de compreender as palavras de Cristo em seu sentido espiritual, e novamente Ele lhes explicou sua significação. Pelo Espírito, disse, manifestar-Se-ia a eles. “Aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu nome, Esse vos ensinará todas as coisas”. João 14:26. Não mais haveis de dizer: Não posso compreender. Não mais vereis por um espelho, imperfeitamente. Sereis capazes “de compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento”. Efésios 3:18, 19.

Os discípulos deviam dar testemunho da vida e obra de Cristo. Por meio de suas palavras, Ele falaria a todo o povo na face da Terra. Mas na humilhação e morte de Cristo deviam eles sofrer grande prova e decepção. Para que, depois, Sua palavra pudesse ser exata, Jesus prometeu que o Consolador os faria “lembrar de tudo quanto vos tenho dito”.

“Ainda tenho muito que voz dizer”, continuou Ele, “mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele Me glorificará, porque há de receber do que é Meu, e vo-lo há de anunciar”. João 16:12-14. Jesus desvendara a Seus discípulos uma vasta porção da verdade. Mas era-lhes demasiado difícil manterem Suas lições, separadas das tradições e máximas dos escribas e fariseus. Tinham sido ensinados a receber os ensinos dos rabis como a própria voz de Deus, e isso ainda exercia domínio sobre seu espírito, moldando-lhes os sentimentos. Idéias terrenas, coisas temporais, ocupavam ainda amplo espaço em seus pensamentos. Não entendiam a natureza espiritual do reino de Cristo, embora Ele lho houvesse tantas vezes explicado. A mente se lhes tinha tornado

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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