Cristo O Caminho

Plano Encontro 1 Dia 265

Dia 265 ▾
Aa
Tamanho Fonte Tema

Leitura do livro

O Desejado de Todas as Nações, páginas 426-428

que nos circundam, é reconhecer em todos eles a presença e o poder divinos. Os homens necessitam reconhecer a Deus como Criador do Universo. Alguém que tudo ordena e executa tudo. Necessitam de mais larga visão de Seu caráter, e do mistério de Seus agentes.

Cristo declarou a Seus ouvintes que, se não houvesse ressurreição de mortos, as Escrituras em que professavam crer de nenhum proveito seriam. Disse: “E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos”. Mateus 22:31, 32. Deus considera as coisas que não são como se fossem. Vê o fim desde o começo, e contempla o resultado de Sua obra como se ela já estivesse acabada. Os preciosos mortos, desde Adão aos últimos santos que morrerem, hão de ouvir a voz do Filho de Deus, e sairão dos sepulcros para a vida imortal. Deus será o seu Deus, e eles serão o Seu povo. Haverá íntima e terna relação entre Deus e os santos ressuscitados. Essa condição, antecipada em Seu desígnio, contempla como se já existisse. Os mortos vivem para Ele.

Os saduceus foram reduzidos ao silêncio pelas palavras de Cristo. Não Lhe podiam responder. Nem uma palavra fora proferida de que se pudessem aproveitar no mínimo que fosse para Sua condenação. Seus adversários não haviam conseguido nada senão o desprezo do povo.

Os fariseus, entretanto, não desistiram de O forçar a dizer qualquer coisa que pudessem empregar contra Ele. Influenciaram certo escriba instruído para perguntar a Jesus qual dos dez mandamentos da lei era de maior importância.

Haviam os fariseus exaltado os primeiros quatro preceitos, que indicam o dever do homem para com o Criador, como sendo de muito mais conseqüências que os outros seis, que definem o dever do homem para com seus semelhantes. Em resultado, falharam grandemente em matéria de piedade prática. Jesus mostrara ao povo sua grande deficiência e ensinara a necessidade de boas obras, declarando que a árvore se conhece por seus frutos. Por esse motivo fora acusado de exaltar os últimos seis mandamentos acima dos quatro primeiros.

O doutor da lei aproximou-se de Jesus com uma pergunta franca: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” A resposta de Cristo é positiva e vigorosa: “O primeiro de todos os mandamentos, é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás pois ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: este é o primeiro mandamento.” O segundo é semelhante ao primeiro, disse Cristo; pois emana dele: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” “Desses dois mandamentos depende toda a lei e os profetas”. Marcos 12;28-30.

Os primeiros quatro dos dez mandamentos resumem-se num grande preceito: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração.” Os últimos seis estão incluídos no outro: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Mateus 12:31. Ambos estes mandamentos são uma expressão do princípio do amor. Não se pode guardar o primeiro e violar o segundo, nem se pode observar o segundo enquanto se transgride o primeiro. Quando Deus ocupa o lugar que Lhe é devido no trono do coração, será dado ao próximo o lugar que lhe pertence. Amá-lo-emos como a nós mesmos. E só quando amamos a Deus de maneira suprema, é possível amar o nosso semelhante com imparcialidade.

E uma vez que todos os mandamentos se resumem no amor a Deus e ao homem, segue-se que nenhum preceito pode ser violado sem se transgredir este princípio. Assim ensinou Cristo a Seus ouvintes que a lei divina não se constitui de muitos preceitos separados, alguns dos quais são de grande importância ao passo que outros são menos importantes, podendo ser impunemente passados por alto. Nosso Senhor apresenta os primeiros quatro e os últimos seis mandamentos como um todo divino, e ensina que o amor a Deus se revelará pela obediência a todos os Seus mandamentos.

O escriba que interrogara Jesus era bem versado na lei, e admirou-se de Suas palavras. Não esperava que Ele manifestasse tão profundo e completo conhecimento das Escrituras. Obtivera uma visão mais ampla dos princípios básicos dos sagrados preceitos. Em presença dos sacerdotes e principais congregados, reconheceu sinceramente haver Cristo dado à lei a justa interpretação, dizendo:

“Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dEle; e que amá-Lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios”. Marcos 12:32, 33.

A sabedoria da resposta de Cristo convencera o escriba. Sabia consistir a religião judaica mais em cerimônias exteriores que em piedade interior. Sentia de certo modo a inutilidade de ofertas meramente cerimoniais e do derramamento de sangue para expiação do pecado, quando destituído de fé. Amor e obediência para com Deus, e desinteressada consideração para com o homem, pareciam-lhe de mais valor que todos esses ritos. A prontidão desse homem para reconhecer a exatidão do raciocínio de Cristo, e sua decidida e imediata resposta perante o povo, manifestavam um espírito inteiramente diferente do dos sacerdotes e príncipes. O coração de Jesus moveu-se de piedade para com o sincero escriba que ousara enfrentar os sobrecenhos dos sacerdotes e as ameaças dos príncipes, para declarar as convicções de seu coração. “E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus”. Marcos 12:34.

O escriba estava próximo do reino de Deus, porque reconhecia que atos de justiça Lhe são mais aceitáveis do que holocaustos e sacrifícios. Mas devia reconhecer o divino caráter de Cristo e, mediante a fé nEle, receber o poder para realizar as obras de justiça. O serviço ritual não era de nenhum valor, a menos que fosse ligado a Cristo por uma fé viva. Mesmo a lei moral falha em seu desígnio, a menos que seja entendida em sua relação para com o Salvador. Cristo mostrara repetidamente que a lei de Seu Pai encerrava alguma coisa mais profunda que simples dogmáticos mandamentos. Acha-se encarnado na lei o mesmo princípio revelado no evangelho. A lei indica o dever do homem e mostra-lhe sua culpa. A Cristo deve ele olhar, em busca de perdão e poder para cumprir o que a lei ordena.

Os fariseus haviam-se reunido mais próximo de Jesus, ao responder à indagação do escriba. Voltando-Se então, dirigiu-lhes Ele uma pergunta: “Que pensais vós de Cristo? De quem é Filho?” Essa interrogação destinava-se a provar sua crença no Messias — mostrar se O consideravam simplesmente um homem ou Filho de Deus. Um coro de vozes respondeu: “De Davi”. Mateus 22:42. Era esse o título que a profecia dera ao Messias. Ao revelar Jesus Sua divindade mediante os poderosos milagres que operava, curando os doentes e ressuscitando os mortos, o povo indagava entre si: “Não é este o Filho de Davi?” A mulher siro-fenícia, o cego Bartimeu e muitos outros a Ele haviam clamado por socorro: “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” Mateus 15:22. Quando cavalgava para entrar em Jerusalém, fora saudado com a jubilosa aclamação: “Hosana ao Filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor”. Mateus 21:9. E as criancinhas, no templo, fizeram ecoar naquele dia o alegre tributo. Mas muitos dos que chamavam Jesus Filho de Davi não reconheciam Sua divindade. Não compreendiam que o Filho de Davi era também o Filho de Deus.

Em resposta à declaração de que Cristo era o Filho de Davi, disse Jesus: “Como é então que Davi, em Espírito [o Espírito de inspiração de Deus] Lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-Te à Minha direita, até que Eu ponha os Teus inimigos por escabelo de Teus pés? Se Davi pois Lhe chama Senhor, como é seu filho? E ninguém podia responder-Lhe uma palavra: nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-Lo”. Mateus 22:43-46.

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

Abrir em sua própria página