Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 244
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 393-395
seu amor sobre o Salvador enquanto Ele tinha conhecimento da dedicação dela, estava-O preparando para Seu sepultamento. E, ao baixar à treva de Sua grande prova, levou consigo a lembrança desse ato, penhor do amor que Seus remidos Lhe votariam para sempre.
Muitos há que levam aos mortos preciosos dons. De pé, ao lado da querida figura para sempre silenciosa, proferem abundantes palavras de amor. Ternura, apreço, dedicação, tudo é prodigalizado àquele que já não vê nem ouve. Houvessem essas palavras sido ditas quando o fatigado espírito tanto delas necessitava; quando o ouvido as apreenderia e o coração as podia sentir, quão precioso teria sido o seu perfume!
Maria não sabia toda a significação de seu ato de amor. Não podia responder a seus acusadores. Não saberia explicar por que escolhera aquela ocasião para ungir a Jesus. O Espírito Santo planejara por ela, e ela Lhe obedecera às sugestões. A inspiração não se detém para dar o motivo. Presença invisível, fala ela à mente e à alma, e move o coração para agir. Ela é sua própria justificação.
Cristo explicou a Maria o significado de seu ato, e com isso deu mais do que recebera. “Ora, derramando este perfume sobre o Meu corpo”, disse Ele, “ela o fez para o Meu sepultamento”. Mateus 26:12. Como o vaso de alabastro foi quebrado, e encheu toda a casa com sua fragrância, assim Cristo havia de morrer e Seu corpo ser quebrantado; mas Ele Se ergueria da tumba, e o perfume de Sua vida havia de encher a Terra. “Cristo nos amou, e Se entregou a Si mesmo por nós, em oferta de sacrifício a Deus, em cheiro suave”. Efésios 5:2.
“Em verdade vos digo”, declarou Cristo, “que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória”. Marcos 14:9. Contemplando o futuro, o Salvador falou com segurança a respeito de Seu evangelho. Ele devia ser pregado por todo o mundo. E onde quer que se estendesse o evangelho, a oferenda de Maria havia de espargir sua fragrância, e por sua ação espontânea seriam abençoados outros corações. Erguer-se-iam e cairiam impérios; seriam esquecidos nomes de reis e conquistadores; mas o feito dessa mulher seria imortalizado nas páginas da História Sagrada. Enquanto o tempo durasse, aquele partido vaso de alabastro contaria a história do abundante amor de Deus a uma raça caída.
O ato de Maria achava-se em assinalado contraste com o que Judas estava para praticar. Que incisiva lição poderia ter Cristo dado àquele que lançara a semente da crítica e do mau juízo na mente dos discípulos! Com quanta justiça poderia o acusador haver sido acusado! Aquele que lê os motivos de cada alma, e entende toda ação, poderia haver aberto, aos olhos dos convivas da festa, sombrios capítulos da vida de Judas. Poderia ter sido patenteada a vã pretensão em que o traidor baseava suas palavras; pois, em vez de compadecer-se dos pobres, roubava-os do
dinheiro que se destinava a socorrê-los. Poderia haver sido despertada indignação contra ele por sua opressão à viúva, ao órfão e ao jornaleiro. Houvesse, porém, Jesus desmascarado Judas, isso teria sido apresentado como causa da traição. E, se bem que acusado de ladrão, Judas teria captado simpatia, mesmo entre os discípulos. O Salvador não o repreendeu, e evitou assim dar-lhe desculpa para a traição.
O olhar que Jesus lhe lançou, no entanto, convenceu a Judas de que o Salvador lhe penetrara a hipocrisia, e lera seu baixo, desprezível caráter. E louvando Maria, tão severamente reprovada, Cristo repreendera a Judas. Antes disso, o Salvador nunca lhe fizera uma censura direta. Agora, a reprimenda irritou-lhe o coração. Decidiu vingar-se. Da ceia, saiu diretamente para o palácio do sumo sacerdote, onde encontrou reunido o conselho, e ofereceu-se para lhes entregar Jesus nas mãos.
Os sacerdotes se regozijaram. A esses guias de Israel fora concedido o privilégio de receber a Jesus como Salvador, sem dinheiro e sem preço. Mas recusaram o precioso dom a eles oferecido no mais terno espírito de constrangedora afeição. Recusaram aceitar aquela salvação que é mais valiosa do que o ouro, e compraram seu Senhor por trinta moedas de prata.
Judas condescendera com a avareza até que ela lhe dominara todos os bons traços de caráter. Invejou a dádiva feita a Jesus. Seu coração queimou de inveja de que o Salvador fosse objeto de uma oferenda digna dos reis da Terra. Por uma quantia muito inferior a do vaso de ungüento, traiu a seu Senhor.
Os discípulos não eram como Judas. Amavam o Salvador. Não Lhe apreciavam, entretanto, o elevado caráter. Houvessem compreendido o que fizera por eles, e teriam sentido que coisa alguma que Lhe fosse oferecida era desperdiçada. Os magos do Oriente, que tão pouco sabiam a respeito de Jesus, haviam mostrado mais verdadeiro apreço da honra que Lhe era devida. Levaram preciosas dádivas ao Salvador, e diante dEle se inclinaram em homenagem, quando era ainda um simples Bebê deitado na manjedoura.
Cristo dá valor aos atos de sincera cortesia. Quando qualquer Lhe prestava um favor, com celestial delicadeza Ele o abençoava. Não recusava a mais singela flor arrancada pela mão de uma criança e a Ele oferecida com amor. Aceitava as ofertas dos pequeninos, e abençoava os doadores inscrevendo-lhes o nome no livro da vida. A unção feita por Maria acha-se nas Escrituras, mencionada como distintivo das outras Marias. Atos de amor e reverência para com Jesus são uma demonstração de fé nEle como Filho de Deus. E o Espírito Santo menciona como testemunho de lealdade para com Cristo: “Se lavou os pés aos santos, se socorreu os aflitos, se praticou toda boa obra”. 1 Timóteo 5:10.
Cristo Se deleitava no sincero desejo de Maria de fazer a vontade de Seu Senhor. Aceitava a riqueza do puro afeto que Seus discípulos não
compreendiam, não queriam compreender. O desejo que Maria tinha de prestar esse serviço a seu Senhor era para Ele de mais valor que todos os preciosos ungüentos da Terra, pois exprimia seu apreço pelo Redentor do mundo. Era o amor de Cristo que a constrangia. Enchia-lhe a alma a incomparável excelência do caráter de Cristo. Aquele ungüento era símbolo do coração da doadora. Era demonstração exterior de um amor nutrido por correntes celestiais e que chegara a ponto de extravasamento.
A obra de Maria era exatamente a lição que os discípulos necessitavam, para mostrar-lhes que seriam aprazíveis a Cristo as expressões de amor por parte deles. Jesus fora-lhes tudo e não percebiam que em breve seriam privados de Sua presença, que dentro em pouco não lhes seria dado oferecer-Lhe nenhum sinal de reconhecimento por Seu grande amor. A solidão de Cristo, separado das cortes celestiais, vivendo a vida da humanidade, nunca a compreenderam nem apreciaram devidamente os discípulos. Foi muitas vezes magoado, porque não Lhe dispensavam aquilo que deles deveria ter recebido. Sabia que, estivessem sob a influência dos anjos celestiais que O acompanhavam, também haviam de considerar que nenhuma dádiva era de suficiente valor para exprimir o espiritual afeto do coração.
Seu conhecimento posterior deu-lhes o verdadeiro sentimento quanto às muitas coisas que poderiam ter feito para Jesus, exprimindo o amor e o reconhecimento de seu coração, enquanto Lhe estavam ao lado. Quando não mais Jesus Se achava entre eles, e se sentiam na verdade como ovelhas sem pastor, começavam a ver como poderiam ter manifestado para com Ele atenções que Lhe teriam alegrado o coração. Não mais então censuraram a Maria, mas a si mesmos. Oh! se lhes fosse dado retirar sua crítica, e apresentarem os pobres como mais dignos da oferenda do que Jesus! Sentiram vivamente a reprovação, ao tirarem da cruz o ferido corpo de seu Senhor.
A mesma falta se manifesta hoje, em nosso mundo. Poucos somente apreciam o que Cristo é para eles. Fizessem-no, no entanto, e o grande amor de Maria seria expressado, a unção liberalmente feita. Não seria considerado desperdício o custoso ungüento. Coisa alguma se consideraria demasiado preciosa para Cristo, nenhuma abnegação nem sacrifício grande demais para ser suportado por amor dEle.
As palavras proferidas em indignação: “Por que é este desperdício?” (Mateus 26:8) recordaram vividamente a Cristo o maior sacrifício já feito — o dom de Si mesmo como propiciação por um mundo perdido. O Senhor seria tão generoso para com a família humana, que não se poderia dizer que Lhe era possível fazer mais. No dom de Jesus, Deus deu todo o Céu. Sob o ponto de vista humano, esse sacrifício era um espantoso desperdício. Para o raciocínio humano todo o plano de salvação é um desperdício de misericórdias e recursos. Encontramos por toda parte abnegação e
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White