Cristo O Caminho

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O Desejado de Todas as Nações, páginas 248-249

seria a sua ruína — daqueles que Ele comprara com o próprio sangue. Trabalhava para que o homem fosse leal para consigo mesmo, leal para com seus mais altos e eternos interesses. Os servos de Cristo são chamados a realizar a mesma obra, e devem estar apercebidos para que, buscando evitar desarmonia, não transijam contra a verdade. Devem seguir “as coisas que servem para a paz” (Romanos 14:19); mas a verdadeira paz jamais será obtida com transigência de princípios. E ninguém pode ser fiel aos princípios sem despertar oposição. Um cristianismo espiritual sofrerá oposição da parte dos filhos da desobediência. Mas Jesus recomendou aos discípulos: “Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma.” Os que são fiéis a Deus não têm a temer o poder dos homens nem a inimizade de Satanás. Em Cristo lhes está garantida a vida eterna. Seu único temor deve ser atraiçoar a verdade, traindo assim a confiança com que Deus os honrou.

É obra de Satanás encher o coração dos homens de dúvida. Leva-os a considerar a Deus um severo Juiz. Tenta-os a pecar, e depois a julgar-se demasiado vis para se aproximarem de seu Pai Celestial ou inspirar-Lhe piedade. O Senhor compreende tudo isso. Jesus garante a Seus discípulos a simpatia de Deus para com eles em suas necessidades e fraquezas. Nenhum suspiro se desprende, nenhuma dor é sentida, desgosto algum magoa a alma, sem que sua vibração se faça sentir no coração do Pai.

A Bíblia apresenta-nos Deus em Seu alto e santo lugar, não em estado de inatividade, não em silêncio e isolamento, mas rodeado de milhares de milhares e milhões de milhões de seres santos, todos à espera para Lhe cumprir a vontade. Por meios que não nos é dado discernir, acha-Se Ele em ativa comunicação com todas as partes de Seu domínio. É, porém, neste mundo minúsculo, nas almas para cuja salvação deu Seu Filho unigênito, que se centraliza o Seu interesse, bem como o de todo o Céu. Deus Se inclina de Seu trono para escutar o clamor do oprimido. A toda sincera súplica, responde: “Eis-Me aqui.” Ergue o aflito e o oprimido. Em todas as nossas aflições, é Ele afligido também. Em toda tentação e em toda prova, o anjo de Sua face perto está para livrar.

Nem mesmo um passarinho cai por terra sem o conhecimento do Pai. O ódio de Satanás contra Deus o leva a odiar todo objeto de amor do Salvador. Busca manchar a obra de Deus, e deleita-se em destruir até as mudas criaturas. É unicamente mediante o protetor cuidado de Deus que os pássaros são conservados para alegrar-nos com seus cânticos de júbilo. Ele não os esquece, nem aos menores passarinhos. “Não temais pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.”

Jesus continua: Se Me confessardes diante dos homens, Eu vos confessarei diante de Deus e dos santos anjos. Tendes de Me servir de testemunhas na Terra, condutos por onde Minha graça possa fluir para cura do mundo. Assim, serei vosso representante no Céu. O Pai não vê vosso

caráter defeituoso, mas vos olha revestidos de Minha perfeição. Sou o meio pelo qual as bênçãos do Céu descerão a vós. E todo aquele que Me confessa, partilhando Meu sacrifício pelos perdidos, será confessado como participante na glória e alegria dos salvos.

O que confessar a Cristo, tem de O possuir em si. Não pode comunicar aquilo que não recebeu. Os discípulos poderiam discorrer fluentemente acerca de doutrinas, poderiam repetir as palavras do próprio Cristo; mas a menos que possuíssem mansidão e amor cristãos, não O estariam confessando. Um espírito contrário ao de Cristo, negá-Lo-ia, fosse qual fosse a profissão de fé. Os homens podem negar a Cristo pela maledicência, por conversas destituídas de senso, por palavras inverídicas ou descorteses. Podem negá-Lo esquivando-se às responsabilidades da vida, pela busca dos prazeres pecaminosos. Podem negá-Lo conformando-se com o mundo, por uma conduta indelicada, pelo amor das próprias opiniões, pela justificação própria, por nutrir dúvidas, por ansiedades desnecessárias, e por deixar-se estar em sombras. Por todas essas coisas declaram não ter consigo a Cristo. E “qualquer que Me negar diante dos homens”, diz Ele, “Eu o negarei também diante de Meu Pai, que está nos Céus”.

O Salvador declarou a Seus discípulos que não esperassem que a inimizade do mundo para com o evangelho fosse vencida, e sua oposição deixasse de existir depois de algum tempo. Disse: “Não vim trazer paz, mas espada.” Esse suscitar de conflitos não é efeito do evangelho, mas o resultado da oposição que lhe é movida. De todas as perseguições a mais dura de sofrer é a discórdia no lar, o afastamento dos mais queridos entes da Terra. Mas Jesus declara: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim não é digno de Mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após Mim, não é digno de Mim.”

A missão dos servos de Cristo é uma elevada honra, um sagrado depósito. “Quem vos recebe”, diz Ele, “a Mim Me recebe; e quem Me recebe a Mim, recebe Aquele que Me enviou.” Nenhum ato de bondade para com eles deixa de ser reconhecido e galardoado. E no mesmo reconhecimento inclui Ele os mais fracos e humildes da família de Deus: “E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos” — os que são quais crianças na fé e no conhecimento de Cristo — “em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.”

Assim terminou o Salvador Suas instruções. Em nome de Cristo, saíram os doze escolhidos, como Ele mesmo fizera, a “evangelizar os pobres,... a curar os quebrantados de coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos; a anunciar o ano aceitável ao Senhor”. Lucas 4:18, 19.

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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