Cristo O Caminho

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O Desejado de Todas as Nações, páginas 245-247

a carne e o sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, “contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”. Efésios 6:12. Têm de contender contra forças sobrenaturais, mas é-lhes assegurado sobrenatural auxílio. Todos os espíritos celestes se acham nesse exército. E mais que anjos estão nas fileiras. O Espírito Santo, o representante do Capitão do exército do Senhor, desce para dirigir a batalha. Muitas podem ser nossas fraquezas, pecados e erros graves; mas a graça de Deus é para todos quantos a buscam em contrição. O poder da Onipotência acha-se empenhado em favor dos que confiam em Deus.

“Eis”, disse Jesus, “que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.” Cristo mesmo nunca suprimiu uma palavra da verdade, mas sempre a proferiu com amor. Exercia o máximo tato e cuidadosa, benévola atenção em Seu trato com o povo. Nunca foi rude, nunca proferiu desnecessariamente uma palavra severa, não ocasionou nunca sem motivo uma dor a uma alma sensível. Não censurava a fraqueza humana. Denunciava sem temor a hipocrisia, a incredulidade e a iniqüidade, mas tinha lágrimas na voz quando emitia Suas esmagadoras repreensões. Chorou sobre Jerusalém, a cidade amada, que O recusava receber a Ele, o Caminho, a Verdade e a Vida. Rejeitaram-nO a Ele, o Salvador, mas olhava-os com piedosa ternura, e com tão profunda dor, que Lhe partiu o coração. Toda alma era preciosa aos Seus olhos. Conquanto Se portasse sempre com divina dignidade, inclinava-Se com a mais terna consideração para todo membro da família de Deus. Via em todos os homens almas caídas que era Sua missão salvar.

Os servos de Cristo não devem agir segundo os naturais ditames do coração. Precisam de íntima comunhão com Deus a fim de que, sob provocação, o próprio eu não sobressaia, e despejem uma torrente de palavras inconvenientes, palavras que não são como o orvalho ou como a chuva suave que refrigera as ressequidas plantas. É isto que Satanás quer que façam, pois são esses os seus métodos. É o dragão que está irado; é o espírito de Satanás que se revela em zanga e acusação. Mas aos servos de Deus cumpre ser Seus representantes. Ele quer que usem apenas a moeda corrente no Céu, a verdade que Lhe apresenta a imagem e inscrição. O poder com que têm de vencer o mal, é o poder de Cristo. A glória dEle, a sua força. Devem fixar os olhos em Sua beleza de caráter. Podem então apresentar o evangelho com divino tato e suavidade. E o espírito que se conserva manso em face da provocação, dirá mais em favor da verdade, do que o fará qualquer argumento, por mais vigoroso que seja.

Os que são lançados em conflito com os inimigos da verdade, têm de enfrentar, não somente homens, mas Satanás e seus instrumentos. Lembrem-se eles das palavras do Salvador. “Eis que vos envio como ovelhas ao meio

de lobos”. Lucas 10:3. Descansem no amor de Deus, e o espírito permanecerá calmo, mesmo quando pessoalmente maltratados. O Senhor os revestirá de divina armadura. Seu santo Espírito há de influenciar a mente e o coração, de modo que a voz não se lhes assemelhe ao uivo dos lobos.

Continuando as instruções aos discípulos, Jesus disse: “Acautelai-vos, porém, dos homens.” Não deviam pôr implícita confiança naqueles que não conheciam a Deus, revelando-lhes seus desígnios; pois isso daria vantagem aos instrumentos de Satanás. As invenções humanas fazem muitas vezes malograr os planos de Deus. Os que constroem o templo do Senhor, devem fazê-lo em harmonia com o modelo mostrado no monte — a semelhança divina. Deus é desonrado e o evangelho traído, quando Seus servos confiam no conselho de homens que não se acham sob a direção do Espírito Santo. A sabedoria mundana é loucura diante de Deus. Os que nela se apoiarem, hão de com certeza errar.

“Eles vos entregarão aos Sinédrios,... e sereis até conduzidos à presença dos governadores e dos reis por causa de Mim, para lhes servir de testemunho a eles e aos gentios.” A perseguição difundirá a luz. Os servos de Cristo serão conduzidos perante os grandes do mundo, os quais, a não ser assim, talvez nunca ouvissem o evangelho. A verdade tem sido desfigurada diante desses homens. Têm ouvido falsas acusações a respeito da fé dos discípulos de Cristo. Muitas vezes, a única maneira em que podem chegar ao conhecimento de seu verdadeiro caráter, é o testemunho dos que são levados a julgamento por causa de sua fé. Sob interrogatório, é-lhes exigido responder, e seus juízes têm de escutar o testemunho apresentado. A graça de Deus será concedida a Seus servos, para que possam fazer face à emergência. “Naquela mesma hora”, disse Jesus, “vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós.” Ao iluminar o Espírito de Deus a mente de Seus servos, a verdade será apresentada em seu divino poder e preciosidade. Os que rejeitam a verdade se erguerão para acusar e oprimir os discípulos. Mas em presença de preconceito e sofrimento, e mesmo da morte, cumpre aos filhos do Senhor revelar a mansidão de seu divino Exemplo. Assim se verá o contraste entre os instrumentos de Satanás e os representantes de Cristo. O Salvador será erguido perante os governadores e o povo.

Os discípulos não foram revestidos da coragem e fortaleza dos mártires, senão quando essa graça se tornou necessária. Então se cumpriu a promessa do Salvador. Quando Pedro e João testificaram perante o conselho do Sinédrio, os homens “se maravilharam; e tinham conhecimento que eles haviam estado com Jesus”. Atos dos Apóstolos 4:13. Acerca de Estêvão, acha-se escrito que “todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo”. Os homens “não podiam resistir à sabedoria, e ao espírito com que falava”. Atos dos Apóstolos 6:15, 10.

E Paulo, escrevendo a respeito de seu próprio julgamento na corte dos Césares, diz: “Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. [...] Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão”. 2 Timóteo 4:16, 17.

Os servos de Cristo não deviam preparar determinado discurso para apresentar, quando levados a juízo. Sua preparação devia ser feita dia a dia, entesourando as preciosas verdades da Palavra de Deus, e robustecendo a própria fé mediante a oração. Quando levados a julgamento, o Espírito Santo lhes traria à memória as próprias verdades que fossem necessárias.

Um diário e sincero esforço para conhecer a Deus, e Jesus Cristo, a quem Ele enviou, traria poder e eficiência à alma. O conhecimento obtido por meio de diligente exame das Escrituras, seria trazido, qual relâmpago, a iluminar a memória no momento oportuno. Mas se alguém houvesse negligenciado relacionar-se com as palavras de Cristo, se nunca houvesse experimentado o poder da graça na provação, não poderia esperar que o Espírito Santo lhe trouxesse à lembrança as Suas palavras. Deviam servir diariamente a Deus com não dividida afeição, e então confiar nEle.

Tão amarga era a inimizade contra o evangelho, que mesmo os mais ternos laços terrestres seriam desconsiderados. Os discípulos de Cristo seriam entregues à morte pelos membros da própria família. “E odiados de todos sereis por causa do Meu nome”, acrescentou Ele; “mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”. Marcos 13:13. Advertiu-os, porém, a que não se expusessem desnecessariamente à perseguição. Ele próprio deixou muitas vezes um campo de labor em busca de outro, a fim de escapar dos que Lhe procuravam a vida. Quando rejeitado em Nazaré, e Seus próprios concidadãos tentavam matá-Lo, Ele desceu a Cafarnaum, e aí o povo se admirou de Seus ensinos; “porque a Sua palavra era com autoridade”. Lucas 4:32. Assim, Seus servos não se deveriam desanimar diante da perseguição, mas procurar um lugar onde pudessem trabalhar ainda pela salvação das pessoas.

O servo não é mais que seu senhor. O Príncipe do Céu foi chamado Belzebu, e Seus discípulos serão da mesma maneira apresentados sob um falso aspecto. Seja qual for o perigo, porém, os seguidores de Cristo devem confessar seus princípios. Devem desdenhar a dissimulação. Não podem permanecer sem se expor até se certificarem de estar a salvo ao confessar a verdade. São colocados como atalaias, para advertir os homens contra o perigo em que estão. A verdade recebida de Cristo deve ser comunicada franca e abertamente a todos. Jesus disse: “O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutais ao ouvido pregai-o sobre os telhados.”

O próprio Jesus jamais comprou a paz mediante transigências. O coração transbordava-Lhe de amor por toda a raça humana, mas nunca era condescendente para com seus pecados. Era muito amigo deles para permanecer em silêncio, enquanto prosseguiam numa direção que

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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