Cristo O Caminho

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Leitura do livro

O Desejado de Todas as Nações, páginas 202-203

até que Satanás tomou inteiro domínio sobre o homem. Judas tornou-se um representante do inimigo de Cristo.

Quando ele se pôs em contato com Jesus, tinha alguns preciosos traços de caráter que se poderiam haver tornado uma bênção para a igreja. Houvesse ele estado disposto a tomar o jugo de Cristo, e ter-se-ia contado entre os principais apóstolos; mas endureceu o coração quando lhe eram apontados os defeitos, e, orgulhosa e rebeldemente, preferiu suas próprias ambições egoístas, incapacitando-se assim para a obra que Deus lhe teria dado a fazer.

Todos os discípulos tinham sérias falhas de caráter quando Jesus os chamou ao Seu serviço. O próprio João, que chegou a ter mais íntimo convívio com o Manso e Humilde, não era de si mesmo dócil e submisso. Ele e seu irmão foram chamados “filhos do trovão”. Marcos 3:17. Durante o tempo em que viveram com Jesus, todo menosprezo a Ele mostrado lhes despertava a indignação e a combatividade. Mau gênio, vingança, espírito de crítica, tudo se encontrava no discípulo amado. Era orgulhoso e ambicioso de ser o primeiro no reino de Deus. Mas dia a dia, em contraste com seu próprio espírito violento, contemplava a ternura e longanimidade de Jesus, e aprendia-Lhe as lições de humildade e paciência. Abriu o coração à divina influência, e tornou-se, não somente ouvinte, mas cumpridor das palavras do Mestre. O próprio eu escondeu-se em Cristo. Aprendeu a levar o jugo de Jesus, a suportar-Lhe o fardo.

Jesus reprovava Seus discípulos, advertia-os e avisava-os; mas João e seus irmãos não O deixavam; preferiam a Jesus, apesar das reprovações. O Salvador não Se afastava deles por causa de suas fraquezas e erros. Continuaram até ao fim a partilhar-Lhe as provações e aprender as lições de Sua vida. Contemplando a Cristo, transformaram-se no caráter.

Os apóstolos diferiam largamente em hábitos e disposição. Havia o publicano Levi Mateus e o ardente zelote Simão, o intransigente inimigo da autoridade romana; o generoso e impulsivo Pedro, e Judas, de vil espírito; Tomé, leal, se bem que tímido e temeroso; Filipe, tardio de coração e inclinado à dúvida, e os ambiciosos e francos filhos de Zebedeu, com seus irmãos. Estes foram reunidos, com suas diferentes faltas, todos com herdadas e cultivadas tendências para o mal; mas, em Cristo e por meio dEle, deviam fazer parte da família de Deus, aprendendo a tornar-se um na fé, na doutrina, no espírito. Teriam suas provas, suas ofensas mútuas, suas divergências de opinião; mas enquanto Cristo habitasse no coração, não poderia haver discórdia. Seu amor levaria ao amor de uns pelos outros; as lições do Mestre conduziriam à harmonização de todas as diferenças, pondo os discípulos em unidade, até que fossem de um mesmo espírito, de um mesmo parecer. Cristo é o grande centro, e eles se deveriam aproximar uns dos outros exatamente na proporção em que se aproximassem do centro.

Quando Cristo concluiu as instruções aos discípulos, reuniu em torno

de Si o pequeno grupo, bem achegados a Ele e, ajoelhando no meio deles e pondo-lhes as mãos sobre a cabeça, fez uma oração consagrando-os à Sua sagrada obra. Assim foram os discípulos do Senhor ordenados para o ministério evangélico.

Cristo não escolheu, para Seus representantes entre os homens, anjos que nunca pecaram, mas seres humanos, homens semelhantes em paixões àqueles a quem buscavam salvar. Cristo tomou sobre Si a humanidade, a fim de chegar à humanidade. A divindade necessitava da humanidade; pois era necessário tanto o divino como o humano para trazer salvação ao mundo. A divindade necessitava da humanidade, a fim de que esta proporcionasse meio de comunicação entre Deus e o homem. O mesmo se dá com os servos e mensageiros de Cristo. O homem necessita de um poder fora e acima dele, para restaurá-lo à semelhança com Deus e habilitá-lo a fazer Sua obra; isso, porém, não faz com que o instrumento humano deixe de ser essencial. A humanidade apodera-se do poder divino, Cristo habita no coração pela fé; e, por meio da cooperação com o divino, o poder do homem torna-se eficiente para o bem.

Aquele que chamou os pescadores da Galiléia, chama ainda homens ao Seu serviço. E está tão disposto a manifestar por nosso intermédio o Seu poder, como por meio dos primeiros discípulos. Imperfeitos e pecadores como possamos ser, o Senhor estende-nos o oferecimento da comunhão com Ele, do aprendizado com Cristo. Convida-nos a colocar-nos sob as instruções divinas, para que, unindo-nos a Cristo, possamos realizar as obras de Deus.

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós”. 2 Coríntios 4:7. Foi por isso que a pregação do evangelho foi confiada a homens falíveis e não aos anjos. É manifesto que o poder que opera através das fraquezas da humanidade é o poder de Deus; e somos assim animados a crer que o poder que auxilia a outros, tão fracos como nós, nos pode ajudar a nós. E os que se acham rodeados de fraqueza, devem “compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados”. Hebreus 5:2. Havendo eles próprios estado em perigo, acham-se familiarizados com os riscos e dificuldades do caminho, e por esse motivo são chamados a esforçar-se por outros em perigo idêntico. Pessoas existem perplexas pela dúvida, opressas pelas fraquezas, débeis na fé, incapazes de apegar-se ao Invisível; mas um amigo a quem podem ver, indo ter com eles em lugar de Cristo, pode ser um elo para firmar-lhes a trêmula fé no Filho de Deus.

Devemos ser coobreiros dos anjos celestes em apresentar Jesus ao mundo. Com quase impaciente ansiedade esperam os anjos nossa cooperação; pois o homem deve ser o instrumento para comunicar com o homem. E, quando nos entregamos a Cristo numa consagração completa, os anjos se alegram de poderem falar por meio de nossa voz, para revelar o amor de Deus.

O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White

Passagem bíblica

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