Cristo O Caminho
Plano Encontro 1 Dia 103
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Leitura do livro
O Desejado de Todas as Nações, páginas 185-186
Capítulo 28 — Levi Mateus
Este capítulo é baseado em Mateus 9:9-17; Marcos 2:14-22; Lucas 5:27-39.
Dos funcionários romanos na Palestina, nenhum era mais odiado que o publicano. O fato de serem os impostos ordenados por um poder estrangeiro, era contínuo motivo de irritação para os judeus, lembrança que era da perda de sua independência. E os cobradores de impostos além de instrumentos da opressão romana, eram extorsionários em seu próprio proveito, enriquecendo-se à custa do povo. Um judeu que aceitasse esse ofício das mãos dos romanos era considerado traidor da honra nacional. Desprezado como apóstata, classificavam-no entre os mais vis da sociedade.
A essa classe pertencia Levi Mateus, o qual, depois dos quatro discípulos na praia de Genesaré, foi o seguinte a ser chamado para o serviço de Cristo. Os fariseus haviam julgado Mateus segundo seu emprego, mas Jesus viu nesse homem uma pessoa aberta à recepção da verdade. Mateus escutara os ensinos do Salvador. Ao revelar-lhe o convincente Espírito de Deus sua pecaminosidade, anelou buscar auxílio em Cristo; estava, porém, habituado ao exclusivismo dos rabis, e não tinha nenhuma idéia de que esse grande Mestre houvesse de fazer caso dele.
Um dia, achando-se sentado na alfândega, viu o publicano a Jesus, que Se aproximava. Grande foi sua surpresa ao ouvir as palavras que lhe foram dirigidas: “Segue-Me.” Mateus “deixando tudo, levantou-se e O seguiu”. Lucas 5:27, 28. Não houve nenhuma hesitação, nenhuma dúvida, nenhum pensamento para o lucrativo negócio a ser trocado pela pobreza e as privações. Era-lhe suficiente o estar com Jesus, ouvir-Lhe as palavras e a Ele unir-se em Sua obra.
O mesmo se deu com os discípulos anteriormente chamados. Quando Jesus pediu a Pedro e a seus companheiros que O seguissem, eles deixaram imediatamente os barcos e as redes. Alguns desses discípulos tinham queridos cuja manutenção deles dependia; ao receberem, porém, o convite do Salvador, não hesitaram nem inquiriram: “Como hei de viver, e sustentar minha família?” Obedeceram ao chamado; e quando, posteriormente, Jesus lhes perguntou: “Quando vos mandei sem bolsa, alforje, ou alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa?” puderam responder: “Nada”. Lucas 22:35.
A Mateus em sua riqueza, como a André e Pedro em sua pobreza, a mesma prova foi apresentada; a mesma consagração foi feita por cada
um. No momento do êxito, quando as redes estavam cheias de peixe, e mais fortes eram os impulsos do viver anterior, Jesus pediu aos discípulos junto ao mar que abandonassem tudo pela obra do evangelho. Assim toda pessoa é provada quanto a seu mais forte desejo — se bens temporais, se a companhia de Cristo.
O princípio é sempre de caráter exigente. Homem algum pode ser bem-sucedido no serviço de Deus, a menos que nele ponha inteiro o coração, e considere todas as coisas por perda pela excelência do conhecimento de Cristo. Ninguém que faça qualquer reserva pode ser discípulo de Cristo, e muito menos Seu colaborador. Quando os homens apreciam a grande salvação, o espírito de sacrifício observado na vida de Cristo ver-se-á na sua. Por onde quer que Ele os guie, acompanhá-Lo-ão contentes.
A vocação de Mateus para ser um dos discípulos de Cristo, despertou grande indignação. Que um mestre de religião escolhesse um publicano como um de seus imediatos assistentes, era uma ofensa contra os costumes religiosos, sociais e nacionais. Procurando estimular os preconceitos do povo, os fariseus esperavam voltar a corrente dos sentimentos populares contra Jesus.
Criou-se entre os publicanos amplo interesse. Seu coração foi atraído para o divino Mestre. Na alegria de seu novo discipulado, desejou Mateus levar seus antigos companheiros a Jesus. Fez, portanto, um banquete em sua casa, reunindo os parentes e amigos. Não somente publicanos foram incluídos, mas muitos outros de duvidosa reputação, proscritos por seus mais escrupulosos vizinhos.
A festa foi oferecida em honra de Jesus, e Este não hesitou em aceitar a gentileza. Bem sabia que isso daria motivo de escândalo ao partido dos fariseus, comprometendo-O também aos olhos do povo. Nenhuma questão de política, entretanto, podia influenciar-Lhe os movimentos. Para Ele, as distinções exteriores não tinham valor. O que Lhe falava ao coração era a sede pela água da vida.
Jesus Se sentou como hóspede honrado à mesa dos publicanos, mostrando, por Sua simpatia e amabilidade social, reconhecer a dignidade humana; e os homens anelavam tornar-se dignos de Sua confiança. As palavras de Seus lábios caíam no sedento coração deles com um bendito e vivificante poder. Despertavam-se novos impulsos, e a esses excluídos da sociedade abriu-se a possibilidade de uma nova vida.
Em reuniões como essa, não poucos foram impressionados pelos ensinos do Salvador, os quais não O reconheceram senão depois de Sua ascensão. Quando o Espírito Santo foi derramado, e três mil se converteram num dia, houve entre eles muitos que tinham ouvido primeiramente a verdade à mesa dos publicanos, e alguns desses se tornaram mensageiros do evangelho. Ao próprio Mateus, o exemplo de Jesus na festa era uma lição constante. O desprezado publicano, tornou-se um dos mais devotados evangelistas, seguindo, em seu ministério, bem de perto, os passos do Mestre.
O Desejado de Todas as Nações · Ellen G. White