Cristo Nossa Esperança

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Leitura bíblica

Jó 25-31

Jó 25

1 Então, respondeu Bildade, o suíta: 2 A Deus pertence o domínio e o poder; ele faz reinar a paz nas alturas celestes. 3 Acaso, têm número os seus exércitos? E sobre quem não se levanta a sua luz? 4 Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce de mulher? 5 Eis que até a lua não tem brilho, e as estrelas não são puras aos olhos dele. 6 Quanto menos o homem, que é gusano, e o filho do homem, que é verme!

Jó 26

1 Jó, porém, respondeu: 2 Como sabes ajudar ao que não tem força e prestar socorro ao braço que não tem vigor! 3 Como sabes aconselhar ao que não tem sabedoria e revelar plenitude de verdadeiro conhecimento! 4 Com a ajuda de quem proferes tais palavras? E de quem é o espírito que fala em ti? 5 A alma dos mortos treme debaixo das águas com seus habitantes. 6 O além está desnudo perante ele, e não há coberta para o abismo. 7 Ele estende o norte sobre o vazio e faz pairar a terra sobre o nada. 8 Prende as águas em densas nuvens, e as nuvens não se rasgam debaixo delas. 9 Encobre a face do seu trono e sobre ele estende a sua nuvem. 10 Traçou um círculo à superfície das águas, até aos confins da luz e das trevas. 11 As colunas do céu tremem e se espantam da sua ameaça. 12 Com a sua força fende o mar e com o seu entendimento abate o adversário. 13 Pelo seu sopro aclara os céus, a sua mão fere o dragão veloz. 14 Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos! Que leve sussurro temos ouvido dele! Mas o trovão do seu poder, quem o entenderá?

Jó 27

1 Prosseguindo Jó em seu discurso, disse: 2 Tão certo como vive Deus, que me tirou o direito, e o Todo-Poderoso, que amargurou a minha alma, 3 enquanto em mim estiver a minha vida, e o sopro de Deus nos meus narizes, 4 nunca os meus lábios falarão injustiça, nem a minha língua pronunciará engano. 5 Longe de mim que eu vos dê razão! Até que eu expire, nunca afastarei de mim a minha integridade. 6 À minha justiça me apegarei e não a largarei; não me reprova a minha consciência por qualquer dia da minha vida. 7 Seja como o perverso o meu inimigo, e o que se levantar contra mim, como o injusto. 8 Porque qual será a esperança do ímpio, quando lhe for cortada a vida, quando Deus lhe arrancar a alma? 9 Acaso, ouvirá Deus o seu clamor, em lhe sobrevindo a tribulação? 10 Deleitar-se-á o perverso no Todo-Poderoso e invocará a Deus em todo o tempo? 11 Ensinar-vos-ei o que encerra a mão de Deus e não vos ocultarei o que está com o Todo-Poderoso. 12 Eis que todos vós já vistes isso; por que, pois, alimentais vãs noções? 13 Eis qual será da parte de Deus a porção do perverso e a herança que os opressores receberão do Todo-Poderoso: 14 Se os seus filhos se multiplicarem, será para a espada, e a sua prole não se fartará de pão. 15 Os que ficarem dela, a peste os enterrará, e as suas viúvas não chorarão. 16 Se o perverso amontoar prata como pó e acumular vestes como barro, 17 ele os acumulará, mas o justo é que os vestirá, e o inocente repartirá a prata. 18 Ele edifica a sua casa como a da traça e como a choça que o vigia constrói. 19 Rico se deita com a sua riqueza, abre os seus olhos e já não a vê. 20 Pavores se apoderam dele como inundação, de noite a tempestade o arrebata. 21 O vento oriental o leva, e ele se vai; varre-o com ímpeto do seu lugar. 22 Deus lança isto sobre ele e não o poupa, a ele que procura fugir precipitadamente da sua mão; 23 à sua queda lhe batem palmas, à saída o apupam com assobios.

Jó 28

1 Na verdade, a prata tem suas minas, e o ouro, que se refina, o seu lugar. 2 O ferro tira-se da terra, e da pedra se funde o cobre. 3 Os homens põem termo à escuridão e até aos últimos confins procuram as pedras ocultas nas trevas e na densa escuridade. 4 Abrem entrada para minas longe da habitação dos homens, esquecidos dos transeuntes; e, assim, longe deles, dependurados, oscilam de um lado para outro. 5 Da terra procede o pão, mas embaixo é revolvida como por fogo. 6 Nas suas pedras se encontra safira, e há pó que contém ouro. 7 Essa vereda, a ave de rapina a ignora, e jamais a viram os olhos do falcão. 8 Nunca a pisaram feras majestosas, nem o leãozinho passou por ela. 9 Estende o homem a mão contra o rochedo e revolve os montes desde as suas raízes. 10 Abre canais nas pedras, e os seus olhos veem tudo o que há de mais precioso. 11 Tapa os veios de água, e nem uma gota sai deles, e traz à luz o que estava escondido. 12 Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar do entendimento? 13 O homem não conhece o valor dela, nem se acha ela na terra dos viventes. 14 O abismo diz: Ela não está em mim; e o mar diz: Não está comigo. 15 Não se dá por ela ouro fino, nem se pesa prata em câmbio dela. 16 O seu valor não se pode avaliar pelo ouro de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira. 17 O ouro não se iguala a ela, nem o cristal; ela não se trocará por joia de ouro fino; 18 ela faz esquecer o coral e o cristal; a aquisição da sabedoria é melhor que a das pérolas. 19 Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode avaliar por ouro puro. 20 Donde, pois, vem a sabedoria, e onde está o lugar do entendimento? 21 Está encoberta aos olhos de todo vivente e oculta às aves do céu. 22 O abismo e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama. 23 Deus lhe entende o caminho, e ele é quem sabe o seu lugar. 24 Porque ele perscruta até as extremidades da terra, vê tudo o que há debaixo dos céus. 25 Quando regulou o peso do vento e fixou a medida das águas; 26 quando determinou leis para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões, 27 então, viu ele a sabedoria e a manifestou; estabeleceu-a e também a esquadrinhou. 28 E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento.

Jó 29

1 Prosseguiu Jó no seu discurso e disse: 2 Ah! Quem me dera ser como fui nos meses passados, como nos dias em que Deus me guardava! 3 Quando fazia resplandecer a sua lâmpada sobre a minha cabeça, quando eu, guiado por sua luz, caminhava pelas trevas; 4 como fui nos dias do meu vigor, quando a amizade de Deus estava sobre a minha tenda; 5 quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo, e os meus filhos, em redor de mim; 6 quando eu lavava os pés em leite, e da rocha me corriam ribeiros de azeite. 7 Quando eu saía para a porta da cidade, e na praça me era dado sentar-me, 8 os moços me viam e se retiravam; os idosos se levantavam e se punham em pé; 9 os príncipes reprimiam as suas palavras e punham a mão sobre a boca; 10 a voz dos nobres emudecia, e a sua língua se apegava ao paladar. 11 Ouvindo-me algum ouvido, esse me chamava feliz; vendo-me algum olho, dava testemunho de mim; 12 porque eu livrava os pobres que clamavam e também o órfão que não tinha quem o socorresse. 13 A bênção do que estava a perecer vinha sobre mim, e eu fazia rejubilar-se o coração da viúva. 14 Eu me cobria de justiça, e esta me servia de veste; como manto e turbante era a minha equidade. 15 Eu me fazia de olhos para o cego e de pés para o coxo. 16 Dos necessitados era pai e até as causas dos desconhecidos eu examinava. 17 Eu quebrava os queixos do iníquo e dos seus dentes lhe fazia eu cair a vítima. 18 Eu dizia: no meu ninho expirarei, multiplicarei os meus dias como a areia. 19 A minha raiz se estenderá até às águas, e o orvalho ficará durante a noite sobre os meus ramos; 20 a minha honra se renovará em mim, e o meu arco se reforçará na minha mão. 21 Os que me ouviam esperavam o meu conselho e guardavam silêncio para ouvi-lo. 22 Havendo eu falado, não replicavam; as minhas palavras caíam sobre eles como orvalho. 23 Esperavam-me como à chuva, abriam a boca como à chuva de primavera. 24 Sorria-me para eles quando não tinham confiança; e a luz do meu rosto não desprezavam. 25 Eu lhes escolhia o caminho, assentava-me como chefe e habitava como rei entre as suas tropas, como quem consola os que pranteiam.

Jó 30

1 Mas agora se riem de mim os de menos idade do que eu, e cujos pais eu teria desdenhado de pôr ao lado dos cães do meu rebanho. 2 De que também me serviria a força das suas mãos, homens cujo vigor já pereceu? 3 De míngua e fome se debilitaram; roem os lugares secos, desde muito em ruínas e desolados. 4 Apanham malvas e folhas dos arbustos e se sustentam de raízes de zimbro. 5 Do meio dos homens são expulsos; grita-se contra eles, como se grita atrás de um ladrão; 6 habitam nos desfiladeiros sombrios, nas cavernas da terra e das rochas. 7 Bramam entre os arbustos e se ajuntam debaixo dos espinheiros. 8 São filhos de doidos, raça infame, e da terra são escorraçados. 9 Mas agora sou a sua canção de motejo e lhes sirvo de provérbio. 10 Abominam-me, fogem para longe de mim e não se abstêm de me cuspir no rosto. 11 Porque Deus afrouxou a corda do meu arco e me oprimiu; pelo que sacudiram de si o freio perante o meu rosto. 12 À direita se levanta uma súcia, e me empurra, e contra mim prepara o seu caminho de destruição. 13 Arruínam a minha vereda, promovem a minha calamidade; gente para quem já não há socorro. 14 Vêm contra mim como por uma grande brecha e se revolvem avante entre as ruínas. 15 Sobrevieram-me pavores, como pelo vento é varrida a minha honra; como nuvem passou a minha felicidade. 16 Agora, dentro de mim se me derrama a alma; os dias da aflição se apoderaram de mim. 17 A noite me verruma os ossos e os desloca, e não descansa o mal que me rói. 18 Pela grande violência do meu mal está desfigurada a minha veste, mal que me cinge como a gola da minha túnica. 19 Deus, tu me lançaste na lama, e me tornei semelhante ao pó e à cinza. 20 Clamo a ti, e não me respondes; estou em pé, mas apenas olhas para mim. 21 Tu foste cruel comigo; com a força da tua mão tu me combates. 22 Levantas-me sobre o vento e me fazes cavalgá-lo; dissolves-me no estrondo da tempestade. 23 Pois eu sei que me levarás à morte e à casa destinada a todo vivente. 24 De um montão de ruínas não estenderá o homem a mão e na sua desventura não levantará um grito por socorro? 25 Acaso, não chorei sobre aquele que atravessava dias difíceis ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado? 26 Aguardava eu o bem, e eis que me veio o mal; esperava a luz, veio-me a escuridão. 27 O meu íntimo se agita sem cessar; e dias de aflição me sobrevêm. 28 Ando de luto, sem a luz do sol; levanto-me na congregação e clamo por socorro. 29 Sou irmão dos chacais e companheiro de avestruzes. 30 Enegrecida se me cai a pele, e os meus ossos queimam em febre. 31 Por isso, a minha harpa se me tornou em prantos de luto, e a minha flauta, em voz dos que choram.

Jó 31

1 Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela? 2 Que porção, pois, teria eu do Deus lá de cima e que herança, do Todo-Poderoso desde as alturas? 3 Acaso, não é a perdição para o iníquo, e o infortúnio, para os que praticam a maldade? 4 Ou não vê Deus os meus caminhos e não conta todos os meus passos? 5 Se andei com falsidade, e se o meu pé se apressou para o engano 6 (pese-me Deus em balanças fiéis e conhecerá a minha integridade); 7 se os meus passos se desviaram do caminho, e se o meu coração segue os meus olhos, e se às minhas mãos se apegou qualquer mancha, 8 então, semeie eu, e outro coma, e sejam arrancados os renovos do meu campo. 9 Se o meu coração se deixou seduzir por causa de mulher, se andei à espreita à porta do meu próximo, 10 então, moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela. 11 Pois seria isso um crime hediondo, delito à punição de juízes; 12 pois seria fogo que consome até à destruição e desarraigaria toda a minha renda. 13 Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles contendiam comigo, 14 então, que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo ele a causa, que lhe responderia eu? 15 Aquele que me formou no ventre materno não os fez também a eles? Ou não é o mesmo que nos formou na madre? 16 Se retive o que os pobres desejavam ou fiz desfalecer os olhos da viúva; 17 ou, se sozinho comi o meu bocado, e o órfão dele não participou 18 (Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como se eu lhe fora o pai, e desde o ventre da minha mãe fui o guia da viúva.); 19 se a alguém vi perecer por falta de roupa e ao necessitado, por não ter coberta; 20 se os seus lombos não me abençoaram, se ele não se aquentava com a lã dos meus cordeiros; 21 se eu levantei a mão contra o órfão, por me ver apoiado pelos juízes da porta, 22 então, caia a omoplata do meu ombro, e seja arrancado o meu braço da articulação. 23 Porque o castigo de Deus seria para mim um assombro, e eu não poderia enfrentar a sua majestade. 24 Se no ouro pus a minha esperança ou disse ao ouro fino: em ti confio; 25 se me alegrei por serem grandes os meus bens e por ter a minha mão alcançado muito; 26 se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, que caminhava esplendente, 27 e o meu coração se deixou enganar em oculto, e beijos lhes atirei com a mão, 28 também isto seria delito à punição de juízes; pois assim negaria eu ao Deus lá de cima. 29 Se me alegrei da desgraça do que me tem ódio e se exultei quando o mal o atingiu 30 (Também não deixei pecar a minha boca, pedindo com imprecações a sua morte.); 31 se a gente da minha tenda não disse: Ah! Quem haverá aí que não se saciou de carne provida por ele 32 (O estrangeiro não pernoitava na rua; as minhas portas abria ao viandante.)! 33 Se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando o meu delito no meu seio; 34 porque eu temia a grande multidão, e o desprezo das famílias me apavorava, de sorte que me calei e não saí da porta. 35 Tomara eu tivesse quem me ouvisse! Eis aqui a minha defesa assinada! Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a sua acusação! 36 Por certo que a levaria sobre o meu ombro, atá-la-ia sobre mim como coroa; 37 mostrar-lhe-ia o número dos meus passos; como príncipe me chegaria a ele. 38 Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus sulcos juntamente chorarem; 39 se comi os seus frutos sem tê-la pago devidamente e causei a morte aos seus donos, 40 por trigo me produza cardos, e por cevada, joio. Fim das palavras de Jó.

Versão Almeida Revista e Atualizada

Passagem bíblica

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