Cristo Nossa Esperança

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Profetas e Reis, páginas 364-365

Seu povo e os pagãos, e proibindo Israel de se unir nas práticas idólatras com as nações circunvizinhas, foram tão pervertidas a ponto de se tornarem um muro de separação entre os israelitas e todos os outros povos, privando assim a outros das próprias bênçãos que Deus tinha-os comissionado para dar ao mundo.

Ao mesmo tempo os judeus, por seus pecados, estavam-se separando de Deus. Eram incapazes de discernir o profundo significado espiritual do seu sistema de sacrifícios. Em sua justiça própria confiaram em suas próprias obras, nos sacrifícios e ordenanças em si, em vez de descansar nos méritos dAquele a quem todas essas coisas apontavam. Assim, “procurando estabelecer a sua própria justiça” (Romanos 10:3), edificaram-se sobre um formalismo auto-suficiente. Faltando-lhes o Espírito e a graça de Deus, procuraram ressarcir a falta mediante rigorosa observância das cerimônias e ritos religiosos. Não contentes com as ordenanças que o próprio Deus havia designado, obstruíram os mandamentos divinos com incontáveis exigências por si mesmos tramadas. Quanto mais se distanciavam de Deus, mais rigorosos eram na observância dessas formas.

Com todas essas minuciosas e opressoras exigências, tornou-se uma impossibilidade prática para o povo a guarda da lei. Os grandes princípios de justiça expostos no Decálogo, e as gloriosas verdades delineadas no cerimonial simbólico, foram igualmente obscurecidas, sepultadas sob uma massa de tradições e preceitos humanos. Os que estavam realmente desejosos de servir a Deus, e que procuravam observar toda a lei como prescrita pelos sacerdotes e chefes, vergavam sob pesado fardo.

Como nação, o povo de Israel, conquanto desejando o advento do Messias, estava de tal modo separado de Deus no coração e na vida que não podia alcançar verdadeira concepção do caráter ou missão do prometido Redentor. Em lugar de desejar a redenção do pecado, e a glória e paz da santidade, tinham o coração posto no libertamento de seus inimigos nacionais, e a restauração do poder temporal. Eles esperavam por um Messias que viesse como conquistador, a fim de quebrar todo jugo, e exaltar Israel ao domínio de todas as nações. Assim havia Satanás alcançado sucesso em preparar o coração do povo para que rejeitasse o Salvador quando aparecesse. Seu próprio orgulho de coração e falsa concepção do caráter e missão do Messias, impediram-nos de pesar honestamente as evidências de Sua messianidade.

Durante mais de mil anos, o povo judeu tinha esperado a vinda do Salvador prometido. Suas esperanças mais brilhantes tinham repousado neste acontecimento. Durante mil anos, em cântico e profecia, nos ritos do templo e nas orações domésticas, Seu nome havia sido entesourado; e no entanto quando Ele veio, não O reconheceram como o Messias por quem haviam tão longamente esperado. “Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam”. João 1:11. Para o Seu coração amante do mundo,

o Amado do Céu era “como raiz de uma terra seca”. Aos olhos deles Ele “não tinha parecer nem formosura”; nEle não discerniam qualquer beleza para que O desejassem. Isaías 53:2.

Toda a vida de Jesus de Nazaré entre o povo judeu era uma reprovação ao seu egoísmo revelado na indisposição de reconhecer os justos direitos do Senhor da vinha sobre os que tinham sido postos como lavradores. Eles odiavam o Seu exemplo de fidelidade e piedade; e quando veio a prova final, a prova que significava obediência para a vida eterna ou desobediência para a eterna morte, rejeitaram o Santo de Israel, e se tornaram responsáveis por Sua crucifixão no Calvário.

Na parábola da vinha, Cristo, nas proximidades do fim do Seu ministério terrestre, chamou a atenção dos mestres judeus para as ricas bênçãos outorgadas a Israel, e nelas mostrou o direito de Deus a sua obediência. Claramente Ele expôs perante eles a glória do propósito de Deus, propósito este que pela obediência eles poderiam ter cumprido. Afastando o véu que ocultava o futuro, mostrou-lhes como, em virtude do não cumprimento do Seu propósito, toda a nação fora privada de Suas bênçãos, sobre si acarretando ruína.

“Houve um homem pai de família”, Cristo disse, “que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe”. Mateus 21:33.

O Salvador Se referiu assim à “vinha do Senhor dos Exércitos”, que o profeta Isaías séculos antes havia declarado ser “a casa de Israel”.

“E, chegando o tempo dos frutos”, Cristo continuou, o proprietário da vinha “enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos. E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram a um, mataram a outro, e apedrejaram a outro. Depois enviou outros servos, em maior número que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo; e por último enviou-lhes o seu filho. [...] Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha, e o mataram.”

Havendo retratado ante os sacerdotes o seu ato final de impiedade, Cristo dirige-lhes agora a pergunta: “Quando pois vier o Senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?” Os sacerdotes haviam acompanhado a narrativa com profundo interesse; e sem considerar a relação que havia do assunto para com eles mesmos, uniram-se ao povo na resposta: “Dará afrontosa morte a esses maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem os frutos.”

Inadvertidamente haviam eles pronunciado sua própria condenação. Jesus olhou para eles, e sob Seu olhar pesquisador eles compreenderam que Ele havia lido os segredos do seu coração. Sua divindade se sobressaiu com inquestionável poder. Eles viram nos lavradores uma figura de si mesmos, e involuntariamente exclamaram: “Não seja assim”

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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