Cristo Nossa Esperança

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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 30-32

Elevado ao pináculo da grandeza, cercado com dádivas da fortuna, Salomão sentiu-se aturdido, perdeu o equilíbrio, e caiu. Constantemente exaltado pelos homens do mundo, foi finalmente inábil para resistir à lisonja de que era alvo. A sabedoria que lhe fora confiada para que glorificasse ao Doador, encheu-o de orgulho. Permitiu finalmente que os homens falassem de si como do mais digno de louvor pelo inigualável esplendor do edifício planejado e construído para honrar o “nome do Senhor Deus de Israel”.

Assim foi que o templo de Jeová veio a ser conhecido através das nações como “o templo de Salomão”. O agente humano tinha tomado para si a glória que pertencia ao “que mais alto é do que os altos”. Eclesiastes 5:8. Mesmo até ao dia de hoje o templo que Salomão declarou: “Pelo Teu nome é chamada esta casa que edifiquei” (2 Crônicas 6:32), é mais freqüentemente mencionado, não como o templo de Jeová, mas como “templo de Salomão”.

Não pode o homem mostrar maior fraqueza que permitir se lhe atribua a honra por dons que são outorgados pelo Céu. O verdadeiro cristão fará com que Deus seja o primeiro, o último e o melhor em tudo. Nenhum ambicioso motivo logrará arrefecer seu amor por Deus; firmemente, perseverantemente, fará que advenha honra a seu Pai celestial. É quando somos fiéis em exaltar o nome de Deus, que nossos impulsos são postos sob a divina supervisão e somos capacitados a desenvolver faculdades espirituais e intelectuais.

Jesus, o divino Mestre, sempre exaltou o nome de Seu Pai celestial. Ele ensinou Seus discípulos a orar: “Pai nosso que estás nos Céus, santificado seja o Teu nome”. Mateus 6:9. E eles não deviam esquecer de reconhecer: Tua é “a glória”. Mateus 6:13. Tão cuidadoso foi o grande Médico em desviar a atenção de Si mesmo para a Fonte de Seu poder, que a maravilhada multidão “vendo os mudos a falar, os aleijados sãos, os coxos a andar, e os cegos a ver”, não O glorificavam a Ele, mas “glorificavam o Deus de Israel”. Mateus 15:31. Na maravilhosa oração que fez pouco antes de Sua crucifixão, Cristo declarou: “Eu glorifiquei-Te na Terra”. “Glorifica a Teu Filho”, suplicou, “para que também o Teu Filho Te glorifique a Ti”. “Pai justo, o mundo não Te conheceu, mas Eu Te conheci; e estes conheceram que Tu Me enviaste a Mim. E Eu lhes fiz conhecer o Teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que Me tens amado esteja neles, e Eu neles esteja”. João 17:1, 4, 25, 26.

“Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar glorie-se nisto: em Me conhecer e saber que Eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na Terra; porque destas coisas Me agrado, diz o Senhor”. Jeremias 9:23, 24.

“Louvarei o nome de Deus [...] e engrandecê-Lo-ei com ação de graças”.

Salmos 69:30.

“Digno és, Senhor, de receber glória, e poder”.

Apocalipse 4:11.

“Louvar-Te-ei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração,
e glorificarei o Teu nome para sempre”.

Salmos 86:12.

“Engrandecei ao Senhor comigo, e juntos exaltemos o Seu nome”.

Salmos 34:3.

A introdução de princípios tendentes a afastar do espírito de sacrifício para o de glorificação própria, foi ainda mais acompanhada por outra grosseira perversão do plano divino para Israel. Deus havia designado que Seu povo fosse a luz do mundo. Deles devia refletir a glória de Sua lei como revelada na vida prática. Para a concretização deste propósito, fizera Ele que Sua nação escolhida ocupasse uma posição estratégica entre as nações da Terra.

Nos dias de Salomão o reino de Israel se estendera desde Hamate ao Norte, até o Egito ao Sul, e do Mar Mediterrâneo ao Rio Eufrates. Através deste território corriam muitas vias naturais do mundo comercial, e as caravanas das terras distantes transpunham-nas constantemente. Assim foi dada a Salomão e a seu povo oportunidade para revelar aos homens de todas as nações o caráter do Rei dos reis, e ensinar-lhes reverência e obediência a Ele. A todo o mundo devia ser dado este conhecimento. Mediante o ensino contido nas ofertas sacrificais, Cristo devia ser exaltado perante as nações, para que todo o que desejasse pudesse viver.

Colocado como cabeça de uma nação que fora posta como um farol de luz para as nações ao redor, Salomão devia ter usado a sabedoria que Deus lhe dera e o poder de influência na organização e liderança de um grande movimento para iluminação dos que viviam na ignorância de Deus e Sua verdade. Assim, multidões teriam sido ganhas para obediência aos divinos preceitos, Israel teria ficado a salvo dos males praticados pelos pagãos, e o Senhor da glória teria sido grandemente honrado. Mas Salomão perdeu de vista este alto propósito. Deixou de usar suas esplêndidas oportunidades para iluminação dos que estavam continuamente passando através de seu território ou estacionando nas principais cidades.

O espírito missionário que Deus implantara no coração de Salomão e de todos os verdadeiros israelitas fora suplantado pelo espírito de comercialismo. As oportunidades propiciadas pelo contato com muitas nações foram usadas para exaltação pessoal. Salomão procurou fortalecer politicamente sua posição construindo cidades fortificadas nas passagens comerciais. Reconstruiu Gezer, próximo de Jope, que ficava ao longo da estrada entre Egito e Síria; Bete-Horom, a oeste de Jerusalém, dominando as passagens da estrada que ia do interior da Judéia a Gezer e à costa do mar; Megido, situada na estrada das caravanas de Damasco para o Egito, e de Jerusalém para o Norte; e “Tadmor, no deserto” (2 Crônicas 8:4), ao longo da rota das caravanas do Oriente. Todas estas cidades foram poderosamente fortificadas. As vantagens comerciais de uma passagem nas cabeceiras do Mar Vermelho

foram ampliadas pela construção de naus em Esiom-Geber, “na praia do mar, na terra de Edom”. 1 Reis 9:26, 28. Marinheiros treinados de Tiro, “com os servos de Salomão” (2 Crônicas 8:18), conduziam esses navios nas viagens para Ofir, e “traziam de Ofir muitíssima madeira de sândalo, e pedras preciosas”. 1 Reis 10:11.

Os rendimentos do rei e de muitos de seus súditos foram grandemente aumentados, mas a que preço! Por causa da ambição e curteza de vistas daqueles a quem tinham sido confiados os oráculos de Deus, às incontáveis multidões que apinhavam as vias de transporte se permitiu que permanecessem na ignorância de Jeová.

Em saliente contraste com a conduta seguida por Salomão foi o procedimento de Cristo quando esteve na Terra. O Salvador, embora possuindo “todo o poder” (Mateus 28:18), jamais usou este poder para Seu próprio engrandecimento. Nenhum sonho de conquistas terrenas, de grandezas mundanas, maculou a perfeição de Seu serviço pela humanidade. “As raposas têm covis, e as aves dos céus ninhos”, disse Ele, “mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Mateus 8:20. Os que em resposta ao chamado da hora, têm entrado no serviço do Obreiro-mestre, podem bem estudar Seus métodos. Ele tirou vantagem das oportunidades encontradas ao longo das movimentadas vias.

Nos intervalos de Suas jornadas de um para outro lado, Jesus permanecia em Cafarnaum, que passou a ser conhecida como “a Sua cidade”. Mateus 9:1. Situada na estrada de Damasco para Jerusalém e Egito e para o Mar Mediterrâneo, era esta cidade bem apropriada como centro do trabalho do Salvador. Pessoas de muitas terras passavam através da cidade, ou nela se detinham para descanso. Aí Jesus Se encontrava com pessoas de todas as nações e categorias, e assim eram Suas lições levadas a outros países e a muitas famílias. Por este meio era despertado o interesse nas profecias que apontavam para o Messias, a atenção era dirigida para o Salvador, e Sua missão era levada perante o mundo.

Em nossos dias, as oportunidades de entrar-se em contato com homens e mulheres de todas as classes e diferentes nacionalidades são muito maiores que nos dias de Israel. As movimentadas vias de comunicação têm-se multiplicado por milhares.

Assim como fez Cristo, os mensageiros do Altíssimo devem hoje tomar posição nessas vias movimentadas, onde possam encontrar-se com multidões que passam de todas as partes do mundo. Como Ele Se ocultou em Deus, devem eles semear a semente do evangelho, expondo perante outros as preciosas verdades das Sagradas Escrituras, que lançarão profundas raízes na mente e no coração, e germinem para a vida eterna.

Solenes são as lições do fracasso de Israel durante os anos em que tanto o rei como o povo se desviaram do alto propósito que tinham sido chamados a cumprir.

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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