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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 323-324

Neemias tinha freqüentemente derramado a sua alma em favor do seu povo. Mas ao orar agora, um santo propósito formou-se em sua mente. Ele decidiu que se lograsse obter o consentimento do rei, e o necessário auxílio na aquisição de implementos e material, ele próprio tomaria a si a tarefa de reconstruir os muros de Jerusalém, e restaurar a força nacional de Israel. E ele suplicou ao Senhor que lhe permitisse alcançar favor aos olhos do rei, a fim de que este plano pudesse ser levado avante. “Faze prosperar hoje o Teu servo”, ele suplicou, “e dá-lhe graça perante este homem”. Neemias 1:11.

Neemias esperara quatro meses por uma oportunidade favorável de apresentar seu pedido ao rei. Durante este tempo, embora o seu coração estivesse carregado de dor, ele procurou mostrar-se alegre na presença real. Nas salas de luxo e esplendor, todos deviam parecer alegres e felizes. A tristeza não devia lançar sua sombra sobre a face de qualquer assistente da realeza. Mas no período de retraimento de Neemias, ocultas da vista dos homens, muitas foram as orações, as confissões, as lágrimas, ouvidas e testemunhadas por Deus e os anjos.

Finalmente a tristeza que oprimia o coração patriota não pôde mais ser oculta. Noites indormidas e dias cheios de cuidados deixaram sua marca em seu rosto. O rei, cioso de sua própria segurança, estava acostumado a ler fisionomias e a penetrar dissimulações, e viu que alguma perturbação secreta estava possuindo seu copeiro. “Por que está triste o teu rosto”, ele inquiriu, “pois não estás doente? Isto não é senão tristeza de coração”. Neemias 2:2.

A interrogação encheu Neemias de apreensão. Não ficaria o rei irado ao saber que enquanto aparentemente em seu serviço, os pensamentos do cortesão estavam longe com o seu aflito povo? O ofensor não perderia a vida? Seu acariciado plano de restaurar e fortificar Jerusalém — estaria esse plano prestes a ser subvertido? “Então”, ele escreve, “temi muito em grande maneira.” Com lábios trêmulos e lágrimas nos olhos, ele revelou a causa de sua tristeza. “Viva o rei para sempre”, ele respondeu. “Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?”

A exposição das condições de Jerusalém despertou a simpatia do monarca sem suscitar os seus preconceitos. Outra pergunta deu a Neemias a oportunidade por que tanto ansiava: “Que me pedes agora?” Mas o homem de Deus não se aventurou a responder enquanto não tivesse buscado a direção de Alguém mais alto que Artaxerxes. Ele tinha uma sagrada tarefa a cumprir, e esta requeria auxílio do rei; e sentiu que muito dependia de apresentar o assunto de tal maneira que lhe ganhasse a aprovação e garantisse o auxílio. “Então”, diz ele, “orei ao Deus do Céu”. Neemias 2:2-4. Nessa breve oração, Neemias se introduziu na presença do Rei dos

reis, e teve do seu lado um poder capaz de mudar os corações como são desviados os cursos de água.

Orar como Neemias orou nessa hora de necessidade é um recurso à disposição do cristão, em circunstâncias em que outras formas de oração podem ser impossíveis. Os que labutam nas absorventes atividades da vida, assoberbados e quase subjugados pelas perplexidades, podem enviar uma petição a Deus, suplicando guia divina. Os que viajam por mar e por terra, quando ameaçados com algum grande perigo, podem-se encomendar à proteção do Céu. Em tempos de súbita dificuldade ou perigo, o coração pode enviar seu grito de socorro a Alguém que Se comprometeu a vir em auxílio de Seus fiéis e crentes, quando quer que chamem por Ele. Sob todas as circunstâncias, em cada condição, a alma carregada de dor e cuidado, ou ferozmente assaltada pela tentação, pode encontrar segurança, sustento e socorro no infalível amor e poder de um Deus que guarda o concerto.

Neemias, nesse breve momento de oração ao Rei dos reis, reuniu coragem para falar a Artaxerxes do seu desejo de ser dispensado por algum tempo dos seus deveres na corte; e pediu autoridade para reconstruir os lugares devastados de Jerusalém, e torná-la uma vez mais uma cidade forte e defensável. Momentosos resultados para a nação judaica estavam na dependência desta solicitação. “E o rei mas deu”, declara Neemias, “segundo a boa mão de Deus sobre mim”. Neemias 2:8. Havendo conseguido o auxílio que desejava, Neemias com prudência e reflexão procedeu aos arranjos necessários para se garantir o sucesso da empresa. Ele não negligenciou nenhuma precaução que poderia ser útil ao resultado. Nem mesmo aos seus próprios concidadãos ele revelou o seu propósito. Conquanto soubesse que muitos se alegrariam com o seu sucesso, temeu que alguns, por atos de indiscrição, pudessem despertar os ciúmes dos seus inimigos, e talvez pôr em risco a empreitada.

Seu pedido ao rei havia sido tão favoravelmente recebido que Neemias foi encorajado a solicitar ainda assistência adicional. Para dar dignidade e autoridade a sua missão, bem como para prover proteção na viagem, ele pediu e foi-lhe garantida uma escolta militar. Obteve cartas régias para os governadores das províncias além do Eufrates, território através do qual ele devia passar em sua viagem para a Judéia; e obteve também uma carta para o guarda da floresta real nas montanhas do Líbano, ordenando-lhe que fornecesse tanta madeira quanta fosse necessária. Para que não pudesse haver ocasião de queixa de que ele excedera sua missão, Neemias teve o cuidado de que os privilégios e autoridade que lhe eram conferidos estivessem claramente definidos.

Esse exemplo de sábia previdência e ação resoluta deve ser uma lição a todos os cristãos. Os filhos de Deus não devem apenas orar com fé, mas trabalhar com diligência e providente cuidado. Eles enfrentam muitas

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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