Cristo Nossa Esperança

Plano Encontro 4 Dia 296

Dia 296 ▾
Aa
Tamanho Fonte Tema

Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 319-321

Através dos séculos, o registro de sua vida de consagração tem inspirado a muitos com a determinação de “buscar a lei do Senhor, e para a cumprir.”

Os propósitos de Esdras eram altos e santos; em tudo que fizera fora movido por um profundo amor pelas almas. A compaixão e bondade que revelava para com os que haviam pecado, fosse em plena função da vontade, fosse por ignorância, deveria ser uma lição objetiva a todos os que procurassem promover reformas. Os servos de Deus devem ser tão firmes como a rocha onde retos princípios estiverem envolvidos; mas do mesmo modo devem manifestar simpatia e longanimidade. Como Esdras, devem ensinar aos transgressores o caminho da vida, inculcando-lhes princípios que são o fundamento de todo o reto proceder.

Nessa fase do mundo, quando Satanás está procurando, mediante múltiplas formas, cegar os olhos de homens e mulheres para com os impostergáveis reclamos da lei de Deus, há necessidade de homens que possam levar muitos a tremerem “ao mandado do nosso Deus”. Esdras 10:3. Há necessidade de verdadeiros reformadores, que indiquem aos transgressores o grande Doador da lei, e lhes ensinem que “a lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma”. Salmos 19:7. Há necessidade de homens poderosos nas Escrituras; homens dos quais cada palavra e cada ato exaltem os estatutos de Jeová; homens que procurem fortalecer a fé. São necessários mestres, e tanto que inspirem os corações com reverência e amor pelas Escrituras.

A abundante iniqüidade prevalecente hoje pode ser atribuída em grande medida à deficiência no estudo e obediência às Escrituras; pois quando a Palavra de Deus é posta de lado, é rejeitado o seu poder para restringir as más paixões do coração natural. Os homens semeiam na carne, e da carne ceifam corrupção.

Com o abandono da Bíblia tem vindo o abandono da lei de Deus. A doutrina segundo a qual os homens estão livres da obediência aos divinos preceitos, tem enfraquecido a força da obrigação moral, e aberto as comportas da iniqüidade sobre o mundo. A ilegalidade, dissipação e corrupção estão arrasando à semelhança de um irresistível dilúvio. Em todos os lugares se vêem inveja, suspeita, hipocrisia, indisposição, rivalidade, atritos, traição de sagrados encargos, condescendência para com a paixão sensual. Todo o sistema de princípios religiosos e doutrinas, que devia formar o fundamento e a estrutura da vida social, assemelha-se a uma massa vacilante, pronta para cair em ruínas.

Nos últimos dias da história da Terra, a voz que falou do Sinai está ainda declarando: “Não terás outros deuses diante de Mim”. Êxodo 20:3. O homem tem posto sua vontade contra a vontade de Deus, mas não pode silenciar a palavra de ordem. A mente humana não pode fugir a suas obrigações para com um poder mais alto. Pode haver domínios das teorias e especulações; os homens podem opor a ciência à revelação, e assim

afastar a lei de Deus; mas a ordem vem cada vez mais forte: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás”. Mateus 4:10.

Não existe o que se possa chamar enfraquecimento ou fortalecimento da lei de Jeová. Ela é como tem sido. Tem sido, e será sempre santa, justa e boa, completa em si mesma. Não pode ser revogada ou mudada. “Honrá-la”, ou “desonrá-la”, é apenas a maneira de dizer dos homens.

Entre as leis de homens e os preceitos de Jeová, travar-se-á a maior batalha da controvérsia entre a verdade e o erro. Nesta batalha estamos agora entrando — não uma batalha entre igrejas rivais lutando pela supremacia, mas entre a religião da Bíblia e as religiões de fábulas e tradição. As forças que se têm unido contra a verdade estão agora ativamente em operação. A santa Palavra de Deus, que tem chegado até nós ao preço tão alto de sofrimento e derramamento de sangue, é tida em pouco valor. Poucos há que realmente a aceitam como regra da vida. A infidelidade prevalece em medida alarmante, não apenas no mundo, mas na igreja. Muitos têm chegado a negar doutrinas que são colunas da fé cristã. Os grandes fatos da criação como apresentados pelos escritores inspirados; a queda do homem, a expiação, a perpetuidade da lei — eis aí doutrinas praticamente rejeitadas por grande parte do professo mundo cristão. Milhares que se orgulham de seu conhecimento, consideram uma evidência de fraqueza a implícita confiança na Bíblia, e uma prova de erudição sofismar das Escrituras, e alegorizar e atenuar suas mais importantes verdades.

Os cristãos devem estar-se preparando para aquilo que logo irá cair sobre o mundo como terrível surpresa, e esta preparação deve ser feita mediante diligente estudo da Palavra de Deus e pelo levar a vida na conformidade com os seus preceitos. As tremendas questões de eternidade demandam de nossa parte algo mais que uma religião de pensamento, uma religião de palavras e formas, onde a verdade é mantida no recinto exterior. Deus pede um reavivamento e uma reforma.

As palavras da Bíblia, e a Bíblia somente, deviam ser ouvidas do púlpito. Mas a Bíblia tem sido roubada em seu poder, e o resultado é visto no rebaixamento do tono da vida espiritual. Em muitos sermões de hoje não existe aquela divina manifestação que desperta a consciência e comunica vida. Os ouvintes não podem dizer: “Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?” Lucas 24:32. Há muitos que estão clamando pelo Deus vivo, ansiando pela divina presença. Permiti que a Palavra de Deus lhes fale ao coração. Deixai que os que têm ouvido apenas tradição e teorias e máximas humanas ouçam a voz dAquele que pode preparar a pessoa para a vida eterna.

Grande luz jorrou dos patriarcas e profetas. Gloriosas coisas foram ditas de Sião, a cidade de Deus. Assim o Senhor deseja que a luz brilhe através dos Seus seguidores hoje. Se os santos do Antigo Testamento deram

tão exaltado testemunho de lealdade, não deviam aqueles sobre quem está brilhando a luz acumulada de séculos, dar mais assinalado testemunho do poder da verdade? A glória das profecias derrama sua luz sobre nosso caminho. O tipo encontrou o antítipo na morte do Filho de Deus. Cristo ressuscitou dos mortos, proclamando sobre o sepulcro rompido: “Eu sou a ressurreição e a vida”. João 11:25. Ele enviou o Seu Espírito ao mundo, para trazer todas as coisas à nossa lembrança. Por um milagre de poder Ele tem preservado Sua Palavra escrita através dos séculos.

Os reformadores cujo protesto nos deu o nome de protestantes, sentiram que Deus os havia chamado para levar a luz do evangelho ao mundo; e no esforço para fazer isto, estiveram prontos para sacrificar suas posses, sua liberdade e a própria vida. Em face de perseguição e morte, o evangelho foi proclamado longe e perto. A Palavra de Deus foi levada ao povo; e todas as classes, altos e baixos, ricos e pobres, cultos e ignorantes, avidamente estudaram-na por si mesmos. Estamos nós, nesta batalha final do grande conflito, tão fiéis ao nosso encargo como os primeiros reformadores o foram ao seu?

“Tocai a buzina em Sião, santificai um jejum, proclamai um dia de proibição; congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai os filhinhos. [...] Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a Teu povo, ó Senhor, e não entregues a Tua herança ao opróbrio.” “Convertei-vos a Mim de todo o vosso coração, e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não os vossos vestidos, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque Ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-Se, e grande em beneficência, e Se arrepende do mal. Quem sabe se Se voltará e Se arrependerá, e deixará após Si uma bênção?” Joel 2:15-17, 12-14.

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

Abrir em sua própria página