Cristo Nossa Esperança
Plano Encontro 4 Dia 129
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Leitura do livro
Profetas e Reis, páginas 144-146
Capítulo 23 — O cativeiro assírio
Os últimos anos do malfadado reino de Israel foram assinalados pela violência e derramamento de sangue como jamais havia sido testemunhado mesmo nos piores períodos de lutas e inquietação sob a casa de Acabe. Por mais de dois séculos os governantes das dez tribos haviam estado a semear ventos; agora colhiam tempestade. Rei após rei havia sido assassinado a fim de abrir caminho para que outros ambiciosos reinassem. “Eles fizeram reis”, declara o Senhor a respeito desses ímpios usurpadores, “mas não por Mim; constituíram príncipes, mas Eu não o soube”. Oséias 8:4. Todo princípio de justiça fora posto de lado; os que deviam ter-se posto ante as nações da Terra como depositários da graça divina, “aleivosamente se houveram contra o Senhor” (Oséias 5:7) e uns contra os outros.
Com as mais severas reprovações, Deus buscou despertar a nação impenitente para a realidade do iminente perigo de sua completa destruição. Por intermédio de Oséias e Amós Ele enviou às dez tribos mensagem após mensagem, exigindo amplo e completo arrependimento, e ameaçando-os com calamidades como resultado da contínua transgressão. “Lavrastes a impiedade”, declarou Oséias, “segastes a perversidade, e comestes o fruto da mentira; porque confiaste no teu caminho, na multidão dos teus valentes. Portanto entre o teu povo se levantará um grande tumulto e todas as tuas fortalezas serão destruídas. [...] O rei de Israel de madrugada será totalmente destruído”. Oséias 10:13-15.
De Efraim o profeta declarou: “Estrangeiros lhe comeram a força, e ele não o sabe; também as cãs se espalharam sobre ele, e não o sabe”. Oséias 7:9. “Israel rejeitou o bem”. Oséias 8:3. “Quebrantado no juízo” (Oséias 5:11), incapazes de discernir a desastrosa perspectiva de seu mau caminho, as dez tribos deviam logo andar como vagabundas “entre as nações”. Oséias 9:17.
Alguns dos líderes em Israel sentiam agudamente sua perda de prestígio, e desejavam poder reconquistá-lo. Mas em vez de abandonar aquelas práticas que haviam levado o enfraquecimento ao reino, continuaram em iniqüidade, lisonjeando-se com o pensamento de que quando surgisse a ocasião, poderiam alcançar o poder político desejado, aliando-se com os pagãos. “Quando Efraim viu a sua enfermidade, e Judá a sua chaga, subiu Efraim à Assíria”. Oséias 5:13. “Efraim é como uma pomba enganada, sem
entendimento; invocam o Egito, vão para a Assíria”. Oséias 7:11. “Fazem aliança com a Assíria”. Oséias 12:1.
Por intermédio do homem de Deus que aparecera ante o altar de Betel, por intermédio de Elias e de Eliseu, de Amós e Oséias, o Senhor repetidamente expusera ante as dez tribos os males da desobediência. Não obstante as reprovações e rogos, Israel caiu cada vez mais baixo na apostasia. “Como uma vaca rebelde se rebelou Israel” (Oséias 4:16), declarou o Senhor; “Meu povo é inclinado a desviar-se de Mim”. Oséias 11:7.
Ocasiões houve em que os juízos do Céu caíram pesadamente sobre o povo rebelde. “Por isso os abati pelos profetas”, declarou Deus; “pela palavra de Minha boca os matei; e os Teus juízos sairão como a luz. Porque Eu quero misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus mais do que os holocaustos. Mas eles transpassaram o concerto, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra Mim”. Oséias 6:5-7.
“Ouvi a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel”, foi a mensagem que finalmente lhes veio; “visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também Eu Me esquecerei de teus filhos. Como eles se multiplicaram, assim contra Mim pecaram; Eu mudarei a sua honra em vergonha. [...] Visitarei sobre eles os seus caminhos, e lhes darei a recompensa das suas obras”. Oséias 4:1, 6-9.
A iniqüidade em Israel durante o último meio século antes do cativeiro assírio, era comparável à dos dias de Noé, e de qualquer outro século em que os homens tenham rejeitado a Deus e se entregado inteiramente à prática do mal. A exaltação da natureza acima do Deus da natureza, a adoração da criatura em lugar do Criador, tem sempre resultado nos mais crassos males. Assim, quando o povo de Israel, em seu culto a Baal e Astarote, renderam suprema homenagem às forças da natureza, desvincularam-se de tudo que é inspirador e enobrecedor e caíram presa fácil da tentação. Com as defesas da alma destruídas, não tinham os enganados adoradores qualquer barreira contra o pecado, e renderam-se às más paixões do coração humano.
Contra a indisfarçada opressão, a flagrante injustiça, o luxo inusitado e extravagante, despudorados banquetes e bebedeiras, a grosseira licenciosidade e deboche de seu tempo, os profetas ergueram a voz; mas seus protestos foram vãos, em vão foi a denúncia do pecado. “Aborrecem na porta aos que repreendem”, declarou Amós, “e abominam o que fala sinceramente”. “Afligis o justo, tomais resgate, e rejeitais os necessitados na porta”. Amós 5:10, 12.
Tais eram alguns dos resultados que se tinham seguido ao estabelecimento de dois bezerros de ouro por Jeroboão. O primeiro afastamento das formas estabelecidas de adoração levara-os à introdução das mais grosseiras formas de idolatria, até que finalmente quase todos os habitantes da terra haviam-se entregue a sedutoras práticas de culto à natureza.
Esquecendo o seu Criador, os filhos de Israel “mui profundamente se corromperam”. Oséias 9:9.
Os profetas continuaram a protestar contra esses males, e a reclamar a prática do bem. “Semeai para vós em justiça, ceifai segundo a misericórdia”, apelava Oséias, “lavrai o campo da lavoura; porque é tempo de buscar ao Senhor, até que venha e chova a justiça sobre vós”. Oséias 10:12. “Tu, pois, converte-te a teu Deus; guarda a beneficência e o juízo, e em teu Deus espera sempre”. Oséias 12:6. Converte-te, ó Israel, ao Senhor teu Deus; porque pelos teus pecados tens caído. [...] Dizei-Lhe: Expulsa toda a iniqüidade, e recebe o bem”. Oséias 14:1, 2.
Aos transgressores foram dadas muitas oportunidades para se arrependerem. Em sua hora de mais profunda apostasia e maior necessidade, a mensagem de Deus a eles foi uma mensagem de perdão e esperança. “Para tua perda, ó Israel”, Ele declarou, “tu te rebelaste contra Mim, contra o teu Ajudador. Onde está agora o teu rei, para que te guarde?” Oséias 13:9, 10.
“Vinde, tornemos para o Senhor”, o profeta suplicava, “porque Ele despedaçou, e nos sarará; fez a ferida, e a ligará. Depois de dois dias nos dará a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará, e viveremos diante dEle. Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva será a Sua saída; e Ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra”. Oséias 6:1-3.
Aos que tinham perdido de vista o plano dos séculos para o livramento dos pecadores iludidos pelo poder de Satanás, o Senhor ofereceu restauração e paz. “Eu sararei a sua perversão, Eu voluntariamente os amarei”, o Senhor declarou; “porque a Minha ira se apartou dele. Eu serei para Israel como orvalho; ele florescerá como o lírio, e espalhará as suas raízes como o Líbano. Voltarão os que se assentarem à sua sombra; serão vivificados como o trigo, e florescerão como a vide; a sua memória será como o vinho do Líbano. Efraim dirá: Que mais tenho eu com os ídolos? eu o tenho ouvido, e isso considerarei; eu sou como a faia verde; de mim é achado o teu fruto.
“Quem é sábio, para que entenda estas coisas?
Prudente, para que as saiba?
Porque os caminhos do Senhor são retos,
e os justos andarão neles,
mas os transgressores neles cairão”.
Os benefícios de buscar a Deus foram fortemente expostos. “Buscai-Me”, convidou o Senhor, “e vivei. Mas não busqueis a Betel, nem venhais a Gilgal, nem passeis a Berseba, porque Gilgal certamente será levado cativo, e Betel será desfeito em nada”.
“Buscai, o bem e não o mal, para que vivais; e assim o Senhor, o Deus dos exércitos, estará convosco, como dizeis. Aborrecei o mal, e amai o bem, e estabelecei o juízo na porta. Talvez o Senhor, o Deus dos exércitos, tenha piedade do resto de José”. Amós 5:4, 5, 14, 15.
Profetas e Reis · Ellen G. White