Cristo Nossa Esperança

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Leitura do livro

Profetas e Reis, páginas 134-135

apenas um mínimo respeito por Deus, reconheceu no profeta um pai em Israel, e admitiu que sua presença entre eles fora de mais valor em tempo de prova do que a posse de um exército de cavalos e carros. No relato está escrito: “E Eliseu estava doente da sua doença de que morreu; e Jeoás, rei de Israel, desceu a ele, e chorou sobre o seu rosto, e disse: Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros”. 2 Reis 13:14.

O profeta havia desempenhado em favor de muita alma turbada e necessitada de auxílio o papel de um pai sábio e compreensivo. No presente exemplo ele não voltou as costas ao jovem sem Deus que tinha diante de si, tão indigno da posição de confiança que estava ocupando, e contudo tão grandemente necessitado de conselho. Deus em Sua providência estava dando ao jovem rei uma oportunidade para redimir as faltas do passado, de molde a pôr o seu reino em terreno vantajoso. Os inimigos, os sírios, agora ocupando o território a leste do Jordão, deviam ser repelidos. Uma vez mais o poder de Deus devia ser manifestado em favor do extraviado Israel.

O moribundo profeta ordenou ao rei: “Toma um arco e flechas”. Jeoás obedeceu. Então o profeta disse: “Põe a tua mão sobre o arco”. Jeoás “pôs sobre ele a sua mão; e Eliseu pôs as suas mãos sobre as mãos do rei. E disse: Abre a janela para o oriente” — para as cidades dalém do Jordão que estavam na posse dos sírios. Havendo o rei aberto a janela de treliças, Eliseu ordenou-lhe que disparasse a flecha. Percorrendo o dardo o seu caminho, foi o profeta inspirado a dizer: “A flecha do livramento do Senhor é a flecha do livramento contra os sírios; porque ferirás os sírios em Afeque, até os consumir”.

Então o profeta provou a fé do rei. Ordenando que Jeoás tomasse as flechas, ele disse: “Fere a terra”. Três vezes o rei feriu o chão, e então se deteve. “Cinco ou seis vezes a deverias ter ferido”, Eliseu exclamou consternado, “então feririas os sírios até os consumir; porém agora só três vezes ferirás os sírios”. 2 Reis 13:15-19.

A lição é para todos os que ocupam posição de confiança. Quando Deus abre o caminho para a realização de certa obra, e dá garantias de sucesso, o instrumento escolhido deve fazer tudo que estiver em seu poder para alcançar os resultados prometidos. O sucesso será proporcional ao entusiasmo e perseverança com que o trabalho é levado a cabo. Deus pode operar milagres em favor de Seu povo unicamente quando este desempenha sua parte com incansável energia. Ele reclama para Sua obra homens de devoção, homens de coragem moral, com ardente amor pelas almas e zelo que nunca esmorece. Tais obreiros não acharão nenhuma tarefa demasiado árdua, nenhuma perspectiva demasiado sem esperança; eles trabalharão, indômitos, até que a aparente derrota seja tornada em gloriosa vitória. Nem mesmo as paredes das prisões, ou o martírio em perspectiva, levá-los-á a mudar de rumo em seus propósitos de trabalhar unidos com Deus para a edificação de Seu reino.

Com o conselho e o encorajamento dado a Jeoás, estava finda a tarefa de Eliseu. Aquele sobre quem havia descido em grande medida o espírito que repousava sobre Elias, provara-se fiel até o fim. Nunca vacilara. Nunca perdera sua confiança no poder da Onipotência. Sempre, quando o caminho diante de si parecia inteiramente fechado, ainda avançara pela fé, e Deus honrara sua confiança e abrira diante dele o caminho.

Não foi dado a Eliseu seguir seu mestre num carro de fogo. Sobre ele o Senhor permitiu que viesse uma prolongada enfermidade. Durante as longas horas de sofrimento e fraqueza humana, sua fé permaneceu posta nas promessas de Deus, e ele sentiu sempre em torno de si mensageiros celestiais de conforto e paz. Como nos altos de Dotã ele vira os exércitos circundantes do Céu, os carros de fogo de Israel e seus cavaleiros, estava ele agora cônscio da presença cheia de simpatia dos anjos; e foi sustentado. Através de sua vida havia exercido forte fé; e ao avançar no conhecimento das providências de Deus e de Sua graciosa bondade, a fé havia amadurecido em inamovível confiança em Deus; e quando a morte o chamou, ele estava pronto para repousar de seus labores.

“Preciosa é à vista do Senhor a morte dos Seus santos”. Salmos 116:15. “O justo até na sua morte tem esperança”. Provérbios 14:32. Como o salmista, Eliseu podia dizer com toda a confiança: “Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá”. Salmos 49:15. E com alegria podia testificar. “Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim Se levantará sobre a Terra”. Jó 19:25. “Quanto a mim, contemplarei a Tua face na justiça; satisfar-me-ei da Tua semelhança quando acordar”. Salmos 17:15.

Profetas e Reis · Ellen G. White

Passagem bíblica

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