Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 95
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 176-177
“Eu Sou o Que Sou.” “Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós”. Êxodo 3:13, 14.
Moisés recebeu ordem de congregar primeiramente os anciãos de Israel, os mais nobres e justos entre eles, os quais desde muito se haviam afligido por causa de seu cativeiro, e declarar-lhes uma mensagem de Deus, com uma promessa de livramento. Devia então ir com os anciãos perante o rei, e dizer-lhe: “O Deus dos hebreus nos encontrou; portanto, deixa-nos agora ir caminho de três dias no deserto, para que ofereçamos sacrifícios ao Senhor”. Êxodo 3:18.
Moisés fora prevenido de que Faraó resistiria ao apelo de deixar ir Israel. Todavia a coragem do servo de Deus não devia faltar; pois o Senhor com isto aproveitaria a ocasião para manifestar Seu poder perante os egípcios e perante o Seu povo. “Eu estenderei a Minha mão, e ferirei ao Egito com todas as Minhas maravilhas que farei no meio dele; depois vos deixará sair”. Êxodo 3:20.
Foram também dadas instruções quanto às provisões que deviam fazer para a viagem. O Senhor declarou: “Acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios, porque cada mulher pedirá à sua vizinha, e à sua hóspeda, vasos de prata, e vasos de ouro, e vestidos”. Êxodo 3:21, 22. Os egípcios tinham enriquecido pelo trabalho injustamente exigido dos israelitas, e como estes estavam para partir em viagem para a sua nova morada, era justo que reclamassem a recompensa de seus anos de labuta.
Deviam pedir artigos de valor, que pudessem ser facilmente transportados, e Deus lhes daria graça aos olhos dos egípcios. Os grandes prodígios operados para o seu livramento, aterrorizariam os opressores, de maneira que o pedido dos escravos seria satisfeito.
Moisés viu diante de si dificuldades que pareciam insuperáveis. Que prova poderia ele dar a seu povo de que Deus na verdade o enviara? “Eis que me não crerão”, disse ele, “nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te apareceu.” Provas que apelavam aos seus sentidos foram-lhe então dadas. Foi-lhe dito que atirasse sua vara ao chão. Fazendo-o ele, “tornou-se em cobra”; “e Moisés fugia dela”. Recebeu ordem de apanhá-la, e em sua mão se tornou em vara. Foi-lhe mandado pôr a mão no seio. Obedeceu, “e, tirando-a, eis que sua mão estava leprosa, branca como a neve”. Êxodo 4:1-6. Dizendo-se-lhe que de novo a pusesse no seio, viu, ao retirá-la que se tornara como a outra. Por estes sinais o Senhor assegurou a Moisés que Seu povo bem como Faraó convencer-se-iam de que um Ser mais poderoso do que o rei do Egito Se manifestava entre eles.
Mas o servo de Deus ainda se deixava vencer pelo pensamento da estranha e maravilhosa obra que diante dele estava. Em sua aflição e temor, agora alegava como desculpa a falta de uma fala desembaraçada: “Ah Senhor! eu não sou homem eloqüente, nem de ontem nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado a Teu servo; porque sou pesado de boca
e pesado de língua”. Êxodo 4:10. Durante tanto tempo havia ele estado afastado dos egípcios, que não tinha um conhecimento tão claro e um uso tão pronto da língua, como quando estivera entre eles.
O Senhor lhe disse: “Quem fez a boca do homem? ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou Eu, o Senhor?” A isto acrescentou-se outra segurança do auxílio divino: “Vai pois agora, e Eu serei com a tua boca, e te ensinarei o que hás de falar”. Êxodo 4:11, 12. Mas Moisés ainda rogou que fosse escolhida uma pessoa mais competente. Estas escusas a princípio procederam da humildade e retraimento; mas depois que o Senhor prometera remover todas as dificuldades, e dar-lhe afinal o êxito, qualquer nova recusa e queixa a respeito de sua inaptidão, mostravam falta de confiança em Deus. Isto envolvia um receio de que Deus fosse incapaz de habilitá-lo para a grande obra, para a qual o chamara, ou de que houvesse Ele cometido um erro na escolha do homem.
Moisés então foi mandado ir ter com Arão, seu irmão mais velho, que, tendo estado em uso diário da língua dos egípcios, podia falá-la perfeitamente. Foi-lhe dito que Arão vinha ao seu encontro. As palavras seguintes do Senhor foram uma ordem positiva:
“Tu lhe falarás e porás as palavras na sua boca; Eu serei com a tua boca, e com a sua boca, ensinando-vos o que haveis de fazer. E ele falará por ti ao povo; e acontecerá que ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus. Toma pois esta vara na tua mão, com que farás os sinais”. Êxodo 4:15-17. Moisés não mais poderia opor resistência; pois todo o motivo de escusa fora removido.
A ordem divina dada a Moisés encontrou-o sem confiança em si, tardo no falar, e tímido. Sentia-se vencido pela intuição de sua incapacidade de ser o porta-voz de Deus para Israel. Havendo, porém, aceito o trabalho, deu-lhe início com todo o coração, depositando toda a confiança no Senhor. A grandeza de sua missão chamava à atividade as melhores faculdades de seu espírito. Deus lhe abençoou a pronta obediência, e ele se tornou eloqüente, esperançoso e senhor de si, e bem adaptado para a maior obra que já foi entregue ao homem. Isto é um exemplo do que Deus faz para fortalecer o caráter daqueles que nEle confiam amplamente, e dar-lhes, sem reserva, as Suas ordens.
O homem adquirirá força e eficiência ao aceitar as responsabilidades que Deus põe sobre ele, e procurar de toda sua alma qualificar-se para dela se desincumbir devidamente. Por humilde que seja a sua posição ou limitada a sua habilidade, atingirá a verdadeira grandeza o homem que, confiando na força divina, procura efetuar sua obra com fidelidade. Houvesse Moisés confiado em sua própria força e sabedoria, e com avidez aceito o grande encargo, e teria evidenciado sua completa inaptidão para tal obra. O fato de que um homem sente a sua fraqueza, é ao menos alguma prova de que ele se compenetra da magnitude da obra a ele designada, e de que fará de Deus seu conselheiro e força.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White