Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 53
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 113-114
que o dia do Senhor vem, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a Terra em assolação, e destruir os pecadores dela”. Isaías 13:9. A maioria no mundo rejeitará a misericórdia de Deus, e submergir-se-á na repentina e irreparável ruína. Mas aquele que atender à advertência, habitará “no esconderijo do Altíssimo”, e “à sombra do Onipotente descansará”. “Sua verdade” será seu “escudo e broquel”. Para ele é a promessa: “Dar-lhe-ei abundância de dias, e lhe mostrarei a Minha salvação”. Salmos 91:1, 4, 16.
Apenas pouco tempo habitou Ló em Zoar. A iniqüidade prevalecia ali como em Sodoma, e ele temeu ficar pelo receio de ser destruída a cidade. Não muito tempo depois Zoar foi consumida, conforme fora o intuito de Deus. Ló encaminhou-se para as montanhas e habitou em uma caverna, despojado de tudo aquilo por cujo amor ousara sujeitar sua família às influências de uma cidade ímpia. Mas a maldição de Sodoma seguiu-o mesmo ali. A conduta pecaminosa de suas filhas foi o resultado das más associações naquele vil lugar. A corrupção moral do mesmo se entretecera de tal maneira com o caráter delas que não podiam discernir entre o bem e o mal. A única posteridade de Ló, os moabitas e amonitas, foram tribos vis, idólatras, rebeldes a Deus, e inimigos de Seu povo.
Em grande contraste com a vida de Abraão estava a de Ló! Já tinham sido companheiros, adorando no mesmo altar, morando ao lado um do outro em suas tendas de peregrinos; mas quão diversamente diferençados agora! Ló escolhera Sodoma para seu prazer e proveito. Deixando o altar de Abraão e seu sacrifício diário ao Deus vivo, permitira a seus filhos misturar-se com um povo corrupto e idólatra; retivera contudo em seu coração o temor de Deus, pois declaram as Escrituras ter sido ele um homem “justo”; sua alma justa enfadava-se com a conversação vil que diariamente vinha a seus ouvidos, e ele era impotente para impedir a violência e o crime. Foi finalmente salvo como “um tição tirado do fogo” (Zacarias 3:2), despojado contudo de suas posses, privado da esposa e filhos, habitando em cavernas, como os animais selvagens, coberto de infâmia em sua velhice; e deu ao mundo, não uma raça de homens justos, mas duas nações idólatras, em inimizade com Deus e a guerrear contra o Seu povo, até que, enchendo-se sua taça de iniqüidade, foram destinadas à destruição. Quão terríveis foram os resultados que se seguiram a um passo desacertado!
Diz o sábio: “Não te canses para enriqueceres; dá de mão à tua própria sabedoria”. Provérbios 23:4. “O que se dá à cobiça perturba a sua casa, mas o que aborrece as dádivas viverá”. Provérbios 15:27. E o apóstolo Paulo declara: “Os que querem ser ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína”. 1 Timóteo 6:9.
Quando Ló entrou em Sodoma, inteiramente se propunha ele conservar-se livre da iniqüidade, e ordenar a sua casa depois dele. Mas, de maneira bem patente, fracassou. As influências corruptoras em redor
dele tiveram efeito sobre sua fé, e a relação de seus filhos para com os habitantes de Sodoma ligaram até certo ponto seus interesses com os deles. O resultado está diante de nós.
Muitos ainda estão cometendo erro semelhante. Escolhendo um lar, olham mais para as vantagens temporais que podem adquirir do que para as influências morais e sociais que cercarão a eles e suas famílias. Escolhem um território belo e fértil, ou mudam-se para alguma cidade florescente, na esperança de conseguir maior prosperidade; mas seus filhos se acham rodeados de tentações, e muitas vezes formam camaradagens que são desfavoráveis ao desenvolvimento da piedade e à formação de um caráter reto. A atmosfera de moralidade frouxa, de incredulidade, de indiferença às coisas religiosas, tem uma tendência para contrariar a influência dos pais. Exemplos de rebelião contra a autoridade paternal, e divina, estão sempre diante dos jovens; muitos fazem amizades com ateus e incrédulos, e lançam sua sorte com os inimigos de Deus.
Ao escolhermos uma residência, Deus quer que consideremos antes de tudo as influências morais e religiosas que nos rodearão, a nós e a nossas famílias. Podemos achar-nos em situações difíceis, pois que muitos não podem ter o seu ambiente conforme quereriam; e, onde quer que o dever nos chame, Deus nos habilitará a permanecer incontaminados, se orarmos e vigiarmos, confiando na graça de Cristo. Mas não devemos expor-nos desnecessariamente a influências desfavoráveis à formação de caráter cristão. Quando voluntariamente nos colocamos em uma atmosfera de mundanismo e incredulidade, desagradamos a Deus, e de nossos lares repelimos os santos anjos.
Aqueles que procuram para seus filhos riquezas e honras mundanas, às expensas de seus interesses eternos, acharão no fim que estas vantagens são uma perda terrível. Semelhantes a Ló, muitos vêem seus filhos na perdição, e apenas conseguem salvar sua própria alma. Perde-se o trabalho de sua vida; esta é um triste malogro. Se tivessem exercido verdadeira sabedoria, seus filhos poderiam ter tido menos prosperidade mundana, mas ter-se-iam assegurado um título à herança imortal.
A herança que Deus prometeu a Seu povo não está neste mundo. Abraão não teve possessão na Terra, “nem ainda o espaço de um pé”. Atos dos Apóstolos 7:5. Ele possuía muitos recursos, e deles fazia uso para a glória de Deus e para o bem de seus semelhantes; mas não olhava para este mundo como sua pátria.
O Senhor o chamara para deixar seus patrícios idólatras, com a promessa da terra de Canaã em possessão eterna; todavia nem ele, nem seu filho, nem o filho de seu filho, a recebeu. Quando Abraão quis um lugar para sepultar seus mortos teve de comprá-lo aos cananeus. Sua única possessão na terra da promessa foi aquele túmulo cavado na pedra, na caverna de Macpela.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White