Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 40
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 88-90
piedade dos cristãos constitui a norma pela qual os mundanos julgam o evangelho. Provações pacientemente suportadas, bênçãos recebidas com agradecimento, mansidão, bondade, misericórdia, e amor, manifestados habitualmente, são as luzes que resplandecem no caráter perante o mundo, revelando o contraste com as trevas que vêm do egoísmo do coração natural.
Rico na fé, nobre em generosidade, inabalável na obediência, e humilde na simplicidade de sua vida peregrina, Abraão era também sábio em diplomacia, e corajoso e hábil na guerra. Apesar de saber-se que ele era ensinador de uma nova religião, três régios irmãos, governadores das planícies dos amorreus, na qual ele habitava, manifestaram sua amizade, convidando-o a entrar em aliança com eles para maior segurança; pois o país estava cheio de violência e opressão. Uma ocasião logo se apresentou para ele aproveitar-se desta aliança.
Quedorlaomer, rei de Elão, tinha invadido Canaã catorze anos antes, e a tornara sua tributária. Vários dos príncipes revoltaram-se agora, e o rei elamita, com quatro aliados, de novo marchou contra o país para os reduzir à submissão. Cinco reis de Canaã uniram suas forças, e enfrentaram os invasores no vale de Sidim, mas tão-somente para serem completamente derrotados. Grande parte do exército foi trucidada; e os que escaparam fugiram para as montanhas em busca de segurança. Os vitoriosos saquearam as cidades da planície, e partiram com rico despojo e muitos cativos, entre os quais se encontrava Ló com sua família.
Abraão, habitando em paz nos carvalhais de Manre, soube por um dos fugitivos a história da batalha, e a calamidade que sobreviera ao sobrinho. Não alimentara qualquer lembrança desagradável da ingratidão de Ló. Despertou-se toda a sua afeição por ele, e decidiu que devia ser libertado. Procurando antes de tudo o conselho divino, Abraão preparou-se para a guerra. Do seu próprio acampamento convocou trezentos e dezoito servos adestrados, homens ensinados no temor de Deus, no serviço de seu senhor, e no uso das armas. Seus aliados, Manre, Escol e Aner, uniram-se a ele com os seus grupos, e juntos partiram em perseguição dos invasores. Os elamitas e seus aliados tinham-se acampado em Dã, na fronteira ao Norte de Canaã. Entusiasmados pela vitória, e não tendo receio de um assalto por parte de seus adversários vencidos, entregaram-se à orgia. O patriarca dividiu suas forças de modo a aproximar-se por diversas direções, e veio sobre o acampamento à noite. Seu ataque, tão vigoroso e inesperado, resultou em uma rápida vitória. O rei de Elão foi morto, e suas forças, tomadas de pânico foram postas em fuga. Ló e sua família, com todos os prisioneiros e seus bens, foram recuperados, e um rico despojo caiu nas mãos dos vitoriosos. A Abraão, abaixo de Deus, foi devido o triunfo. O adorador de Jeová não somente havia prestado um grande serviço ao país, mas mostrara-se ser um homem de valor. Viu-se que a justiça não é covardia, e que a religião de Abraão tornava-o corajoso ao manter o direito e defender os oprimidos.
Seu heróico ato deu-lhe uma dilatada influência entre as tribos circunvizinhas. À sua volta, o rei de Sodoma saiu com seu séquito para honrar o vencedor. Rogou-lhe que tomasse os bens, pedindo tão-somente que os prisioneiros fossem restituídos. Pelos usos da guerra, o despojo pertencia aos vencedores; mas Abraão não empreendera esta expedição com o intuito de lucros, e recusou-se a tirar vantagem daquele que fora infeliz, estipulando apenas que seus aliados recebessem a parte a que tinham direito.
Poucos, sendo submetidos a tal prova, ter-se-iam mostrado tão nobres como Abraão. Poucos teriam resistido à tentação de adquirir um despojo tão rico. Seu exemplo é uma reprovação aos espíritos egoístas e mercenários. Abraão tomava em consideração os direitos da justiça e humanidade. Sua conduta ilustra a máxima inspirada: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Levítico 19:18. “Levantei minha mão ao Senhor”, disse ele, “o Deus altíssimo, o Possuidor dos Céus e da Terra, que desde um fio até à correia dum sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu, para que não digas: Eu enriqueci a Abraão”. Gênesis 14:17-24. Ele não lhes daria ocasião para pensarem que se empenhara em guerra por amor ao ganho, ou para atribuírem sua prosperidade a dádivas ou favor deles. Deus prometera abençoar Abraão, e a Ele seria atribuída a glória.
Outro que viera para dar as boas-vindas ao patriarca vitorioso, foi Melquisedeque, rei de Salém, que trouxe pão e vinho para alimento de seu exército. Como “sacerdote do Deus altíssimo, pronunciou uma bênção sobre Abraão, e deu graças ao Senhor que operara um tão grande livramento por meio de Seu servo. E Abraão “deu-lhe o dízimo de tudo”.
Abraão voltou com alegria para as suas tendas e rebanhos; mas seu espírito estava perturbado por pensamentos que o incomodavam. Tinha sido um homem de paz, excluindo tanto quanto possível a inimizade e a contenda; e com horror lembrava-se das cenas de carnificina que testemunhara. Mas as nações cujas forças ele havia derrotado, sem dúvida renovariam a invasão de Canaã, e dele fariam o objeto especial de sua vingança. Envolvendo-se desta maneira em questões nacionais, quebrar-se-ia a calma pacífica de sua vida. Demais, ele não havia entrado na posse de Canaã, tampouco poderia ter então esperança de um herdeiro, a quem pudesse cumprir-se a promessa.
Em uma visão da noite ouviu de novo a voz divina. “Não temas, Abraão”, foram as palavras do Príncipe dos príncipes; “Eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão”. Gênesis 15:1-5. Mas sua mente estava tão oprimida com sinais que ele não pôde então apreender a promessa com implícita confiança, como antes fazia. Orou pedindo alguma prova palpável de que ela se cumpriria. E como deveria cumprir-se a promessa do concerto, enquanto o dom de um filho lhe era recusado? “Que me hás de dar”, disse ele, “pois ando sem filhos?” Gênesis 15:2. “E eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro”. Gênesis 15:3. Propôs fazer de seu
fiel servo Eliézer seu filho adotivo, e herdeiro de suas posses. Mas foi-lhe assegurado que um filho dele mesmo seria o seu herdeiro. Levado para fora de sua tenda, foi-lhe dito que olhasse para as incontáveis estrelas a resplandecer nos céus; e, fazendo ele isto, foram proferidas estas palavras: “Assim será a tua semente”. Gênesis 15:5. “Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça”. Romanos 4:3.
O patriarca pediu ainda algum sinal visível em confirmação de sua fé, e como prova para as gerações posteriores de que os propósitos de Deus, cheios de graça, para com elas, seriam cumpridos. O Senhor condescendeu em fazer um concerto com Seu servo, empregando as mesmas formas que eram usuais entre os homens para a ratificação de um contrato solene. Por determinação divina, Abraão sacrificou uma bezerra, uma cabra e um carneiro, cada um de três anos, dividindo os corpos, e pondo os pedaços a pequena distância entre si. A estes acrescentou ele uma rola e um pombinho, que, entretanto, não foram divididos. Isto feito, reverentemente passou entre as partes do sacrifício, fazendo a Deus um voto solene de perpétua obediência. Atento e perseverante permaneceu ao lado dos corpos mortos, até baixar-se o Sol, a fim de os guardar de serem contaminados ou comidos pelas aves de rapina. Aproximadamente ao pôr-do-sol, caiu em um profundo sono; “e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre ele”. Gênesis 15:7-18. Ouvida a voz de Deus, ordenando-lhe que não esperasse a posse imediata da terra prometida, e indicando no futuro os sofrimentos de sua posteridade antes de seu estabelecimento em Canaã. O plano da redenção foi-lhe desvendado, tanto em relação à morte de Cristo, o grande sacrifício, como à Sua vinda em glória. Abraão viu também a Terra restabelecida à sua beleza edênica, para lhe ser dada em possessão eterna, como o cumprimento final e completo da promessa.
Como garantia deste concerto de Deus com os homens, um forno de fumo e uma tocha de fogo, símbolos da presença divina, passaram por entre as vítimas repartidas, consumindo-as totalmente. E de novo foi ouvida por Abraão uma voz, confirmando a dádiva da terra de Canaã a seus descendentes, “desde o rio Egito até o grande rio Eufrates”.
Quando Abraão tinha estado quase vinte e cinco anos em Canaã, o Senhor lhe apareceu e disse-lhe: “Eu sou o Deus todo-poderoso, anda em Minha presença e sê perfeito”. Gênesis 17:1-16. Com temor reverente, o patriarca prostrou-se, rosto em terra, e a mensagem continuou: “Eis o Meu concerto contigo é, e serás o pai de uma multidão de nações”. Gênesis 17:4. Em sinal do cumprimento deste concerto, seu nome, que até ali era Abrão, foi mudado para Abraão, que significa: “pai de uma multidão”. Gênesis 17:5. O nome de Sarai tornou-se Sara — “princesa”, “porque”, disse a voz divina, “será mãe das nações; reis de povos sairão dela”. Gênesis 17:16.
Nesta ocasião o rito da circuncisão foi dado a Abraão como “selo da justiça da fé quando estava na incircuncisão”. Romanos 4:11. Deveria ser observado
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White