Cristo Nossa Redenção

Plano Encontro 3 Dia 352

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Leitura do livro

Patriarcas e Profetas, páginas 549-550

Davi e sua força recuaram a Maanaim, que tinha sido a sede real de Isbosete. Esta era uma cidade poderosamente fortificada, rodeada de uma região montanhosa, favorável à retirada em caso de guerra. O território era bem provido, e o povo era amigo da causa de Davi. Ali muitos partidários se uniram a ele, enquanto ricos chefes de tribos vizinhas traziam abundantes presentes de provisões, e outros suprimentos necessários.

O conselho de Husai conseguira seu objetivo, obtendo para Davi oportunidade para escapar; mas o príncipe, precipitado e impetuoso, não pôde por muito tempo ser restringido, e logo se pôs em perseguição de seu pai. “E Absalão passou o Jordão, ele e todo o homem de Israel com ele”. 2 Samuel 17:24. Absalão constituiu comandante-geral de suas forças a Amasa, filho de Abigail, irmã de Davi. Seu exército era grande, mas indisciplinado, e mal preparado para competir com os soldados experimentados de seu pai.

Davi dividiu suas forças em três batalhões sob o comando de Joabe, Abisai, e Itai, o geteu. Tinha sido seu propósito conduzir ele mesmo seu exército ao campo; mas contra isto os oficiais do exército, os conselheiros e o povo veemente protestaram. “Não sairás”, disseram, “porque, se formos obrigados a fugir, não porão o coração em nós; e, ainda que metade de nós morra, não porão o coração em nós, porque ainda, tais como nós somos, ajuntarás dez mil. Melhor será, pois, que da cidade nos sirvas de socorro. Então Davi lhes disse: O que bem parecer aos vossos olhos, farei”. 2 Samuel 18:3, 4.

Dos muros da cidade, as longas fileiras do exército rebelde estavam bem à vista. O usurpador era acompanhado de uma hoste vasta, em comparação com a qual a força de Davi não parecia senão um punhado. Mas, olhando o rei para as forças oponentes, o pensamento máximo em seu espírito não era a coroa e o reino, nem sua própria vida, que dependia da ação da batalha. O coração do pai estava cheio de amor e compaixão para com seu filho rebelde. Saindo em fileiras o exército pelas portas da cidade, Davi animou os seus fiéis soldados, mandando-lhes que saíssem confiantes em que o Deus de Israel lhes daria a vitória. Mas mesmo agora ele não pôde reprimir seu amor para com Absalão. Quando Joabe, o vencedor em cem campos de batalha, conduzindo a primeira coluna, passou pelo seu rei, curvou a altiva cabeça para ouvir sua última mensagem, que dizia com voz trêmula: “Brandamente tratai por amor de mim ao mancebo, a Absalão.” E Abisai e Itai receberam a mesma incumbência: “Brandamente tratai por amor de mim ao mancebo, a Absalão.” Mas a solicitude do rei, parecendo declarar que Absalão lhe era mais caro do que seu reino, e mais caro mesmo do que os súditos fiéis ao seu trono, apenas aumentou a indignação dos soldados contra o filho desnaturado.

O local da batalha foi um bosque próximo do Jordão, em que o grande número do exército de Absalão apenas lhe era uma desvantagem. Por entre os pontos espessos e os pantanais da floresta, aquelas tropas indisciplinadas

se tornaram confusas e não mais podiam ser dirigidas. E “foi ferido o povo de Israel, diante dos servos de Davi; e naquele mesmo dia houve ali uma grande derrota de vinte mil”. 2 Samuel 18:5, 7. Absalão, vendo que era perdida a causa, voltara-se para fugir, quando a cabeça lhe foi apanhada entre os ramos de uma árvore larga; e, saindo seu mulo de debaixo dele, foi deixado desamparadamente suspenso, como presa a seus inimigos. Em tal condição foi encontrado por um soldado, que, de medo de desagradar o rei, poupou Absalão, mas referiu a Joabe o que vira. Joabe não se restringiu por quaisquer escrúpulos. Havia favorecido a Absalão, tendo duas vezes conseguido sua reconciliação com Davi; e a confiança assim manifesta para com ele fora vergonhosamente traída. Se não fossem as vantagens alcançadas por Absalão mediante a intercessão de Joabe, esta rebelião, com todos os seus horrores, jamais poderia ter ocorrido. Agora estava nas mãos de Joabe destruir com um golpe o instigador de todo este mal. “E tomou três dardos e traspassou com eles o coração de Absalão. [...] E levaram Absalão, e o lançaram no bosque, numa grande cova, e levantaram sobre ele um mui grande montão de pedras”. 2 Samuel 18:14, 17.

Assim pereceram os instigadores da rebelião em Israel. Aitofel morrera pela sua própria mão. O príncipe Absalão, cuja gloriosa beleza fora o orgulho de Israel, foi eliminado no vigor da juventude, sendo seu cadáver arremessado em uma cova, e coberto com um monte de pedras, em sinal de ignomínia eterna. Em vida, construíra Absalão para si um custoso monumento no vale do rei; mas a única lembrança que assinalou a sua sepultura foi o monte de pedras no deserto.

Morto o chefe da rebelião, Joabe chamou novamente seu exército, ao som da trombeta, da perseguição à hoste fugitiva, e logo foram expedidos mensageiros para levarem a notícia ao rei.

A sentinela sobre o muro da cidade, olhando para o campo de batalha, descobriu um homem a correr sozinho. Logo um segundo veio a ser visto. Aproximando-se o primeiro, o atalaia disse ao rei, que estava a esperar junto à porta: “Vejo o correr do primeiro, que parece ser o correr de Aimaás, filho de Zadoque. Então disse o rei: Este é homem de bem, e virá com boas-novas. Gritou pois Aimaás, e disse ao rei: Paz. E inclinou-se ao rei com o rosto em terra, e disse: Bendito seja o Senhor, que entregou os homens que levantaram a mão contra o rei meu senhor.” À ansiosa pergunta do rei: “Vai bem com o mancebo, com Absalão?” Aimaás deu uma resposta evasiva.

O segundo mensageiro chegou, clamando: “Anunciar-se-á ao rei meu senhor que hoje o Senhor te vingou da mão de todos os que se levantaram contra ti.” Novamente veio dos lábios do pai a pergunta que o absorvia: “Vai bem com o mancebo, com Absalão?” Sem poder esconder a triste notícia, o arauto respondeu: “Sejam como aquele mancebo os inimigos do rei meu senhor, e todos os que se levantam contra ti para mal.” Era bastante. Davi não fez mais perguntas, mas com a cabeça baixa

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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