Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 499-500

por Deus, quando interrompera os condutos de comunicação que o Céu determinara? Afastara pelo seu pecado o Espírito da graça, e poderia ser atendido por sonhos e revelações do Senhor? Saul não se voltou a Deus com humildade e arrependimento. Não era o perdão do pecado e a reconciliação com Deus, o que ele buscava, mas o livramento de seus adversários. Pela sua obstinação e rebelião, separara-se de Deus. Não poderia voltar a não ser por meio do arrependimento e contrição; mas o orgulhoso rei, em sua angústia e desespero, resolveu buscar auxílio de outra fonte.

Então disse Saul aos seus servos: “Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que vá a ela e a consulte”. 1 Samuel 28:6, 7. Saul tinha completo conhecimento do caráter da necromancia. Tinha sido expressamente proibida pelo Senhor, e fora pronunciada sentença de morte contra todos os que praticassem suas artes profanas. Durante a vida de Samuel, Saul ordenara que todos os encantadores e os que tinham espírito de feitiçaria fossem mortos; mas agora, na precipitação do desespero, recorre àquele oráculo que ele condenara como uma abominação.

Foi dito ao rei que uma mulher que possuía espírito de feitiçaria estava morando em um esconderijo, em En-Dor. Esta mulher entrara em concerto com Satanás, para entregar-se ao seu domínio, e cumprir seus propósitos; e, em troca, o príncipe do mal operava prodígios a ela, e revelava-lhe coisas secretas.

Disfarçando-se, Saul saiu de noite apenas com dois auxiliares, a fim de buscar o retiro da feiticeira. Oh! que deplorável cena! o rei de Israel levado cativo por Satanás, à sua vontade. Que vereda tão tenebrosa, para palmilharem pés humanos, aquela que fora escolhida por quem persistira em ter seu próprio caminho, resistindo às santas influências do Espírito de Deus! Que cativeiro há tão terrível como o daquele que se acha entregue ao domínio do pior dos tiranos? A confiança em Deus e a obediência à Sua vontade eram as únicas condições sob as quais Saul poderia ser rei de Israel. Se ele tivesse satisfeito estas condições durante todo o seu reinado, seu reino teria estado livre de perigo; Deus teria sido o seu guia, e seu escudo o Onipotente. Deus tivera muita paciência com Saul; e, embora sua rebelião e obstinação tivessem quase silenciado a voz divina na alma, havia ainda oportunidade para o arrependimento. Mas, quando em seu perigo se desviou de Deus para obter luz de um aliado de Satanás, rompera o último laço que o ligava ao seu Criador; colocara-se completamente sob o domínio daquele poder diabólico que durante anos tinha sido exercido sobre ele, e que o levara às bordas da destruição.

Sob o manto das trevas, Saul e seus auxiliares se encaminharam através da planície, e, passando com segurança pelas hostes filistéias, atravessaram o cume das montanhas, em direção à morada solitária da pitonisa de En-Dor. Ali a mulher com espírito de feitiçaria escondera-se para que pudesse secretamente continuar com seus profanos encantamentos.

Embora disfarçado como estava, a alta estatura e porte real de Saul declararam que ele não era um soldado comum. A mulher suspeitou que seu visitante era Saul, e seus ricos presentes fortaleceram-lhe as suspeitas. Ao seu pedido: “Peço-te que me adivinhes pelo espírito de feiticeira, e me faças subir a quem eu te disser”, respondeu a mulher: “Eis aqui tu sabes o que Saul fez, como tem destruído da terra os adivinhos e os encantadores; por que, pois me armas um laço à minha vida, para me fazer matar?” Então “Saul lhe jurou pelo Senhor, dizendo: Vive o Senhor, que nenhum mal te sobrevirá por isso”. E, quando ela disse: “A quem te farei subir?” ele respondeu: “a Samuel”.

Depois de praticar seus encantamentos, ela disse: “Vejo deuses que sobem da terra. [...] Vem subindo um homem ancião, e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou”. 1 Samuel 28:8-14.

Não foi o santo profeta de Deus que veio com o poder dos encantamentos de uma pitonisa. Samuel não estava presente naquele antro de espíritos maus. A aparência sobrenatural apenas foi produzida pelo poder de Satanás. Ele poderia tão facilmente tomar a forma de Samuel como pôde tomar a de um anjo de luz quando tentou a Cristo no deserto.

As primeiras palavras da mulher sob o poder de seu encantamento foram dirigidas ao rei: “Por que me tens enganado? Pois tu mesmo és Saul”. 1 Samuel 28:12. Assim, o primeiro ato do espírito mau que personificou o profeta, foi comunicar-se secretamente com aquela ímpia mulher, para avisá-la do engano que fora praticado para com ela. A mensagem a Saul do pretenso profeta foi: “Por que me desinquietaste, fazendo-me subir? Então, disse Saul: Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus Se tem desviado de mim e não me responde mais, nem pelo ministério dos profetas, nem por sonhos; por isso, te chamei a ti, para que me faças saber o que hei de fazer”. 1 Samuel 28:15.

Quando Samuel vivia, Saul desprezara seu conselho, e ressentira-se de suas reprovações. Agora, porém, na hora de sua angústia e calamidade, sentia que a guia do profeta era sua única esperança; e, a fim de comunicar-se com o embaixador do Céu, recorreu em vão ao mensageiro do inferno! Saul se colocara inteiramente no poder de Satanás; e agora aquele cujo único deleite consiste em ocasionar miséria e destruição, prevaleceu-se da oportunidade para efetuar a ruína do infeliz rei. Em resposta ao agoniado rogo de Saul veio a terrível mensagem, que, pretendia-se, provinha dos lábios de Samuel:

“Por que, pois, a mim me perguntas, visto que o Senhor te tem desamparado e se tem feito teu inimigo? Porque o Senhor tem feito para contigo como pela minha boca te disse, e o Senhor tem rasgado o reino da tua mão, e o tem dado ao teu companheiro Davi. Como tu não deste ouvidos à voz do Senhor e não executaste o fervor da Sua ira contra Amaleque,

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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