Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 302
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 472-476
aquilo uma indicação ao jovem acerca do alto destino que o aguardava, a fim de que, por entre todas as experiências variadas e perigos de seus anos vindouros, tal conhecimento pudesse inspirá-lo a ser fiel ao propósito de Deus que deveria ser cumprido por sua vida.
A grande honra conferida a Davi não teve como resultado ensoberbecê-lo. Apesar do elevado cargo que deveria ocupar, continuou silenciosamente com sua ocupação, contente com esperar o desenvolvimento dos planos do Senhor, no tempo e maneira que Lhe aprouvessem. Tão humilde e modesto como antes de sua unção, o pastorzinho voltou às colinas, e vigiava e guardava seus rebanhos com tanta ternura como sempre. Com nova inspiração, porém, compunha suas melodias, e tocava em sua harpa. Diante dele se estendia uma paisagem de rica e variada beleza. As videiras, com seus cachos, resplandeciam à luz solar. As árvores da floresta, com sua verde folhagem, inclinavam-se com a brisa. Via o Sol inundando os céus de luz, saindo como o noivo de sua câmara, e regozijando-se como um herói a percorrer o seu caminho. Havia os altivos cumes dos montes, dirigindo-se para os céus; a grande distância erguiam-se os áridos penhascos da muralha montanhosa de Moabe; por cima de tudo estendia-se o suave azul da abóbada dos céus. E além estava Deus. Ele não O podia ver, mas Suas obras estavam cheias de Seu louvor. A luz do dia, dourando a floresta e a montanha, prados e ribeiros, elevava a mente a ver o Pai das luzes, o Autor de toda a boa e perfeita dádiva. Revelações diárias do caráter e majestade de seu Criador enchiam o coração do jovem poeta, de adoração e regozijo. Na contemplação de Deus e Suas obras, as faculdades do espírito e coração de Davi estavam a desenvolver-se e a fortalecer para a obra de sua vida posterior. Ele diariamente vinha a ter uma comunhão mais íntima com Deus. Sua mente estava constantemente a penetrar novas profundidades, à busca de novos assuntos para inspirar seus cânticos e despertar a música de sua harpa. A pujante melodia de sua voz, derramada no ar, ecoava nas colinas como que em resposta ao regozijo do cântico dos anjos no Céu.
Quem pode medir os resultados daqueles anos de labuta e vaguear entre as solitárias colinas? A comunhão com a natureza e com Deus, o cuidado de seus rebanhos, os perigos e os livramentos, os pesares e as alegrias, coisas que eram próprias à sua humilde condição, não somente deviam modelar o caráter de Davi, e influenciar na sua vida futura, mas também deveriam, mediante os salmos do suave cantor de Israel, e em todas as eras vindouras, acender o amor e a fé nos corações do povo de Deus, levando-os mais perto do coração sempre amante dAquele em quem vivem todas as Suas criaturas.
Davi, na beleza e vigor de sua jovem varonilidade, estava se preparando para assumir uma elevada posição, entre os mais nobres da Terra. Seus talentos, como dons preciosos de Deus, eram empregados para exaltar
a glória do Doador divino. Suas oportunidades para a contemplação e meditação serviam para enriquecê-lo daquela sabedoria e piedade, que o tornavam amado de Deus e dos anjos. Contemplando ele as perfeições de seu Criador, mais claras concepções de Deus desvendavam-se perante sua alma. Eram iluminados assuntos obscuros, dificuldades eram explanadas, harmonizadas perplexidades, e cada raio de nova luz provocava novas expansões de júbilo, e mais suaves antífonas de devoção, para a glória de Deus e do Redentor. O amor que o movia, as tristezas que o assediavam, os triunfos que o acompanhavam, tudo eram assuntos para o seu ativo pensamento; e, ao ver o amor de Deus em todas as providências de sua vida, seu coração palpitava com mais fervorosa adoração e gratidão, sua voz soava com mais magnificente melodia, sua harpa era dedilhada com alegria mais exultante; e o jovem pastor ia de força em força, de conhecimento em conhecimento; pois o Espírito do Senhor estava sobre ele.
Capítulo 63 — Davi e Golias
Este capítulo é baseado em 1 Samuel 16:14-23; 17.
Quando o rei Saul compreendeu que havia sido rejeitado por Deus, e quando sentiu a força das palavras de acusação que tinham sido dirigidas a ele pelo profeta, encheu-se de amargurada rebelião e desespero. Não era o verdadeiro arrependimento que curvava a cabeça orgulhosa do rei. Ele não tinha uma percepção clara do caráter ofensivo de seu pecado, e não se entregou ao trabalho de reformar sua vida, mas preocupava-se com o que julgava ser uma injustiça de Deus despojando-o do trono de Israel, e tirando de sua posteridade a sucessão. Estava sempre preocupado antevendo a ruína que havia sido acarretada sobre sua casa. Entendia que o valor que tinha ostentado no encontro com seus inimigos, removeria seu pecado de desobediência. Não aceitou com mansidão o castigo de Deus; mas desesperou-se o seu espírito altivo até que ele ficou a ponto de quase perder a razão. Seus conselheiros sugeriram-lhe procurar os serviços de um músico hábil, na esperança de que as notas calmantes de um instrumento suave lhe serenassem o espírito perturbado. Na providência de Deus, Davi, como hábil executor de harpa, foi trazido perante o rei. Seus acordes sublimes e de inspiração celestial tiveram o desejado efeito. A acalentada melancolia que, semelhante a uma nuvem negra, se fixara no espírito de Saul, desapareceu como por encanto.
Quando seus serviços não eram exigidos na corte de Saul, Davi voltava aos seus rebanhos entre as colinas, e continuava a manter sua simplicidade de espírito e maneiras. Quando quer que fosse necessário, era novamente chamado para servir perante Saul, a fim de suavizar a mente do conturbado rei até que o espírito mau se afastasse dele. Mas, embora Saul exprimisse seu deleite pela presença de Davi e pela sua música, o jovem pastor ia da casa do rei aos campos e colinas de suas pastagens com uma sensação de alívio e alegria.
Davi crescia no favor de Deus e dos homens. Ele tinha sido instruído no caminho do Senhor, e agora dispusera seu coração a fazer a vontade de Deus, mais amplamente do que nunca. Tinha novos assuntos para meditação. Estivera na corte do rei, e vira a responsabilidade da realeza. Descobrira algumas das tentações que assediavam a alma de Saul, e penetrara alguns dos mistérios no caráter e trato do primeiro rei de Israel. Vira a glória da realeza ensombrada pela escura nuvem da tristeza, e compreendeu que a casa de Saul, em sua vida particular, estava longe de
ser feliz. Todas estas coisas serviam para trazer pensamentos inquietadores àquele que fora ungido para ser rei de Israel. Mas, quando se achava absorto em profunda meditação, e perseguido por pensamentos de ansiedade, volvia à sua harpa, e arrancava acordes que elevavam seu espírito ao Autor de todo o bem, e dissipavam-se as negras nuvens que pareciam obscurecer o horizonte do futuro.
Deus estava a ensinar a Davi lições de confiança. Assim como Moisés foi preparado para o seu trabalho, assim o Senhor estava habilitando o filho de Jessé a tornar-se o guia de Seu povo escolhido. Em seu vigilante cuidado pelos seus rebanhos, estava a adquirir uma apreciação dos cuidados que o grande Pastor tem pelas ovelhas de Seu pasto.
As solitárias colinas e barrancos bravios onde vagueava Davi com seus rebanhos, eram o esconderijo de feras rapinantes. Freqüentemente o leão dos matagais ao lado do Jordão, ou o urso saindo de seu covil entre as colinas, vinham, ferozes e famintos, atacar os rebanhos. Segundo o costume de seu tempo, Davi estava armado apenas com sua funda e com o cajado de pastor; contudo, cedo deu ele provas de sua força e coragem ao proteger o que se achava sob sua guarda. Depois de descrever estes encontros, ele disse: “E vinha um leão e um urso, e tomava uma ovelha do rebanho; e eu saí após ele, e o feri, e livrei-a da sua boca; e, levantando-se ele contra mim, lancei-lhe mão da barba, e o feri, e o matei”. 1 Samuel 17:34, 35. Sua experiência nestas coisas provou o coração de Davi, e desenvolveu nele coragem, força e fé.
Mesmo antes que fosse chamado à corte de Saul, Davi se havia distinguido por ações de valor. O oficial que o levou ao conhecimento do rei, declarou ser ele “valente e animoso, e homem de guerra, e sisudo em palavras”, e disse: “O Senhor é com ele”. 1 Samuel 16:18.
Quando Israel declarou guerra contra os filisteus, três dos filhos de Jessé tomaram parte no exército sob o comando de Saul; Davi, porém, ficou em casa. Depois de algum tempo, entretanto, foi visitar o arraial de Saul. Por determinação de seu pai devia levar uma mensagem e um presente a seus filhos mais velhos, e saber se ainda estavam livres de perigo e em saúde. Mas, sem que Jessé o soubesse, o jovem pastor tinha sido incumbido de uma missão mais alta. Os exércitos de Israel estavam em perigo, e por um anjo fora determinado a Davi salvar o seu povo.
Aproximando-se Davi do exército, ouviu o ruído de uma comoção, como se uma luta estivesse prestes a ter início. E “o arraial saía em ordem de batalha, e a gritos chamavam à peleja”. 1 Samuel 17. Israel e os filisteus tomaram posição, exército contra exército. Davi correu para o exército, aproximou-se e saudou seus irmãos. Enquanto estava a conversar com eles, Golias, o campeão dos filisteus, veio à frente, e com uma linguagem insultante menosprezou a Israel, e desafiou-os a que arranjassem um homem dentre suas fileiras que o quisesse enfrentar em um combate individual.
Repetiu o desafio, e, quando Davi viu que todo Israel estava cheio de medo, e soube que a afronta do filisteu lhes era atirada dia após dia, sem que despertasse um campeão para silenciar o jactancioso, seu espírito se agitou dentro dele. Inflamou-se de zelo para preservar a honra do Deus vivo, e o crédito de Seu povo.
O exército de Israel estava abatido. Sua coragem faltara. Diziam uns aos outros: “Vistes aquele homem que subiu? pois subiu para afrontar a Israel.” Com vergonha e indignação exclamou Davi: “Quem é, pois, este incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?” 1 Samuel 17:25, 26.
Eliabe o irmão mais velho de Davi, quando ouviu estas palavras, bem compreendeu os sentimentos que agitavam a alma do jovem. Mesmo como pastor, Davi tinha manifestado ousadia, coragem e força, como raramente se vêem; e a visita misteriosa de Samuel à casa de seu pai, e sua partida silenciosa, haviam despertado na mente dos irmãos suspeitas do objetivo real de sua visita. Seu ciúme tinha sido suscitado, vendo Davi mais honrado do que eles; e não o consideraram com o respeito e amor devidos à sua integridade e ternura fraternal. Consideravam-no meramente como um rapaz pastor, e agora a pergunta que ele fez foi tida por Eliabe como uma censura à sua covardia por não fazer nenhuma tentativa para reduzir ao silêncio o gigante dos filisteus. O irmão mais velho exclamou com ira: “Por que desceste aqui? e a quem deixaste aquelas poucas ovelhas no deserto? bem conheço a tua presunção, e a maldade de teu coração, que desceste para ver a peleja.” A resposta de Davi foi respeitosa, mas decidida: “Que fiz eu agora? porventura não há razão para isso?”
As palavras de Davi foram referidas ao rei, que chamou o jovem diante de si. Saul ouviu com espanto as palavras do pastor, quando ele disse: “Não desfaleça o coração de ninguém por causa dele; teu servo irá e pelejará contra este filisteu.” Saul esforçou-se por demover a Davi de seu propósito, mas o jovem não podia ser abalado. Respondeu de maneira simples, despretensiosa, relatando suas experiências na guarda dos rebanhos de seu pai. E disse: “O Senhor me livrou da mão do leão e da do urso; Ele me livrará da mão deste filisteu. Então disse Saul a Davi: Vai-te embora, e o Senhor seja contigo.”
Durante quarenta dias o exército de Israel havia tremido diante do altivo desafio do gigante filisteu. O coração desfalecia dentro deles ao olharem para suas formas sólidas, medindo de altura seis côvados e um palmo. Trazia à cabeça um capacete de bronze, e achava-se vestido de uma cota de malha que pesava cinco mil ciclos, e tinha grevas*Parte da armadura que cobria a perna do joelho para baixo. de bronze sobre as pernas. A cota*Armadura defensiva, em forma de camisa feita de malhas ou de pequenos anéis de metal entrelaçados. era feita de lâminas de bronze que se sobrepunham umas às outras, semelhantes às escamas de um peixe, e estavam tão intimamente unidas que nenhum dardo, ou seta poderia de qualquer maneira penetrar na armadura. Às costas trazia o gigante um enorme dardo, ou lança, também de bronze. “A haste da sua lança era como eixo
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White