Cristo Nossa Redenção

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Leitura do livro

Patriarcas e Profetas, páginas 420-421

“O meu coração exulta ao Senhor, o meu poder está exaltado no Senhor;
a minha boca se dilatou sobre os meus inimigos, porquanto me alegro na Tua salvação.

Não há santo como é o Senhor;
porque não há outro fora de Ti, e rocha nenhuma há como o nosso Deus.
Não multipliqueis palavras de altíssimas altivezas,
nem saiam coisas árduas da vossa boca;
porque o Senhor é o Deus da sabedoria, e por Ele são as obras pesadas na balança. [...]
O Senhor é o que tira a vida, e a dá;
faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela.
O Senhor empobrece e enriquece;

Abaixa e também exalta.
Levanta o pobre do pó, e desde o esterco exalta o necessitado,
para o fazer assentar entre os príncipes,
para o fazer herdar o trono de glória;
porque do Senhor são os alicerces da Terra, e assentou sobre eles o mundo.
Os pés dos Seus Santos guardará, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas,
porque o homem não prevalecerá pela força.

Os que contendem com o Senhor serão quebrantados;
desde os céus trovejará sobre eles.
O Senhor julgará as extremidades da Terra;
e dará força ao seu rei, e exaltará o poder do seu ungido”.

1 Samuel 2:1-3, 6-10.

As palavras de Ana eram proféticas, tanto a respeito de Davi, que reinaria como rei de Israel, como do Messias, o ungido do Senhor. Referindo-se a princípio à jactância de uma mulher insolente e contenciosa, aponta o cântico para a destruição dos inimigos de Deus, e o triunfo final do Seu povo remido.

De Siló, Ana voltou silenciosamente para o seu lar em Ramá, deixando o menino Samuel para ser educado para o serviço da casa de Deus, sob a instrução do sumo sacerdote. Desde o primeiro despontar da inteligência do filho ela lhe ensinara a amar e reverenciar a Deus, e a considerar-se como sendo do Senhor. Por meio de todas as coisas conhecidas que o cercavam, procurou ela elevar seus pensamentos ao Criador. Depois de separada de seu filho, a solicitude da fiel mãe não cessou. Cada dia ele era objeto de suas orações. Cada ano ela lhe fazia, com suas próprias mãos, uma túnica para o serviço; e, subindo com o esposo para adorar em Siló, dava ao menino esta lembrança de seu amor. Cada fibra da pequena veste era tecida com uma oração para que ele fosse puro, nobre e verdadeiro. Não pedia para o filho grandezas mundanas, mas rogava fervorosamente que ele pudesse alcançar aquela grandeza a que o Céu dá valor — que honrasse a Deus e abençoasse a seus semelhantes.

Que recompensa teve Ana! e que estímulo para a fidelidade é o seu exemplo! Há oportunidades de inestimável valor, interesses infinitamente preciosos, confiados a toda mãe. A humilde rotina dos deveres que as mulheres têm considerado como uma fastidiosa tarefa, deve ser encarada como obra grandiosa e nobre. É privilégio da mãe abençoar o mundo pela sua influência, e fazendo isto trará alegria a seu próprio coração. Ela pode fazer retas veredas para os pés de seus filhos, através de claridade e

sombra, em direção às alturas gloriosas do Céu. Mas, unicamente quando procura em sua vida seguir os ensinos de Cristo, é que a mãe pode esperar formar o caráter de seus filhos segundo o modelo divino. O mundo está repleto de influências corruptoras. A moda e os costumes exercem forte poder sobre os jovens. Se a mãe falta em seu dever de instruir, guiar e restringir, os filhos naturalmente aceitarão o mal, e se desviarão do bem. Que toda mãe vá muitas vezes ao seu Salvador com a oração: “Ensina-nos o que faremos pela criança.” Atenda ela à instrução que Deus dá em Sua Palavra, e ser-lhe-á dada sabedoria conforme a necessitar.

“O mancebo Samuel ia crescendo, e fazia-se agradável, assim para com o Senhor como também para com os homens”. 1 Samuel 2:26. Se bem que a juventude de Samuel fosse passada no tabernáculo, dedicada ao culto de Deus, não se achava ele livre de influências más ou exemplos pecaminosos. Os filhos de Eli não temiam a Deus, nem honravam a seu pai; mas Samuel não procurava sua companhia nem seguia seus maus caminhos. Fazia esforço constante para tornar-se o que Deus queria que ele fosse. Este é o privilégio de todo jovem. Deus Se apraz mesmo quando as criancinhas se entregam ao Seu serviço.

Samuel fora posto sob os cuidados de Eli, e a beleza de seu caráter suscitou a afeição ardorosa do idoso sacerdote. Era amável, generoso, obediente e respeitoso. Eli, aflito pelo descaminho de seus filhos, obtinha descanso, consolo e bênção na presença daquele que estava sob seu encargo. Samuel era serviçal e afetivo, e nunca pai algum amou a seu filho mais ternamente do que Eli àquele jovem. Coisa singular era que, entre o magistrado principal da nação e a simples criança, existisse uma afeição tão ardorosa. Sobrevindo a Eli as debilidades próprias da idade, e enchendo-se ele de ansiedades e remorsos pelo procedimento dissoluto de seus filhos, voltou-se para Samuel em busca de consolo.

Não era costume entrarem os levitas para os seus serviços peculiares antes que tivessem vinte e cinco anos de idade; Samuel, porém, foi uma exceção a esta regra. Cada ano lhe eram confiados encargos de mais importância; e, quando ainda era criança, um éfode de linho foi posto sobre ele em sinal de sua consagração ao serviço do santuário. Jovem como era ao ser trazido para ministrar no tabernáculo, tinha Samuel mesmo então deveres a cumprir no serviço de Deus, conforme sua capacidade. Estes eram a princípio muito humildes, e nem sempre agradáveis; mas cumpria-os da melhor maneira que lhe permitia a habilidade, e com coração voluntário. Levava sua religião a todo dever da vida. Considerava-se servo de Deus, e o seu trabalho como o trabalho de Deus. Seus esforços eram aceitos, porque eram motivados pelo amor a Deus e por um desejo sincero de fazer a Sua vontade. Foi assim que Samuel se tornou cooperador do Senhor do Céu e da Terra. E Deus o habilitou a cumprir uma grande obra em favor de Israel.

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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