Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 408-409

outros materiais custosos, juntamente com as vestes ricamente adornadas dos príncipes de Midiã. Com o material assim fornecido, Gideão confeccionou um éfode e um peitoral, imitando os que eram usados pelo sumo sacerdote. Sua conduta demonstrou-se uma cilada para ele próprio e sua família, bem como a Israel. Aquele culto não autorizado levou muitos do povo afinal a esquecerem-se inteiramente do Senhor e servir aos ídolos. Depois da morte de Gideão, grande número de pessoas, entre as quais estava a sua própria família, uniu-se a esta apostasia. O povo desviou-se de Deus pelo mesmo homem que uma ocasião vencera a idolatria.

Poucos há que se compenetram de quão grande alcance é a influência de suas palavras e atos. Quantas vezes os erros dos pais produzem os mais desastrosos efeitos em seus filhos, e descendentes destes, muito tempo depois que os próprios autores foram postos nos túmulos! Cada um exerce uma influência sobre os outros, e será responsável pelo resultado dessa influência. Palavras e ações têm um poder eloqüente, e a longa vida do além mostrará o efeito de nossa vida aqui. A impressão produzida por nossas palavras e ações reagirá certamente sobre nós, trazendo bênção ou maldição. Tal pensamento confere uma terrível solenidade à vida, e deve atrair-nos a Deus, com humilde oração, a fim de que Ele nos guie pela Sua sabedoria.

Aqueles que ocupam as mais elevadas posições podem transviar outros. Os mais sábios erram; os mais fortes podem vacilar e tropeçar. Há necessidade de que constantemente se derrame em nosso caminho a luz do alto. Nossa única segurança está em confiar nosso caminho implicitamente Àquele que disse: “Segue-Me.”

Depois da morte de Gideão, “os filhos de Israel se não lembraram do Senhor seu Deus, que os livrara da mão de todos os seus inimigos em redor. Nem usaram de beneficência com a casa de Jerubaal, a saber, de Gideão, conforme a todo o bem que ele usara com Israel”. Esquecidos de tudo que deviam a Gideão, seu juiz e libertador, o povo de Israel aceitou seu filho Abimeleque, de nascimento vil, como seu rei, o qual, para sustentar seu poderio, assassinou todos os filhos legítimos de Gideão, com exceção de um. Quando os homens rejeitam o temor de Deus, não demora afastarem-se da honra e da integridade. Uma apreciação da misericórdia do Senhor determinará a apreciação daqueles que, como Gideão, foram usados como instrumentos para abençoar Seu povo. A conduta cruel por parte de Israel para com a casa de Gideão, foi o que se poderia esperar de um povo que manifestava tamanha ingratidão para com Deus.

Depois da morte de Abimeleque, o governo dos juízes que temiam ao Senhor serviu durante algum tempo para impedir a idolatria; mas não muito tempo depois o povo voltou às práticas das comunidades gentílicas que em redor deles havia. Entre as tribos do norte, os deuses da Síria e Sidom tinham muitos adoradores. Ao sudoeste os ídolos dos filisteus, e a leste os de Moabe e Amom haviam desviado os corações de Israel do Deus de seus

pais. A apostasia, porém, de imediato trouxe o seu castigo. Os amonitas subjugaram as tribos orientais, e, atravessando o Jordão, invadiram o território de Judá e Efraim. Ao oeste, os filisteus subiram de sua planície ao lado do mar, queimando e pilhando por toda parte. Novamente Israel pareceu achar-se abandonado ao poder de seus inimigos implacáveis.

De novo o povo procurou auxílio dAquele a quem tanto haviam abandonado e insultado. “Os filhos de Israel clamaram ao Senhor, dizendo: Contra Ti havemos pecado, porque deixamos a nosso Deus, e servimos aos baalins”. Juízes 10:10-16. Mas a tristeza não operara o verdadeiro arrependimento. O povo lamentava porque seus pecados lhes haviam acarretado sofrimento, mas não porque tivessem desonrado a Deus pela transgressão de Sua santa lei. O verdadeiro arrependimento é mais que tristeza pelo pecado. É uma decidida renúncia ao mal.

O Senhor lhes respondeu por um de Seus profetas: “Porventura dos egípcios, e dos amorreus, e dos filhos de Amom, e dos filisteus, e dos sidônios, e dos amalequitas e dos maonitas, que vos oprimiam, quando a Mim clamastes, não vos livrei Eu então da sua mão? Contudo vós Me deixastes a Mim, e servistes a outros deuses, pelo que não vos livrarei mais. Andai, e clamai aos deuses que escolhestes; que vos livrem eles no tempo do vosso aperto.”

Essas solenes e terríveis palavras transportam o espírito para outra cena: o grande dia do juízo final, em que os que rejeitaram a misericórdia de Deus e desprezaram Sua graça serão trazidos em face de Sua justiça. Naquele tribunal devem prestar contas os que dedicaram os talentos que Deus lhes deu — de tempo, meios ou inteligência — ao serviço dos deuses deste mundo. Deixaram seu verdadeiro e amoroso Amigo, para seguirem o caminho da conveniência e dos prazeres mundanos. Tencionavam em algum tempo voltar a Deus; mas o mundo, com suas loucuras e enganos, absorveu-lhes a atenção. Os divertimentos frívolos, o orgulho no vestir, a satisfação do apetite, lhes endureceram o coração e embotaram a consciência, de maneira que não ouviram a voz da verdade. Foi desprezado o dever. Coisas de valor infinito foram estimadas levianamente, até que o coração perdeu todo o desejo de sacrificar-se por Aquele que tanto deu pelo homem. Mas no tempo da ceifa colherão o que semearam.

Disse o Senhor: “Porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a Minha mão, e não houve quem desse atenção; antes rejeitastes todo o Meu conselho, e não quisestes a Minha repreensão; [...] vindo como assolação o vosso temor, e vindo a vossa perdição como tormenta, sobrevindo-vos aperto e angústia, então a Mim clamarão, mas Eu não responderei; de madrugada Me buscarão, mas não Me acharão. Porquanto aborreceram o conhecimento, e não preferiram o temor do Senhor; não quiseram Meu conselho e desprezaram toda a Minha repreensão. Portanto, comerão do fruto do seu caminho, e fartar-se-ão dos seus

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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