Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 25
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 59-61
a voz em zombaria e escárnio. Subitamente veio silêncio sobre a turba zombadora. Animais de toda a espécie, os mais ferozes bem como os mais mansos, foram vistos vindo das montanhas e florestas, e encaminhando-se silenciosamente para a arca. Ouviu-se o rumor de um vento impetuoso, e eis que aves estavam a ajuntar-se de todos os lados, escurecendo-se o céu pela sua quantidade; e em perfeita ordem passaram para a arca. Os animais obedeciam ao mandado de Deus, enquanto os homens eram desobedientes. Guiados por santos anjos, “entraram de dois em dois para Noé na arca” (Gênesis 7:9), e os animais limpos em porções de sete. O mundo olhava com admiração, e alguns com medo. Foram chamados filósofos para explicarem a singular ocorrência, mas em vão. Era um mistério que eles não podiam penetrar. Mas os homens se haviam tornado tão endurecidos pela sua persistente rejeição da luz, que mesmo esta cena não produziu senão uma impressão momentânea. Ao contemplar a raça condenada, o Sol a resplandecer em sua glória, e a Terra vestida quase em edênica beleza, baniram seus temores crescentes com divertimento ruidoso, e, com suas ações de violência, pareciam convidar sobre si o castigo da ira de Deus já despertada.
Deus ordenou a Noé: “Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de Mim, nesta geração”. Gênesis 7:1. A advertência de Noé tinha sido rejeitada pelo mundo, mas de sua influência e exemplo resultaram bênçãos para a sua família. Como recompensa de sua fidelidade e integridade, Deus salvou com ele todos os membros de sua família. Que animação para a fidelidade paternal!
A misericórdia havia cessado os seus rogos pela raça culpada. Os animais do campo e as aves do céu tinham entrado no lugar de refúgio. Noé e sua casa estavam dentro da arca; “e o Senhor os fechou por fora”. Gênesis 7:16. Viu-se um lampejo de luz deslumbrante, e uma nuvem de glória, mais vívida que o relâmpago, desceu do céu e pairou diante da entrada da arca. A porta maciça, que era impossível àqueles que dentro estavam fechar, girou vagarosamente ao seu lugar por meio de mãos invisíveis. Noé ficou encerrado, e os que rejeitaram a misericórdia de Deus, excluídos. O selo do Céu estava naquela porta; Deus a havia fechado, e somente Deus a poderia abrir. Assim, quando Cristo terminar Sua intercessão pelo homem culpado, antes de Sua vinda nas nuvens do céu, fechar-se-á a porta da misericórdia. A graça divina não mais restringirá os ímpios, e Satanás terá pleno domínio sobre aqueles que rejeitaram a misericórdia. Esforçar-se-ão por destruir o povo de Deus, mas como Noé estava abrigado na arca, assim os justos estarão protegido pelo poder divino.
Durante sete dias depois que Noé e sua família entraram na arca, não apareceu sinal da tempestade vindoura. Fora durante este tempo provada a sua fé. Foi um tempo de triunfo para o povo, lá fora. A aparente demora confirmava-os na crença de que a mensagem de Noé era uma ilusão,
e de que o dilúvio jamais viria. Apesar das cenas solenes que haviam testemunhado, a saber, os animais e as aves entrando na arca, e o anjo de Deus fechando a porta, continuaram eles ainda com seu divertimento e orgia, fazendo mesmo zombaria daquelas assinaladas manifestações do poder de Deus. Reuniam-se em multidões em redor da arca, escarnecendo dos que dentro se encontravam, com uma arrogante violência a que nunca antes se haviam arriscado.
Mas, ao oitavo dia, nuvens negras se espalharam pelo céu. Seguiram-se o murmúrio do trovão e o lampejo do relâmpago. Logo, grandes gotas de chuva começaram a cair. O mundo nunca havia testemunhado coisa alguma semelhante a isto, e o coração dos homens foi tocado pelo medo. Todos estavam secretamente indagando: “Será que Noé tinha razão e que o mundo está condenado à destruição?” Cada vez mais negros se tornavam os céus, e mais rápida vinha a chuva. Os animais estavam vagueando de um lado para outro no mais desenfreado terror, e seus gritos discordantes pareciam lamentar seu próprio destino e a sorte dos homens. Então “se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se abriram”. Gênesis 7:11. A água parecia vir das nuvens em grandes cataratas. Os rios romperam os seus limites, e inundaram os vales. Jatos de água irrompiam da terra, com força indescritível, arremessando pedras maciças a muitos metros para o ar; e ao caírem, sepultavam-se profundamente no solo.
O povo viu a princípio a destruição das obras de suas mãos. Seus esplêndidos edifícios, e os belos jardins e bosques em que haviam colocado seus ídolos, eram destruídos pelos raios do céu, e as ruínas se espalhavam por toda parte. Os altares em que se haviam oferecido sacrifícios humanos, eram derribados, e tremiam os adoradores ante o poder do Deus vivo, e por saber que fora a sua corrupção e idolatria que atraíram a sua destruição.
Aumentando a violência da tempestade, árvores, edifícios, pedras e terra, eram arrojados a todos os lados. O terror do homem e dos animais era indescritível. Por sobre o estrondo da tempestade, ouvia-se o pranto de um povo que tinha desprezado a autoridade de Deus. O próprio Satanás, que fora obrigado a permanecer no meio dos elementos em fúria, temeu pela sua existência. Ele se havia deleitado em dirigir uma raça tão poderosa, e desejara que vivessem para praticar suas abominações, e continuar com sua rebelião contra o Governador do Céu. Agora proferia imprecações contra Deus, acusando-O de injustiça e crueldade. Muitos dentre o povo, semelhantes a Satanás, blasfemavam de Deus, e, pudessem eles, tirá-Lo-iam do trono do poder. Outros tomavam-se de frenesi, pelo terror, estendendo as mãos para a arca, e rogando sua admissão ali. Seus rogos, porém, foram em vão. Despertou-se-lhes finalmente a consciência para saberem que há um Deus que governa nos Céus. Chamaram por Ele com ardor, mas os Seus ouvidos não estavam abertos ao seu clamor.
Naquela terrível hora viram que a transgressão da lei de Deus determinara a sua ruína. Todavia, ao mesmo tempo em que pelo medo do castigo reconheciam o seu pecado, não sentiam verdadeira contrição, nem horror ao mal. Teriam voltado ao seu desafio ao Céu, caso houvesse sido removido o juízo. Semelhantemente, quando os juízos de Deus caírem sobre a Terra, antes de seu dilúvio de fogo, os impenitentes saberão precisamente onde pecaram, e em que consiste seu pecado: o desprezo à Sua santa lei. Contudo, não terão o verdadeiro arrependimento mais do que tiveram os pecadores do mundo antigo.
Alguns, em seu desespero, esforçavam-se por penetrar na arca; porém, a firme estrutura resistiu aos seus esforços. Alguns apegaram-se à arca até que foram arrebatados pelas águas revoltas, ou foi seu apego interrompido pela colisão com as rochas e árvores. A pesada arca estremecia em cada fibra, ao ser batida pelos ventos impetuosos, e arremessada de uma vaga para outra. Os gritos dos animais, dentro, exprimiam o seu medo e dor. Mas, por entre os elementos em luta, continuou a flutuar com segurança. Anjos “magníficos em poder” foram comissionados para a guardar.
Os animais, expostos à tempestade, lançavam-se sobre o homem, como que a esperar dele auxílio. Alguns dentre o povo amarraram seus filhos e a si mesmos em cima de animais poderosos, sabendo que estes tinham grande apego à vida, e subiriam aos pontos mais altos para escaparem das águas que se elevavam. Alguns ataram-se a árvores altas, no cimo das colinas ou montanhas; mas as árvores foram desarraigadas, e com seu fardo de seres vivos arrojadas às vagas fervilhantes. Um lugar após outro que prometia segurança foi abandonado. Levantando-se as águas cada vez mais, o povo fugiu em busca de refúgio às mais altas montanhas. Freqüentemente homens e animais lutavam entre si, por um lugar, até que uns e outros eram varridos.
Dos mais altos montes olhavam os homens ao longe sobre um oceano sem praias. As solenes advertências do servo de Deus não mais pareciam assunto para o ridículo e escárnio. Quanto anelavam aqueles pecadores condenados as oportunidades que haviam desdenhado! Quanto pleitearam eles uma hora de graça, mais um privilégio de misericórdia, um apelo dos lábios de Noé! Mas a doce voz de misericórdia, não mais seria ouvida por eles. O amor, não menos que a justiça, exigia que os juízos de Deus pusessem um paradeiro ao pecado. As águas vingadoras varreram o último retiro, e os desprezadores de Deus pereceram nas negras profundidades.
“Pela Palavra de Deus [...] pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio. Mas os céus e a Terra que agora existem, pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios”. 2 Pedro 3:5-7. Está a vir outra tempestade. A Terra de novo será varrida pela ira desoladora de Deus, e o pecado e os pecadores serão aniquilados.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White