Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 365-366

Capítulo 46 — As bênçãos e as maldições

Este capítulo é baseado em Josué 8.

Depois da execução da sentença de Acã, Josué teve ordem de arregimentar todos os homens de guerra, e de novo avançar contra Ai. O poder de Deus estava com Seu povo, e logo ficaram de posse da cidade.

As operações militares agora foram suspensas, para que todo o Israel pudesse empenhar-se em um solene serviço religioso. O povo estava ansioso por estabelecer-se em Canaã; ainda não tinham casas nem terras para as suas famílias, e a fim de adquiri-las deveriam expulsar os cananeus; mas este importante trabalho devia ser adiado, pois que um dever maior reclamava sua primeira atenção.

Antes de tomarem posse de sua herança, deviam renovar seu concerto de fidelidade a Deus. Nas últimas instruções de Moisés, por duas vezes haviam sido dadas ordens para uma convocação das tribos nos montes Ebal e Gerizim, em Siquém, para o reconhecimento solene da lei de Deus. Em obediência a essas ordens expressas, todo o povo, não somente homens, mas mulheres, crianças e estrangeiros que andavam no meio deles (Josué 8:30-35), deixaram seu acampamento em Gilgal, e marcharam através do território de seus inimigos, ao vale de Siquém, próximo do centro daquela terra. Posto que cercados de adversários não vencidos, estavam seguros sob a proteção de Deus, enquanto Lhe fossem fiéis. Agora, como nos dias de Jacó, “o terror de Deus foi sobre as cidades que estavam ao redor deles” (Gênesis 35:5), e os hebreus não foram incomodados.

O lugar indicado para este serviço solene já era sagrado pela sua ligação com a história de seus pais. Ali foi que Abraão levantou seu primeiro altar a Jeová na terra de Canaã. Foi ali que Abraão e Jacó armaram suas tendas. O último comprara ali o campo em que as tribos deveriam sepultar o corpo de José. Ali, também, estava o poço que Jacó cavara, e o carvalho sob o qual sepultara os ídolos de sua casa.

O local escolhido era um dos mais belos de toda a Palestina, e digno de ser o teatro em que aquela grandiosa e impressionante cena deveria ser levada a efeito. O lindo vale, com seus campos verdejantes pontilhados de bosques de oliveiras, regados de riachos oriundos de fontes vivas, e adornado de flores silvestres, estendia-se de um modo convidativo entre as colinas áridas. Ebal e Gerizim, nos lados opostos do vale, quase se

aproximam uma da outra, parecendo seus contrafortes inferiores formar um púlpito natural, sendo audíveis em uma delas distintamente todas as palavras proferidas na outra, ao mesmo tempo em que os lados da montanha, recuando, proporcionam um espaço para a vasta congregação.

Segundo as instruções dadas por Moisés, um monumento de grandes pedras foi construído no Monte Ebal. Sobre essas pedras, previamente preparadas por uma cobertura de argamassa, foi inscrita a lei — não somente os dez preceitos proferidos no Sinai e gravados em tábuas de pedras, mas as leis comunicadas a Moisés, e por ele escritas em um livro. Ao lado deste monumento foi construído um altar de pedras não lavradas, sobre o qual foram oferecidos sacrifícios ao Senhor. O fato de ter construído o altar no Monte Ebal, monte este sobre o qual fora posta a maldição, era significativo, denotando que, por causa de sua transgressão à lei de Deus, Israel incorrera com justiça em Sua ira, e que esta cairia de pronto sobre eles, não fosse a obra expiatória de Cristo, representada pelo altar de sacrifício.

Seis das tribos, todas descendentes de Léia e Raquel, ficaram estacionadas no monte Gerizim, enquanto as que descenderam das servas, juntamente com Rúben e Zebulom, tomaram posição em Ebal, ocupando o vale entre elas os sacerdotes com a arca. Foi proclamado silêncio mediante o som da trombeta que dava os sinais; e, então, em profundo silêncio, e na presença desta vasta assembléia, Josué, em pé ao lado da arca sagrada, leu as bênçãos que deveriam seguir-se à obediência à lei de Deus. Todas as tribos em Gerizim responderam por um Amém. Então ele leu as maldições, e as tribos em Ebal, de modo semelhante, deram seu assentimento, unindo-se como a voz de um homem em resposta solene milhares de milhares de vozes. Em seguida teve lugar a leitura da lei de Deus, juntamente com os estatutos e juízos que lhes haviam sido entregues por Moisés.

Israel havia recebido a lei diretamente da boca de Deus, no Sinai; e os sagrados preceitos da mesma, escritos pela Sua própria mão, ainda se encontravam preservados na arca. Agora foi escrita novamente onde todos a poderiam ler. Todos tinham o privilégio de ver por si mesmos as condições do concerto mediante o qual deveriam manter a posse de Canaã. Todos deveriam exprimir sua aceitação aos termos do concerto, e dar seu assentimento às bênçãos ou maldições pela sua observância ou negligência. A lei não somente foi escrita sobre as pedras que serviam de memória, mas foi lida pelo próprio Josué ao ouvido de todo o Israel. Não fazia muitas semanas que Moisés dera todo o livro de Deuteronômio, em discursos, ao povo, contudo, de novo lê Josué agora a lei.

Não somente os homens de Israel, mas todas as mulheres e crianças, ouviram a leitura da lei; pois era de importância que também estas conhecessem e cumprissem seu dever. Deus ordenara a Israel com relação aos Seus estatutos: “Ponde pois estas Minhas palavras no vosso coração, e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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