Cristo Nossa Redenção

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Patriarcas e Profetas, páginas 356-357

Capítulo 45 — A queda de Jericó

Este capítulo é baseado em Josué 5:13-15; 6; 7.

Os hebreus tinham entrado em Canaã, mas não a haviam sujeitado; e quanto às aparências humanas, a luta para obterem posse da terra deveria ser longa e difícil. Era habitada por uma raça poderosa, que se encontrava pronta para opor-se à invasão de seu território. As várias tribos se achavam coligadas pelo receio de um perigo comum. Seus cavalos e férreos carros de batalha, seu conhecimento do território, e seu adestramento na guerra dar-lhes-iam grande vantagem. Além disso, o território era guardado por fortalezas — “cidades grandes, e muradas até aos céus”. Deuteronômio 9:1. Unicamente na certeza de uma força que não lhes era própria, poderiam os israelitas esperar êxito no conflito que estava iminente.

Uma das mais poderosas fortalezas da Terra — a grande e rica cidade de Jericó — encontrava-se precisamente diante deles, a pouca distância apenas de seu acampamento em Gilgal. Nas bordas de uma planície fértil, abundante de ricas e variadas produções tropicais, com seus palácios e templos como habitação de luxo e do vício, apresentava esta orgulhosa cidade, por trás de suas sólidas muralhas, desafio ao Deus de Israel. Jericó era uma das principais sedes do culto idólatra, sendo dedicada especialmente a Astarote, a deusa da Lua. Ali se centralizava tudo que era mais vil e degradante na religião dos cananeus. O povo de Israel, em cuja mente se achavam frescas as lembranças dos resultados terríveis de seu pecado em Bete-Peor, apenas poderia olhar para esta cidade gentílica com repugnância e horror.

Submeter Jericó era considerado por Josué o primeiro passo na conquista de Canaã. Mas antes de tudo procurou certeza de guia divina; e esta lhe foi concedida. Retirando-se do acampamento a fim de meditar e orar para que o Deus de Israel fosse adiante de Seu povo, viu um guerreiro armado, de grande estatura e presença imponente, “que tinha na mão uma espada nua.” À intimação de Josué: “És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos?” deu-se esta resposta: “Venho agora como Príncipe do Senhor.” A mesma ordem dada a Moisés em Horebe: “Descalça os sapatos de teus pés, porque o lugar em que estás é santo” (Josué 5:13-15), revelou o verdadeiro caráter do estranho misterioso. Era Cristo, o exaltado Ser, que estava em pé diante do chefe de Israel. Tomado de assombro, Josué caiu sobre seu rosto e adorou; e ouviu esta segurança: “Tenho dado na tua mão a Jericó e ao seu rei, os seus valentes e valorosos” (Josué 6:2); e recebeu instruções para a tomada da cidade.

Em obediência à ordem divina Josué arregimentou os exércitos de Israel. Nenhum assalto se deveria fazer. Apenas deviam fazer o circuito da cidade, levando a arca de Deus, e tocando trombetas. Em primeiro lugar iam os guerreiros, uma corporação de homens escolhidos, não para fazer agora a conquista pela sua própria habilidade e proeza, mas pela obediência às orientações a eles dadas por Deus. Seguiam-se sete sacerdotes com trombetas. Então a arca de Deus, rodeada de uma auréola de glória divina, era levada pelos sacerdotes vestidos nos trajes que denotavam seu sagrado ofício. Seguia-se o exército de Israel, estando cada tribo sob a sua bandeira. Tal foi o cortejo que circundou a cidade condenada. Nenhum som se ouvia a não ser o tropel daquela grande hoste e o estrondo solene das trombetas, ecoando pelas colinas, e ressoando através das ruas de Jericó. Concluído o circuito, o exército voltou em silêncio às suas tendas, e a arca foi de novo posta em seu lugar no tabernáculo.

Admiradas e alarmadas, as sentinelas da cidade notavam cada movimento, e o referiam às autoridades. Não sabiam a significação de toda esta manifestação; mas, quando viram aquela potente hoste a marchar em redor de sua cidade uma vez em cada dia, juntamente com a arca sagrada e os sacerdotes assistentes, o mistério da cena aterrorizou o coração de sacerdotes e povo. De novo inspecionaram suas fortes defesas, sentindo-se certos de que poderiam com êxito resistir ao mais poderoso ataque. Muitos punham a ridículo a idéia de que qualquer mal lhes pudesse advir por meio daquelas singulares demonstrações. Outros estavam aterrados contemplando o séquito que cada dia volteava a cidade. Lembravam-se de que o Mar Vermelho uma vez se abrira perante este povo, e que acabava de se lhes abrir uma passagem pelo rio Jordão. Não sabiam que mais prodígios Deus poderia operar por eles.

Durante seis dias, a hoste de Israel fez o circuito da cidade. Veio o sétimo dia, e com o primeiro alvor da manhã, Josué arregimentou os exércitos do Senhor. Determinou-se-lhes agora marchar sete vezes em redor de Jericó, e a um forte estrondo das trombetas dar uma aclamação em alta voz, pois Deus lhes havia entregue a cidade.

O vasto exército marchou solenemente em redor das condenadas muralhas. Tudo estava em silêncio — apenas o passo cadenciado de muitos pés, e o som ocasional da trombeta, rompiam a quietude das primeiras horas da manhã. Os sólidos muros de pedra maciça pareciam desafiar o cerco dos homens. Os vigias sobre os muros olhavam com temor crescente, quando, ao terminar o primeiro circuito, seguiu-se um segundo, então um terceiro, quarto, quinto, sexto. Qual poderia ser o objetivo desses movimentos misteriosos? Que grande acontecimento se achava iminente? Não tiveram muito tempo a esperar. Completando-se a sétima volta, deteve-se a longa procissão. As trombetas, que durante um intervalo estiveram silenciosas, prorrompem agora em um som que sacode a própria

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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