Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 21
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 52-53
Enoque vinha a refletir cada vez mais a imagem divina. Seu rosto estava radiante de uma santa luz, da própria luz que resplandece no semblante de Jesus. Saindo ele dessas comunhões divinas, mesmo os ímpios contemplavam com admiração a impressão celestial em seu rosto.
A impiedade dos homens atingira tal ponto que foi pronunciada destruição contra eles. À medida em que se iam passando os anos, cada vez mais profunda se tornava a onda da culpabilidade humana, cada vez mais negras se acumulavam as nuvens do juízo divino. Enoque, todavia, a testemunha da fé, mantinha-se em seu posto, advertindo, apelando, rogando, esforçando-se para fazer retroceder a onda de culpabilidade, para deter os dardos da vingança. Posto que suas advertências fossem desatendidas por um povo pecador e amante de prazeres, tinha ele o testemunho da aprovação de Deus, e continuou a batalhar fielmente contra o mal prevalecente, até que Deus o removeu de um mundo de pecado para as puras alegrias do Céu.
Os homens daquela geração zombaram da loucura daquele que não procurara juntar ouro ou prata, ou adquirir posses neste mundo. Mas o coração de Enoque estava nos tesouros eternos. Ele estimava a cidade celestial. Vira o Rei em Sua glória no meio de Sião. Seu espírito, seu coração, sua conversação, eram sobre coisas celestiais. Quanto maior era a iniqüidade existente, mais ardente era o seu anelo pelo lar de Deus. Enquanto ainda se encontrava na Terra, habitou pela fé no reino da luz.
“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”. Mateus 5:8. Durante trezentos anos, Enoque estivera procurando pureza de alma, para que pudesse estar em harmonia com o Céu. Durante três séculos, andara com Deus. Dia após dia, almejara uma união mais íntima; cada vez mais estreita se tornara a comunhão até que Deus o tomou para Si. Estivera no limiar do mundo eterno, havendo apenas um passo entre ele e o país da bem-aventurança; e, agora, abriram-se os portais; o andar com Deus durante tanto tempo praticado em terra continuou, e ele passou pelas portas da santa cidade — o primeiro dentre os homens a entrar ali.
Foi sentida a sua falta na Terra. Notava-se a ausência daquela voz que fora ouvida dia após dia em advertência e instrução. Alguns houve, tanto dos justos como dos ímpios, que testemunharam sua partida; e, esperando que pudesse ter sido transportado para algum de seus lugares de retiro, aqueles que o amavam fizeram diligentes pesquisas para o encontrar, como mais tarde procuraram os filhos dos profetas a Elias, mas sem resultado. Referiram que não mais era encontrado, pois que Deus o tomara.
Por meio da trasladação de Enoque, o Senhor tencionava ensinar uma lição importante. Havia perigo que os homens se entregassem ao desânimo, por causa dos terríveis resultados dos pecados de Adão. Muitos estavam prontos para exclamar: “Que proveito há que tenhamos temido ao Senhor, e observado Suas leis, visto que uma pesada maldição repousa
sobre o gênero humano, e a morte é o quinhão de todos nós?” Mas as instruções que Deus dera a Adão, e que foram repetidas por Sete e exemplificadas por Enoque, extinguiram as sombras e as trevas, e deram esperança ao homem, de que, assim como por Adão veio a morte, viriam por meio do Redentor prometido vida e imortalidade. Satanás estava impondo aos homens a crença de que não há recompensa para os justos ou castigo para os ímpios, e de que era impossível ao homem obedecer aos estatutos divinos. Mas no caso de Enoque, Deus declara que “Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam”. Hebreus 11:6. Ele mostra o que fará pelos que guardam os Seus mandamentos. Ensinava-se aos homens que é possível obedecer à lei de Deus; que, vivendo embora em meio dos pecadores e corruptos, eram capazes, pela graça de Deus, de resistir à tentação, e tornar-se puros e santos. Viram em seu exemplo a bênção de uma vida tal; e sua trasladação foi uma evidência da verdade de sua profecia relativa ao além, com sua recompensa de alegria, glória e vida eterna aos obedientes, e condenação, miséria e morte ao transgressor.
Pela fé Enoque “foi trasladado para não ver a morte, [...] visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus”. Hebreus 11:5. Em meio de um mundo condenado à destruição por sua iniqüidade, viveu Enoque uma vida de tão íntima comunhão com Deus que não lhe foi permitido cair sob o poder da morte. O caráter piedoso deste profeta representa o estado de santidade que deve ser alcançado por aqueles que hão de ser “comprados da Terra” (Apocalipse 14:3), por ocasião do segundo advento de Cristo. Então, como no mundo antes do dilúvio, a iniqüidade prevalecerá. Seguindo os impulsos de seu coração corrompido e os ensinos de uma filosofia enganadora, os homens rebelar-se-ão contra a autoridade do Céu. Mas, como Enoque, o povo de Deus procurará pureza de coração, e conformidade com Sua vontade, até que reflitam a semelhança de Cristo. Como Enoque, advertirão o mundo da segunda vinda do Senhor, e dos juízos que cairão sobre os transgressores; e pela sua santa conversação e exemplo condenarão os pecados dos ímpios. Assim como Enoque foi trasladado para o Céu antes da destruição do mundo pela água, assim os justos vivos serão trasladados da Terra antes da destruição desta pelo fogo. Diz o apóstolo: “Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta”. 1 Coríntios 15:51, 52. “Porque o mesmo Senhor descerá do Céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus”; “a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” “Os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras”. 1 Tessalonicenses 4:16-18.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White