Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 202
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 330-332
completo. Balaão reconhecia o verdadeiro Deus, e professava servi-Lo; Judas cria em Jesus como o Messias, e uniu-se com Seus seguidores. Mas Balaão esperava fazer do serviço de Jeová a escada pela qual adquirisse riquezas e honras mundanas; e, fracassando nisto, tropeçou, caiu, e foi quebrado. Judas esperava pela sua ligação com Cristo conseguir riqueza e posição naquele reino terrestre que, como acreditava, o Messias estava prestes a estabelecer. O malogro de suas esperanças impeliu-o à apostasia e ruína. Tanto Balaão como Judas haviam recebido grande luz e desfrutado privilégios especiais; mas um simples pecado que era acalentado lhes envenenou todo o caráter, e ocasionou a destruição de ambos.
É coisa perigosa permitir que uma característica infiel viva no coração. Um pecado acariciado pouco a pouco aviltará o caráter, levando todas as suas faculdades mais nobres em sujeição ao ruim desejo. A remoção de uma única salvaguarda da consciência, a condescendência com um mau hábito sequer, o descuido das elevadas exigências do dever, derribam as defesas da alma, e abrem o caminho para entrar Satanás e transviar-nos. O único meio seguro é fazer nossas orações subirem diariamente, de um coração sincero, como fazia Davi: “Dirige os meus passos nos Teus caminhos, para que as minhas pegadas não vacilem”. Salmos 17:5.
Capítulo 41 — Apostasia no Jordão
Este capítulo é baseado em Números 25.
Com alegre coração e fé renovada em Deus, os exércitos vitoriosos de Israel haviam voltado de Basã. Já haviam ganho posse de valioso território, e estavam confiantes na conquista imediata de Canaã. Apenas o rio Jordão se achava entre eles e a Terra Prometida. Do outro lado do rio, precisamente, havia uma fértil planície, coberta de verdor, regada de torrentes oriundas de copiosas fontes, e sombreada de palmeiras luxuriantes. Na extremidade ocidental da planície erguiam-se as torres e palácios de Jericó, tão abrigada em seus bosques de palmeiras que era chamada “a cidade das palmeiras”. Deuteronômio 34:3.
Do lado oriental do Jordão, entre o rio e o elevado planalto que estiveram a atravessar, havia também uma planície, com vários quilômetros de largura, e que se estendia a alguma distância ao longo do rio. Este vale abrigado tinha o clima dos trópicos; ali florescia o sitim, ou acácia, dando à planície o nome de “vale de Sitim”. Números 25:1. Foi ali que os israelitas se acamparam, e nos bosques de acácia ao lado do rio encontraram um agradável retiro.
Mas, por entre aquele atrativo ambiente encontraram um mal mais cruel do que poderosos exércitos de homens armados, e animais ferozes do deserto. Aquele território, tão rico em vantagens naturais, tinha sido contaminado por seus habitantes. No culto público de Baal, a principal divindade, levavam-se constantemente a efeito as cenas mais degradantes e iníquas. De todos os lados havia lugares que eram notados pela idolatria e licenciosidade, oferecendo seus próprios nomes a sugestão da vileza e corrupção do povo.
Tal ambiente exercia uma influência corruptora sobre os israelitas. Suas mentes se tornaram familiares com os vis pensamentos constantemente sugeridos; sua vida de comodidade e inação produzia os seus efeitos desmoralizadores; e quase inconscientemente estavam a afastar-se de Deus e chegando a uma condição em que seriam fáceis presas da tentação.
Durante o tempo de seu acampamento ao lado do Jordão, Moisés esteve fazendo preparativos para a ocupação de Canaã. Neste trabalho o grande chefe esteve inteiramente empenhado; mas para o povo este tempo de trégua e expectação foi mais probante, e antes que se passassem muitas semanas sua história foi mareada pelos mais medonhos desvios da virtude e integridade.
A princípio pouca comunicação houve entre os israelitas e seus vizinhos gentios; mas, depois de algum tempo, mulheres midianitas começaram a entrar furtivamente no acampamento. Sua aparência não provocara alarme, e
tão silenciosamente eram executados os seus planos que a atenção de Moisés não foi chamada para o caso. Era o objetivo dessas mulheres, em sua associação com os hebreus, seduzi-los a transgredir a lei de Deus, atrair sua atenção para os ritos e costumes pagãos, e levá-los à idolatria. Tais intuitos eram cuidadosamente ocultos sob o aspecto de amizade, de modo que não houve suspeita dos mesmos, até para os guardas do povo.
Por sugestão de Balaão, foi pelo rei de Moabe designada uma grande festa em honra a seus deuses, e arranjou-se secretamente que Balaão induzisse os israelitas a assistirem à mesma. Ele era considerado por estes como um profeta de Deus, e por isso teve pouca dificuldade em realizar seu propósito. Grande número de pessoas uniram-se a ele, testemunhando as festas. Aventuraram-se a ir ao terreno proibido, e foram enredados na cilada de Satanás. Iludidos pela música e dança, e seduzidos pela beleza das vestais gentílicas, romperam sua fidelidade para com Jeová. Unindo-se-lhes nos folguedos e festins, a condescendência com o vinho anuviou-lhes os sentidos e derribou as barreiras do domínio próprio. A paixão teve pleno domínio; e, havendo contaminado a consciência pela depravação, foram persuadidos a curvar-se aos ídolos. Ofereceram sacrifícios sobre os altares gentílicos, e participaram dos mais degradantes ritos.
Não demorou muito tempo para que o veneno se espalhasse, como uma infecção mortal, pelo acampamento de Israel. Aqueles que teriam conquistado seus inimigos na batalha, foram vencidos pelos ardis das mulheres gentílicas. O povo parecia ter endoidecido. Os príncipes e principais homens estavam entre os primeiros a transgredir, e eram tantos os culpados dentre o povo, que a apostasia se tornou nacional. Juntou-se pois “Israel a Baal-Peor”. Números 25:3. Quando Moisés se apercebeu do mal, as tramas de seus inimigos tinham sido tão bem-sucedidas que não somente se achavam os israelitas a participar do culto licencioso do Monte Peor, mas os ritos pagãos estavam vindo a ser observados no acampamento de Israel. O idoso chefe encheu-se de indignação, e acendeu-se a ira de Deus.
As suas práticas iníquas fizeram para Israel aquilo que todos os encantamentos de Balaão não poderiam fazer — separaram-nos de Deus. Por meio de juízos que se não fizeram esperar, o povo foi despertado para a enormidade de seu pecado. Uma pestilência terrível irrompeu no arraial, da qual dezenas de milhares de pronto foram presa. Deus ordenou que os líderes desta apostasia fossem mortos pelos magistrados. Esta ordem foi prontamente obedecida. Os transgressores foram mortos; então seus corpos foram suspensos à vista de todo o Israel, para que a congregação, vendo os dirigentes tão severamente tratados, pudesse ter uma intuição profunda da aversão de Deus ao seu pecado, e do terror de Sua ira contra eles.
Todos entendiam que o castigo era justo; e o povo foi apressadamente ao tabernáculo, e com lágrimas e profunda humilhação confessou seu pecado. Enquanto assim estavam a chorar diante de Deus, à porta do
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White