Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 186
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 308-309
em atividade para lançar estorvos e tentações em seu caminho, a fim de não herdarem Canaã. E pela sua incredulidade lhe haviam repetidas vezes aberto a porta, para resistir ao propósito de Deus.
É de importância crer na palavra de Deus e com prontidão agir segundo ela, enquanto Seus anjos estão esperando para agir em nosso favor. Anjos maus estão prontos para disputar cada passo para a frente. E, quando a providência de Deus ordena a Seus filhos avançarem, quando Ele está pronto para fazer grandes coisas por eles, Satanás os tenta a desagradar ao Senhor pela hesitação e demora; procura acender um espírito de contenda ou despertar murmuração ou incredulidade, e assim despojá-los das bênçãos que Deus deseja outorgar. Os servos de Deus devem ser homens de ação, sempre prontos para se moverem tão depressa quanto Sua providência abre o caminho. Qualquer demora de sua parte, dá tempo para Satanás agir a fim de os derrotar.
Nas instruções dadas a princípio a Moisés concernentes à sua passagem por Edom, depois de declarar que os edomitas ficariam com medo de Israel, o Senhor proibiu a Seu povo fazer uso desta vantagem contra eles. Conquanto o poder de Deus estivesse empenhado em prol de Israel, e o temor dos edomitas deles fizesse fácil presa, nem por isso deveriam os hebreus depredá-los. A ordem a eles dada foi: “Porém guardai-vos bem. Não vos entremetais com eles, porque vos não darei da sua terra nem ainda a pisada da planta de um pé; porquanto a Esaú tenho dado a montanha de Seir por herança”. Deuteronômio 2:4, 5. Os edomitas eram descendentes de Abraão e Isaque, e por amor a estes Seus servos, Deus mostrara favor aos filhos de Esaú. Ele lhes dera a montanha de Seir em possessão, e não deveriam ser perturbados a menos que pelos seus pecados se colocassem além do alcance de Sua misericórdia. Os hebreus deviam desapossar e destruir totalmente os habitantes de Canaã, que tinham enchido a medida de sua iniqüidade; mas os edomitas estavam ainda sob o tempo de graça, e em tais condições deviam ser tratados misericordiosamente. Deus Se deleita com a misericórdia e manifesta compaixão antes de infligir juízos. Ensina Israel a poupar o povo de Edom, antes de exigir que destruam os habitantes de Canaã.
Os antepassados de Edom e Israel eram irmãos, e bondade e cortesia fraternal deviam existir entre eles. Proibiu-se aos israelitas, quer naquela ocasião quer em qualquer tempo futuro, vingar a afronta que se lhes fizera com a recusa da passagem pela terra. Não deviam ter expectativa de possuir qualquer parte da terra de Edom. Conquanto os israelitas fossem o povo escolhido e favorecido de Deus, deviam atender às restrições que Ele lhes impunha. Deus lhes prometera uma boa herança; mas não deviam entender que somente eles tinham direitos na terra, e procurar excluir todos os outros. Foram instruídos a que se acautelassem, em todas as suas relações com os edomitas, de lhes fazer injustiça. Deviam negociar com eles, adquirindo por compra os suprimentos necessários,
e pagando prontamente tudo que recebiam. Como incitamento a Israel a fim de confiar em Deus, e obedecer à Sua palavra, lembrou-se-lhes: “O Senhor teu Deus te abençoou; [...] coisa nenhuma te faltou”. Deuteronômio 2:7. Não deviam depender dos edomitas; pois tinham um Deus farto em recursos. Não deviam pela força ou pela fraude procurar obter coisa alguma a eles pertencente; mas, em todas as suas relações, exemplificar o princípio da lei divina: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”. Levítico 19:18.
Houvessem eles desta maneira passado por Edom, como fora propósito de Deus, a passagem ter-se-ia mostrado ser uma bênção, não somente para eles mesmos mas também aos habitantes da terra; pois lhes teria dado oportunidade de familiarizar-se com o povo de Deus e seu culto, e testemunhar como o Deus de Jacó prosperou aqueles que O amavam e temiam. Tudo isto, porém, a incredulidade de Israel impediu. Deus dera ao povo água em resposta aos seus clamores, mas permitiu que de sua incredulidade resultasse seu próprio castigo. Novamente deviam atravessar o deserto e matar sua sede pela fonte miraculosa, coisa esta de que não mais teriam necessidade caso houvessem confiado nEle.
Em conformidade com isto, as hostes de Israel voltaram novamente para o Sul, e seguiram através de áridas regiões, que pareciam mesmo mais medonhas depois de um relance aos pontos verdejantes entre as colinas e vales de Edom. Da cordilheira de montanhas sobranceira a este sombrio deserto, ergue-se o monte de Hor, em cujo cimo morreria e seria sepultado Arão. Quando os israelitas chegaram a esta montanha, foi dirigida a Moisés esta ordem divina: “Toma a Arão e a Eleazar, seu filho, e faze-os subir ao monte de Hor. E despe a Arão os seus vestidos, e veste-os a Eleazar, seu filho, porque Arão será recolhido, e morrerá ali”. Números 20:25, 26.
Juntos, esses dois anciãos e o jovem afadigaram-se a galgar a altura da montanha. A cabeça de Moisés e a de Arão estavam brancas com a neve dos cento e vinte invernos. Sua vida longa e cheia de acontecimentos fora assinalada pelas mais sérias provações e maiores honras que já tocaram por sorte ao homem. Eram homens de grande habilidade natural, e todas as suas capacidades tinham-se desenvolvido, exaltado, dignificado, pela comunhão com o Ser infinito. Sua vida fora despendida em abnegado trabalho para Deus e seus semelhantes; seu rosto evidenciava grande capacidade intelectual, firmeza e nobreza de propósitos, e fortes afeições.
Muitos anos, Moisés e Arão haviam estado ao lado um do outro em seus cuidados e labores. Juntos tinham lutado com inumeráveis perigos, e juntos participaram de assinaladas bênçãos de Deus; mas perto estava o tempo em que deviam separar-se. Moviam-se muito vagarosamente, pois cada momento da companhia mútua era precioso. A subida era íngreme e fatigante; e, como muitas vezes paravam para descansar, conversavam sobre o passado e o futuro. Diante deles, tanto quanto a vista podia alcançar, estendia-se o cenário de suas vagueações pelo deserto. Na planície,
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White