Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 181
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 296-298
teu coração, se guardarias os Seus mandamentos, ou não. E [...] te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas que de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem”. Deuteronômio 8:5, 2, 3.
“Achou-o na terra do deserto, e num ermo solitário cheio de uivos; trouxe-o ao redor, instruiu-o, guardou-o como a menina do Seu olho”. Deuteronômio 32:10. “Em toda a angústia deles foi Ele angustiado, e o Anjo da Sua face os salvou; pelo Seu amor, e pela sua compaixão Ele os remiu; e os tomou, e os conduziu todos os dias da antiguidade”. Isaías 63:9.
Todavia, os únicos relatos de sua vida no deserto são exemplos de rebelião contra o Senhor. Da revolta de Coré resultou a destruição de catorze mil pessoas de Israel. E houve casos isolados que mostram o mesmo espírito de desdém pela autoridade divina.
Uma ocasião, o filho de uma mulher israelita e um egípcio (sendo este da mistura de gente que com Israel subira do Egito), deixou a parte que lhe era própria no acampamento, e, entrando na dos israelitas, pretendeu ter direito de armar sua tenda ali. Isto a lei divina lhe vedava fazer, sendo os descendentes de um egípcio excluídos da congregação até à terceira geração. Uma contenda surgiu entre ele e um israelita, e a questão, sendo referida aos juízes, foi decidida contra o transgressor.
Enraivecido com esta decisão, amaldiçoou o juiz, e no ardor de sua paixão blasfemou do nome de Deus. Foi imediatamente levado perante Moisés. Havia sido dada esta ordem: “Quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá” (Êxodo 21:17); mas disposição alguma fora tomada para atender a este caso. Tão terrível era o crime que foi sentida a necessidade de direção especial de Deus. O homem foi posto em guarda até que se pudesse saber a vontade do Senhor. Deus mesmo pronunciou a sentença; por determinação divina o homem blasfemo foi conduzido para fora do acampamento e apedrejado. Aqueles que tinham sido testemunhas do pecado, colocaram as mãos sobre sua cabeça, testificando desta maneira solenemente da verdade da acusação contra ele. Então atiraram as primeiras pedras, e o povo que estava ao lado uniu-se a seguir na execução da sentença.
Isso foi seguido do anúncio de uma lei para enfrentar a faltas idênticas: “E aos filhos de Israel falarás, dizendo: Qualquer que amaldiçoar o seu Deus, levará sobre si o seu pecado. E aquele que blasfemar o nome do Senhor, certamente morrerá; toda a congregação certamente o apedrejará; assim o estrangeiro como o natural, blasfemando o nome do Senhor, será morto”. Levítico 24:15, 16.
Há os que porão em dúvida o amor de Deus e Sua justiça, infligindo tão severo castigo por palavras faladas no ardor da paixão. Mas tanto o amor como a justiça exigem que se mostre serem as palavras inspiradas pela maldade contra Deus um grande pecado. A paga que recaiu sobre
o primeiro transgressor seria um aviso para os outros, de que o nome de Deus deve ser tido em reverência. Mas caso se houvesse permitido que o pecado deste homem passasse sem punição, outros se teriam desmoralizado; e, como resultado, muitas vidas finalmente deveriam ser sacrificadas.
A mistura de gente que com os israelitas subira do Egito era uma fonte contínua de tentação e dificuldades. Professavam ter renunciado à idolatria, e adorar o verdadeiro Deus; mas sua primitiva educação e ensino lhes haviam modelado os hábitos de caráter, e estavam mais ou menos corrompidos pela idolatria e irreverência para com Deus. Eram os que mais freqüentemente suscitavam contendas e os primeiros a queixar-se, e contaminavam o acampamento com suas práticas idólatras e murmurações contra Deus.
Logo depois da volta ao deserto, ocorreu um caso de violação do sábado, sob circunstâncias que o tornavam de uma culpabilidade peculiar. O anúncio do Senhor de que deserdaria Israel, despertara um espírito de rebelião. Alguém do povo, irado por ser excluído de Canaã, e decidido a mostrar seu desafio à lei de Deus, atreveu-se a uma transgressão declarada do quarto mandamento, indo apanhar lenha no sábado. Durante a permanência no deserto fora estritamente proibido acender fogo no sétimo dia. A proibição não se estendia à terra de Canaã, onde muitas vezes a inclemência do clima tornaria necessário o fogo; mas no deserto o fogo não era necessário para aquecer. O ato deste homem foi uma violação voluntária e deliberada do quarto mandamento — pecado este não cometido por inadvertência ou ignorância, mas por presunção.
Ele foi apanhado no ato e trazido a Moisés. Já havia sido declarado que a violação do sábado seria punida com a morte; mas ainda não fora revelado como a pena deveria ser infligida. O caso foi levado por Moisés perante o Senhor, que deu esta instrução: “Certamente morrerá o tal homem; toda a congregação com pedras o apedrejará para fora do arraial”. Números 15:35. Os pecados de blasfêmia e voluntária violação do sábado recebiam o mesmo castigo, sendo igualmente uma expressão de desprezo pela autoridade de Deus.
Em nossos tempos muitos há que rejeitam o sábado da criação como uma instituição judaica, e insistem em que, se o mesmo deve ser guardado, a pena de morte deverá ser infligida pela sua violação; vemos, porém, que a blasfêmia recebia o mesmo castigo que a violação do sábado. Concluiremos pois que o terceiro mandamento também deve ser posto de lado como aplicável só aos judeus? No entanto o argumento tirado da pena de morte aplica-se ao terceiro, ao quinto, e na verdade a quase todos os dez preceitos, do mesmo modo que ao quarto. Posto que Deus não castigue hoje a transgressão de Sua lei com castigos temporais, Sua Palavra declara, todavia, que o salário do pecado é a morte; e na execução final do juízo achar-se-á que a morte é o quinhão daqueles que violam Seus sagrados preceitos.
Durante todos os quarenta anos no deserto, recordava-se semanalmente ao povo a sagrada obrigação do sábado, pelo milagre do maná. Contudo mesmo isto não os levava à obediência. Se bem que não se atrevessem a uma transgressão tão franca e ousada como a que recebera assinalada punição, havia, entretanto, grande frouxidão na observância do quarto mandamento. Deus declara pelo Seu profeta: “Profanaram grandemente os Meus sábados”. Ezequiel 20:13-24. E isto se conta entre as razões para a exclusão da primeira geração, da Terra Prometida. Não obstante, seus filhos não aprenderam a lição. Tal foi sua negligência do sábado durante os quarenta anos de vagueação que, embora Deus os não impedisse de entrar em Canaã, declarou que deveriam ser espalhados entre os gentios depois de seu estabelecimento na Terra Prometida.
De Cades os filhos de Israel voltaram ao deserto; e, terminado o período de sua permanência no deserto “os filhos de Israel, a congregação toda, vieram ao deserto de Zim, no primeiro mês. Ficou o povo em Cades”. Números 20:1.
Ali morreu Miriã e foi sepultada. Daquela cena de júbilo nas praias do Mar Vermelho, quando, com cântico e danças para celebrar a vitória de Jeová, saiu Israel, até à sepultura no deserto, a qual acabou com o peregrinar de toda a sua vida — tal foi a sorte de milhões que com grandes esperanças haviam saído do Egito. O pecado lhes arrebatara dos lábios a taça de bênçãos. Aprenderia a lição a geração seguinte?
“Com tudo isto ainda pecaram, e não deram crédito às Suas maravilhas. [...] Pondo-os Ele à morte, então O procuravam; e voltavam, e de madrugada buscavam a Deus. E lembravam-se de que Deus era a sua Rocha, e o Deus altíssimo o seu Redentor”. Salmos 78:32-35. Não voltavam, todavia, a Deus com propósito sincero. Se bem que, quando aflitos por seus inimigos, buscavam auxílio dAquele que unicamente poderia livrar, no entanto “o seu coração não era reto para com Ele, nem foram fiéis ao Seu concerto. Mas Ele, que é misericordioso, perdoou a sua iniqüidade, e não os destruiu; antes muitas vezes desviou deles a Sua cólera, [...] porque Se lembrou de que eram carne, um vento que passa e não volta”. Salmos 78:37-39.
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White