Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 170
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 276-277
libertador de Seu povo. Dotada abundantemente dos dons da poesia e música, Miriã dirigira as mulheres de Israel no cântico e na dança, à margem do Mar Vermelho. Na afeição do povo e honras do Céu, estava ela apenas abaixo de Moisés e Arão. Entretanto, o mesmo mal que a princípio trouxera discórdia no Céu, surgiu no coração desta mulher de Israel, e ela não deixou de encontrar quem com ela simpatizasse em seu descontentamento.
Na designação dos setenta anciãos, Miriã e Arão não tinham sido consultados, e seus ciúmes despertaram-se contra Moisés. Por ocasião da visita de Jetro, enquanto os israelitas estavam a caminho do Sinai, a pronta aceitação por parte de Moisés do conselho de seu sogro despertou em Arão e Miriã um receio de que sua influência junto ao grande chefe excedesse à deles.
Na organização do conselho dos anciãos, entenderam que sua posição e autoridade haviam sido desprezadas. Miriã e Arão nunca haviam conhecido o peso dos cuidados e responsabilidades que repousava sobre Moisés; contudo, visto que tinham sido escolhidos para o auxiliarem, consideraram-se co-participantes seus e na mesma medida, do cargo da liderança, e acharam desnecessária a designação de mais auxiliares.
Moisés compenetrara-se da importância da grande obra a ele confiada, como nenhum outro jamais a sentira. Estava ciente de sua própria fraqueza, e fez de Deus o seu Conselheiro. Arão tinha-se em mais elevada conta, e confiava menos em Deus. Fracassara quando se lhe confiara responsabilidade, dando prova de fraqueza de caráter pela sua vil condescendência na questão do culto idólatra no Sinai. Miriã e Arão, porém, cegos pela inveja e ambição, perderam isto de vista. Arão fora altamente honrado por Deus pela designação de sua família para o ofício sagrado do sacerdócio; todavia, mesmo isto aumentava agora o desejo de exaltação própria. “Porventura falou o Senhor somente por Moisés? não falou também por nós?” Números 12:2. Considerando-se igualmente favorecidos por Deus, entenderam ter direito à mesma posição e autoridade.
Cedendo ao espírito de descontentamento, Miriã achou motivos de queixa nos acontecimentos que Deus de maneira especial dirigira. O casamento de Moisés lhe fora desagradável. O haver ele escolhido uma mulher de outra nação, em vez de tomar esposa dentre os hebreus, foi uma ofensa à sua família e ao orgulho nacional. Zípora era tratada com mal-disfarçado desprezo.
Embora fosse chamada “mulher cusita” (Números 12:1), era a esposa de Moisés midianita e, assim, descendente de Abraão. Na aparência pessoal ela diferia dos hebreus, tendo a pele de cor um pouco mais escura. Se bem não fosse israelita, Zípora era adoradora do verdadeiro Deus. Tinha disposição tímida, acanhada, e era gentil, afetuosa, e grandemente sensível à vista do sofrimento; e foi por esta razão que Moisés, quando a caminho para o Egito, consentiu que ela voltasse a Midiã. Ele quis poupar-lhe a dor de testemunhar os juízos que deveriam cair sobre os egípcios.
Quando Zípora se reuniu a seu povo no deserto, viu que os encargos dele lhe estavam esgotando as forças, e deu a conhecer seus temores a Jetro, que sugeriu medidas para o aliviarem. Nisso estava a principal razão da antipatia de Miriã para com Zípora. Doendo-se muito da suposta negligência manifestada a ela e Arão, considerou a esposa de Moisés como a causa, concluindo que sua influência o impedira de os tomar em seus conselhos como antes fazia. Houvesse Arão permanecido firme pelo que era reto, e poderia ter reprimido o mal; mas, em vez de mostrar a Miriã a pecaminosidade de sua conduta, compartilhou-lhe os sentimentos, deu ouvidos às suas palavras de queixa, e assim veio a partilhar de seus ciúmes.
Suas acusações foram suportadas por Moisés em paciente silêncio. Foi a experiência ganha durante os anos de labuta e espera em Midiã — aquele espírito de humildade e longanimidade ali desenvolvidos — que preparou Moisés para defrontar com paciência a incredulidade e murmuração do povo, e o orgulho e inveja daqueles que deveriam ser seus inabaláveis auxiliadores. Moisés era “mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a Terra” (Números 12:3), e foi por isto que se lhe conferiu sabedoria e guia divinas mais do que aos outros. Dizem as Escrituras: “Guiará os mansos retamente, e aos mansos ensinará o Seu caminho”. Salmos 25:9. Os mansos são guiados pelo Senhor, porque são dóceis e dispostos a serem instruídos. Eles têm o desejo sincero de conhecer e fazer a vontade de Deus. A promessa do Salvador é: “Se alguém quiser fazer a vontade dEle, pela mesma doutrina conhecerá”. João 7:17. E Ele declara pelo apóstolo Tiago: “Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada”. Tiago 1:5. Mas esta promessa é apenas para aqueles que estão dispostos a seguir inteiramente ao Senhor. Deus não força a vontade de ninguém; daí o não poder Ele levar aqueles que são demasiado orgulhosos para serem ensinados, os quais se inclinam a ter o seu próprio caminho. Quanto ao homem de coração dobre — aquele que procura seguir sua própria vontade, ao mesmo tempo que professa fazer a vontade de Deus — está escrito. “Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa”. Tiago 1:7.
Deus escolhera a Moisés, e sobre ele pusera o seu Espírito; e Miriã e Arão, pelas suas murmurações, eram culpados de deslealdade, não somente para com o chefe que lhes fora designado, mas para com o próprio Deus. Os sediciosos faladores foram convocados ao tabernáculo, e levados perante Moisés. “Então, o Senhor desceu na coluna de nuvem e Se pôs à porta da tenda; depois, chamou a Arão e a Miriã.” Sua pretensão ao dom profético não foi negada; podia ser que Deus lhes tivesse falado em visões e sonhos. Mas a Moisés, a quem o Senhor mesmo declarou “fiel em toda a Minha casa”, uma comunhão mais íntima fora concedida. Com ele o Senhor falava boca a boca. “Por que pois, não tiveste temor de falar contra o Meu servo, contra Moisés? Assim, a ira do Senhor contra
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White