Cristo Nossa Redenção

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Leitura do livro

Patriarcas e Profetas, páginas 239-241

Semente, a qual deveria vencer Satanás. O grande rebelado havia projetado destruir Israel, e assim transtornar o propósito de Deus. Mas de novo foi derrotado. Por pecador que fosse, o povo de Israel não foi destruído. Enquanto aqueles que obstinadamente se dispuseram ao lado de Satanás foram extirpados, o povo, humilhado e arrependido, foi misericordiosamente perdoado. A história deste pecado ficaria como testemunho perpétuo da culpabilidade e castigo da idolatria, e da justiça e longânima misericórdia de Deus.

O Universo inteiro foi testemunha das cenas do Sinai. Nos efeitos das duas administrações viu-se o contraste entre o governo de Deus e o de Satanás. De novo os habitantes destituídos de pecado, de outros mundos, viram os resultados da apostasia de Satanás, e a espécie de governo que ele teria estabelecido no Céu, caso lhe houvesse sido permitido exercer domínio.

Fazendo os homens violarem o segundo mandamento, visava Satanás rebaixar suas concepções acerca do Ser divino. Pondo de lado o quarto, fá-los-ia esquecer-se completamente de Deus. A reivindicação divina à reverência e culto, acima dos deuses dos gentios, baseia-se no fato de que Ele é o Criador, e que a Ele todos os outros seres devem sua existência. Assim é isto apresentado na Bíblia. Diz o profeta Jeremias: “O Senhor Deus é a verdade; Ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno. [...] Os deuses que não fizeram os céus e a Terra desaparecerão da Terra e debaixo deste céu. Ele fez a Terra pelo Seu poder; Ele estabeleceu o mundo por Sua sabedoria e com a Sua inteligência estendeu os céus.” “Todo o homem se embruteceu, e não tem ciência; envergonha-se todo o fundidor da sua imagem de escultura; porque sua imagem fundida mentira é, e não há espírito nelas. Vaidade são, obra de enganos; no tempo da Sua visitação virão a perecer. Não é semelhante a estes a porção de Jacó; porque Ele é o Criador de todas as coisas”. Jeremias 10:10-12, 14-16. O sábado, como um memorial do poder criador de Deus, designa-O como o que fez os céus e a Terra. Daí o ser ele uma testemunha constante de Sua existência, e lembrança de Sua grandeza, Sua sabedoria e Seu amor. Houvesse sido o sábado sempre observado de maneira sagrada, e nunca poderia ter havido um ateu ou idólatra.

A instituição do sábado, que se originou no Éden, é tão antiga como o próprio mundo. Foi observado por todos os patriarcas, desde a criação. Durante o cativeiro no Egito, os israelitas foram obrigados por seus maiorais de tarefas a violar o sábado; e em grande parte perderam o conhecimento de sua santidade. Quando a lei foi proclamada no Sinai, as primeiras palavras do quarto mandamento foram: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar” (Êxodo 20:8), mostrando que o sábado não foi instituído então; aponta-se-nos a sua origem na criação. A fim de obliterar a lembrança de Deus da mente dos homens, visava Satanás destruir este grande memorial. Se pudessem os homens ser levados a esquecer seu Criador, não fariam esforços para resistir ao poder do mal, e Satanás estaria certo de sua presa.

A inimizade de Satanás à lei de Deus compeliu-o a fazer guerra contra cada preceito do Decálogo. Com o grande princípio de amor e fidelidade para com Deus, o Pai de todos, relaciona-se intimamente o princípio do amor e obediência filial. O desdém à autoridade paterna logo determinará o desdém pela autoridade de Deus. Daí os esforços de Satanás para diminuir a obrigação imposta pelo quinto mandamento. Entre os povos gentílicos, o princípio estipulado neste preceito era pouco atendido. Em muitas nações os pais eram abandonados, ou mortos, logo que a idade os tornava incapazes de proverem por si as suas necessidades. Na família, a mãe era tratada com pouco respeito, e pela morte de seu marido exigia-se-lhe submeter-se à autoridade do filho mais velho. A obediência filial foi ordenada por Moisés; mas, afastando-se os israelitas do Senhor, o quinto mandamento, juntamente com outros, veio a ser desrespeitado.

Satanás foi “homicida desde o princípio” (João 8:44); e, logo que obteve poder sobre a raça humana, não somente os dispôs a odiar e matar uns aos outros, mas, para mais ousadamente desafiar a autoridade de Deus, fez da violação do sexto mandamento uma parte da religião deles.

Mediante concepções pervertidas acerca dos atributos divinos, nações gentílicas foram levadas a crer serem necessários os sacrifícios humanos a fim de conseguirem o favor de suas divindades; e as mais horríveis crueldades têm sido perpetradas sob várias formas de idolatria. Entre estas estava o costume de fazer seus filhos passarem pelo fogo, perante seus ídolos. Quando um deles saía ileso desta prova, o povo acreditava que suas ofertas eram aceitas; aquele, que assim se livrava, era considerado como especialmente favorecido pelos deuses, era cumulado de benefícios, e a seguir sempre tido em grande estima; e, por mais graves que fossem os seus crimes, nunca era punido. Mas, se acontecesse ser algum queimado ao passar pelo fogo, estaria selada a sua sorte; acreditava-se que a ira dos deuses podia ser aplacada unicamente tirando a vida da vítima, e era ela, de acordo com isto, oferecida em sacrifício. Em tempos de grande apostasia prevaleceram estas abominações, até certo ponto, entre os israelitas.

A violação do sétimo mandamento cedo também foi praticada em nome da religião. Os mais licenciosos e abomináveis ritos foram incluídos como parte do culto gentílico. Os próprios deuses eram representados como impuros, e seus adoradores davam rédeas soltas às suas vis paixões. Prevaleciam vícios contra a natureza, e as festas religiosas eram caracterizadas por uma franca e geral impureza.

A poligamia foi praticada em época primitiva. Foi um dos pecados que acarretaram a ira de Deus sobre o mundo antediluviano. Todavia, depois do dilúvio, tornou-se novamente muito espalhada. Era o esforço calculado de Satanás perverter a instituição do casamento, a fim de enfraquecer as obrigações próprias à mesma, e diminuir a sua santidade;

pois de nenhuma outra maneira poderia ele com maior certeza desfigurar a imagem de Deus no homem, e abrir as portas à miséria e ao vício.

Desde o início do grande conflito, tem sido o propósito de Satanás representar mal o caráter de Deus, e provocar a rebelião contra a Sua lei; e esta obra parece ser coroada de êxito. As multidões dão ouvidos aos enganos de Satanás, e dispõem-se contra Deus. Mas, em meio da operação do mal, os propósitos de Deus avançam perseverantemente ao seu cumprimento; a todos os seres criados está Ele a tornar manifestas Sua justiça e benevolência. Por meio das tentações de Satanás o gênero humano todo se tornou transgressor da lei de Deus; mas, pelo sacrifício de Seu Filho, abriu-se um caminho por onde podem voltar a Deus. Mediante a graça de Cristo, podem habilitar-se a prestar obediência à lei do Pai. Assim, em todos os séculos, do meio da apostasia e rebelião, Deus reúne um povo que Lhe é fiel, povo em cujo coração está a Sua lei. Isaías 51:7.

Foi por meio do engano que Satanás seduziu os anjos; dessa forma tem ele em todos os tempos levado avante sua obra entre os homens, e continuará com esta maneira de agir até ao fim. Declarasse ele abertamente achar-se a guerrear contra Deus e Sua lei, e os homens estariam acautelados; ele porém, se disfarça e mistura a verdade com o erro. As mais perigosas falsidades são as que se encontram misturadas com a verdade. É assim que se recebem erros que cativam e arruínam a alma. Por este meio Satanás leva o mundo consigo. Aproxima-se, porém, o dia em que seu triunfo para sempre se finalizará.

O trato de Deus com a rebelião terá como resultado desmascarar completamente a obra que durante tanto tempo se tem continuado encobertamente. Os resultados do governo de Satanás, os frutos de se porem de lado os estatutos divinos, serão patenteados a todas as inteligências criadas. A lei de Deus ficará inteiramente reivindicada. Ver-se-á que todo o trato de Deus foi orientado com referência ao bem eterno de Seu povo, e ao bem de todos os mundos que Ele criara. O próprio Satanás, na presença do Universo como testemunha, confessará a justiça do governo de Deus, e a retidão de Sua lei.

Não muito longe está o tempo em que Deus Se levantará a fim de reivindicar Sua autoridade insultada. “O Senhor sairá do Seu lugar, para castigar os moradores da Terra, por causa da sua iniqüidade”. Isaías 26:21. “Mas quem suportará o dia da Sua vinda? e quem subsistirá, quando Ele aparecer”. Malaquias 3:2. Ao povo de Israel, por causa de sua pecaminosidade, foi vedado aproximar-se do monte, quando Deus estava para descer sobre ele e proclamar Sua lei, não acontecesse que fossem consumidos pela ardente glória de Sua presença. Se tais manifestações do poder de Deus assinalaram o local escolhido para a proclamação de Sua lei, quão terrível deverá ser o Seu tribunal quando Ele vier para a execução destes estatutos sagrados! Como suportarão Sua glória no grande dia da paga final,

Patriarcas e Profetas · Ellen G. White

Passagem bíblica

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