Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 129
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 225-226
o povo e trazidos a ele, esperando que o orgulho os levasse a recusar tal sacrifício. Voluntariamente, porém, cederam os seus ornamentos; e destes fez um bezerro fundido, à imitação dos deuses do Egito. O povo proclamou: “Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito.” E Arão vilmente permitiu se fizesse este insulto a Jeová. Fez mais. Vendo com que satisfação o deus de ouro era recebido, construiu um altar diante dele, e fez esta proclamação: “Amanhã será festa ao Senhor”. Êxodo 32:4, 5. O anúncio foi apregoado por trombeteiros, de grupo em grupo pelo acampamento todo. “E no dia seguinte madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se a comer e a beber; depois levantaram-se a folgar”. Êxodo 32:6. Sob o pretexto de realizarem uma “festa ao Senhor”, entregaram-se à glutonaria, à folgança licenciosa.
Quantas vezes em nossos próprios dias é o amor aos prazeres disfarçado por uma “aparência de piedade”! 2 Timóteo 3:5. Uma religião que permite aos homens, enquanto observam os ritos do culto, entregarem-se à satisfação egoísta ou sensual, é tão agradável às multidões hoje como o foi nos dias de Israel. E ainda há Arãos flexíveis, que ao mesmo tempo em que mantêm posições de autoridade na igreja, cederão aos desejos dos que não são consagrados, e assim os induzirão ao pecado.
Poucos dias apenas se haviam passado desde que os hebreus fizeram um concerto solene com Deus, para obedecerem à Sua voz. Tinham estado a tremer de terror diante do monte, ouvindo as palavras do Senhor: “Não terás outros deuses diante de Mim”. Êxodo 20:3. A glória de Deus ainda pairava sobre o Sinai à vista da congregação; mas desviaram-se e pediram outros deuses. “Fizeram um bezerro em Horebe, e adoraram a imagem fundida. E converteram a Sua glória na figura de um boi”. Salmos 106:19, 20. Como se poderia ter mostrado maior ingratidão ou feito insulto mais ousado Àquele que Se lhes revelara como um pai terno e rei todo-poderoso!
Moisés no monte foi avisado da apostasia no acampamento, e ordenou-se-lhe voltar sem demora. “Vai, desce”, foram as palavras de Deus; “porque o teu povo, que fizeste subir do Egito, se tem corrompido. E depressa se tem desviado do caminho que Eu lhes tinha ordenado; fizeram para si um bezerro de fundição, e perante ele se inclinaram.” Deus poderia ter sustado aquele movimento ao início; mas permitiu que chegasse a este ponto, para que pudesse ensinar a todos uma lição em Seu castigo à traição e apostasia.
O concerto de Deus com Seu povo havia sido anulado e Ele declarou a Moisés: “Deixa-Me, que o Meu furor se acenda contra eles, e os consuma; e Eu farei de ti uma grande nação”. Êxodo 32:7, 8, 10. O povo de Israel, especialmente aquela multidão mista, estaria constantemente disposto a rebelar-se contra Deus. Murmurariam também contra seu chefe, e o magoariam pela sua incredulidade e obstinação; e tarefa laboriosa e mui probante seria guiá-los até a Terra Prometida. Seus pecados já os haviam
privado do favor de Deus, e a justiça exigia sua destruição. O Senhor, então, propôs-Se a destruí-los e fazer de Moisés uma poderosa nação.
“Deixa-Me, que os consuma”, foram as palavras de Deus. Se Deus Se propusera a destruir Israel, quem poderia pleitear em seu favor? Quantos não teriam deixado os pecadores entregues à sua sorte! Quantos não teriam alegremente trocado um quinhão de labutas, encargos e sacrifício, pagos com ingratidão e maledicência, por uma posição de comodidade e honra, quando era o próprio Deus que oferecia o livramento!
Moisés, porém, entrevia bases para esperança onde apenas apareciam desânimo e ira. As palavras de Deus: “Deixa-Me”, compreendeu ele não proibirem, mas sim, alentarem a intercessão, implicando que coisa alguma a não ser as orações de Moisés poderia salvar Israel; mas que, sendo assim rogado, Deus pouparia a Seu povo. Ele “suplicou ao Senhor seu Deus, e disse: Ó Senhor, por que se acende o Teu furor contra o Teu povo, que Tu tiraste da terra do Egito, com grande força e com forte mão?” Êxodo 32:11.
Deus dera a entender que renunciara a Seu povo. Falara deles a Moisés como “o teu povo, que fizeste subir do Egito”. Mas Moisés, humildemente, não arrogou a si a chefia de Israel. Não eram dele, mas de Deus: “Teu povo, que Tu tiraste [...] com grande força e com forte mão. Por que”, insistiu ele, “hão de falar os egípcios, dizendo: Para mal os tirou, para matá-los nos montes, e para destruí-los da face da Terra”. Êxodo 32:7, 11, 12.
Durante os poucos meses depois que Israel partira do Egito, a notícia de seu maravilhoso livramento se espalhara por todas as nações circunvizinhas. O medo, bem como terríveis sinais, repousava sobre os gentios. Todos estavam em observação para verem o que o Deus de Israel faria por Seu povo. Se fossem agora destruídos, seus inimigos triunfariam, e Deus seria desonrado. Os egípcios alegariam que suas acusações eram verdadeiras; em vez de levar Seu povo ao deserto para sacrificar, fizera com que fossem sacrificados. Não tomariam em consideração os pecados de Israel; a destruição do povo ao qual de uma maneira tão assinalada honrara, lançaria a injúria sobre o Seu nome. Quão grande era a responsabilidade que repousava sobre aqueles a quem Deus tão altamente honrara, de fazerem de Seu nome um louvor na Terra! Com que cuidado deviam guardar-se de cometer pecado, atrair os Seus juízos, e fazer com que Seu nome fosse acusado pelos ímpios!
Intercedendo Moisés por Israel, desapareceu-lhe a timidez ante seu profundo interesse e amor por aqueles, em favor dos quais havia sido nas mãos de Deus, o meio para se fazerem tão grandes coisas. O Senhor ouviu-lhe os rogos, e atendeu a sua abnegada oração. Deus havia provado o Seu servo; provara-lhe a fidelidade, e o amor por aquele povo ingrato e propenso ao erro, e, nobremente, resistira Moisés à prova. Seu interesse por Israel não se originara em qualquer intuito egoísta. A prosperidade do povo escolhido de Deus era-lhe mais valiosa do que a honra pessoal,
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White