Cristo Nossa Redenção
Plano Encontro 3 Dia 1
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Leitura do livro
Patriarcas e Profetas, páginas 8-9
Capítulo 1 — Por que foi permitido o pecado?
“Deus é amor”. 1 João 4:8. Sua natureza, Sua lei, são amor. Assim sempre foi; assim sempre será. “O Alto e o Sublime, que habita na eternidade” (Isaías 57:15), “cujos caminhos são eternos” (Habacuque 3:6), não muda. NEle “não há mudança nem sombra de variação”. Tiago 1:17.
Toda manifestação de poder criador é uma expressão de amor infinito. A soberania de Deus compreende a plenitude de bênçãos a todos os seres criados.
Diz o salmista: “Forte é a Tua mão, e elevada a Tua destra.
Justiça e juízo são a base de Teu trono;
Misericórdia e verdade vão adiante do Teu rosto.
Bem-aventurado o povo que conhece o som festivo:
Andará, ó Senhor, na luz da Tua face.
Em Teu nome se alegrará todo o dia, e na Tua justiça se exaltará.
Pois Tu és a glória da sua força. [...]
Porque o Senhor é a nossa defesa, e o santo de Israel o nosso Rei”.
A história do grande conflito entre o bem e o mal, desde o tempo em que a princípio se iniciou no Céu até o final da rebelião e extirpação total do pecado, é também uma demonstração do imutável amor de Deus.
O Soberano do Universo não estava só em Sua obra de beneficência. Tinha um companheiro — um cooperador que poderia apreciar Seus propósitos, e participar de Sua alegria ao dar felicidade aos seres criados. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus”. João 1:1, 2. Cristo, o Verbo, o Unigênito de Deus, era um com o eterno Pai — um em natureza, caráter, propósito — o único ser que poderia penetrar em todos os conselhos e propósitos de Deus. “O Seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz”. Isaías 9:6. Suas “saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Miquéias 5:2. E o Filho de Deus declara a respeito de Si mesmo: “O Senhor Me possuiu no princípio de Seus caminhos, e antes de Suas obras mais antigas. [...] Quando compunha os fundamentos da Terra, então Eu estava com Ele e era Seu aluno; e era cada dia as Suas delícias, folgando perante Ele em todo o tempo”. Provérbios 8:22-30.
O Pai operou por Seu Filho na criação de todos os seres celestiais. “NEle foram criadas todas as coisas, [...] sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades: tudo foi criado por Ele e para Ele”. Colossences 1:16.
Os anjos são ministros de Deus, radiantes pela luz que sempre flui de Sua presença, e rápidos no vôo para executarem Sua vontade. Mas o Filho, o Ungido de Deus, “a expressa imagem de Sua pessoa” (Hebreus 1:3), o “resplendor da Sua glória” (Isaías 66:11), “sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder” (Hebreus 1:3), tem a supremacia sobre todos eles. “Um trono de glória, posto bem alto desde o princípio” (Hebreus 1:3, 8), foi o lugar de Seu santuário; “cetro de eqüidade” é o cetro de Seu reino. Jeremias 17:12. “Glória e majestade estão ante a Sua face, força e formosura no Seu santuário”. Salmos 96:6. “Misericórdia e verdade” vão adiante do Seu rosto. Salmos 89:14.
Sendo a lei do amor o fundamento do governo de Deus, a felicidade de todos os seres inteligentes depende da perfeita harmonia, com seus grandes princípios de justiça. Deus deseja de todas as Suas criaturas o serviço de amor, serviço que brote de uma apreciação de Seu caráter. Ele não tem prazer na obediência forçada; e a todos concede vontade livre, para que Lhe possam prestar serviço voluntário.
Enquanto todos os seres criados reconheceram a lealdade pelo amor, houve perfeita harmonia por todo o Universo de Deus. Era a alegria da hoste celestial cumprir o propósito do Criador. Deleitavam-se em refletir a Sua glória, e patentear o Seu louvor. E enquanto foi supremo o amor para com Deus, o amor de uns para com outros foi cheio de confiança e abnegado. Nenhuma nota discordante havia para deslustrar as harmonias celestiais. Sobreveio, porém, uma mudança neste estado de felicidade. Houve um ser que perverteu a liberdade que Deus concedera a Suas criaturas. O pecado originou-se com aquele que, abaixo de Cristo, fora o mais honrado por Deus, e o mais elevado em poder e glória entre os habitantes do Céu. Lúcifer, “filho da alva”, era o primeiro dos querubins cobridores, santo, incontaminado. Permanecia na presença do grande Criador, e os incessantes raios de glória que cercavam o eterno Deus, repousavam sobre ele. “Assim diz o Senhor Jeová: Tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; toda a pedra preciosa era a tua cobertura. [...] Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti”. Ezequiel 28:12-15.
Pouco a pouco Lúcifer veio a condescender com o desejo de exaltação própria. Dizem as Escrituras: “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor”. Ezequiel 28:17. “Tu dizias no teu coração: [...] acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono. [...] Serei semelhante ao Altíssimo”. Isaías 14:13, 14. Se bem que toda a sua glória proviesse de Deus, este poderoso anjo veio a considerá-la como pertencente a si próprio. Não contente com sua posição, embora fosse mais honrado do que a hoste celestial, arriscou-se a cobiçar a homenagem devida unicamente ao Criador. Em vez de procurar fazer com que
Patriarcas e Profetas · Ellen G. White