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Leitura do livro

Atos dos Apóstolos, páginas 121-122

contemplam. Repartem entre si os Meus vestidos, e lançam sortes sobre a Minha túnica” (Sl 22:6-8, 17, 18). “Tenho-Me tornado como um estranho para com Meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de Minha mãe. Pois o zelo da Tua casa Me devorou, e as afrontas dos que Te afrontam caíram sobre Mim.” “Afrontas Me quebrantaram o coração, e estou fraquíssimo. Esperei por alguém que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os achei” (Sl 69:8, 9, 20).

Quão inconfundivelmente claras foram as profecias de Isaías, referentes aos sofrimentos e morte de Cristo! “Quem deu crédito a nossa pregação?” interroga o profeta, “e a quem se manifestou o braço do Senhor? Porque foi subindo como um renovo perante Ele, e como raiz duma terra seca; não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para Ele, nenhuma beleza víamos, para que O desejássemos. Era desprezado, e o mais indigno entre os homens; homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e não fizemos dEle caso algum.

“Verdadeiramente Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre Si; e nós O reputamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados.

“Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido, mas não abriu a Sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, Ele não abriu a Sua boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da Sua vida? porquanto foi cortado da Terra dos viventes; pela transgressão do Meu povo foi Ele atingido” (Is 53:1-8).

Mesmo a maneira de Sua morte foi prefigurada. Como a serpente de bronze foi levantada no deserto, assim devia ser levantado o Redentor por vir, “para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3:16.

“E se alguém Lhe disser: Que feridas são essas nas Tuas mãos? Dirá Ele: São as feridas com que fui ferido em casa dos Meus amigos” (Zc 13:6).

“E puseram a Sua sepultura com os ímpios, e com o rico na Sua morte; porquanto nunca fez injustiça, nem houve engano na Sua boca. Todavia, ao Senhor agradou moê-Lo, fazendo-O enfermar” (Is 53:9, 10).

Mas Aquele que havia de sofrer a morte às mãos de homens vis, devia ressurgir como conquistador sobre o pecado e sobre a sepultura. Sob a inspiração do Todo-poderoso, o suave cantor de Israel havia testificado das glórias da manhã da ressurreição. “Também a Minha carne”, proclamou jubiloso, “repousará segura. Pois não deixarás a Minha alma no inferno [a sepultura], nem permitirás que o Teu Santo veja corrupção” (Sl 16:9, 10).

Paulo mostrou quão intimamente havia Deus ligado o sacrifício expiatório com as profecias referentes Àquele que devia, como um cordeiro, ser “levado ao matadouro”. O Messias devia dar a Sua vida como “expiação do pecado”. Olhando através dos séculos as cenas do sacrifício expiatório do Salvador, o profeta Isaías testificara que o Cordeiro de Deus “derramou a Sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas Ele levou

sobre Si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercede” (Is 53:7, 10, 12).

O Salvador profetizado devia vir, não como um rei temporal, para livrar a nação judaica de opressores terrestres, mas como um homem entre homens, para viver uma vida de pobreza e humildade, e ser afinal desprezado, rejeitado e morto. O Salvador predito nas Escrituras do Antigo Testamento devia oferecer-Se como um sacrifício em favor da raça caída, cumprindo assim cada requisito da lei quebrantada. NEle os tipos sacrificais deviam encontrar seu antítipo, e Sua morte na cruz devia emprestar significado à inteira dispensação judaica.

Paulo falou aos judeus tessalonicenses a respeito de seu zelo anterior pela lei cerimonial, e de sua maravilhosa experiência às portas de Damasco. Antes de sua conversão estivera ele confiando numa piedade hereditária e falsa esperança. Sua fé não estivera ancorada em Cristo; em lugar disto estivera confiando em formalidades e cerimônias. Seu zelo pela lei estava dissociado da fé em Cristo, sendo vão. Enquanto blasonava de ser irrepreensível na prática das obras da lei, tinha recusado aceitar Aquele que tornara a lei valiosa.

Mas ao tempo de sua conversão, tudo havia sido mudado. Jesus de Nazaré, a quem ele perseguira na pessoa de Seus santos, aparecera diante dele como o prometido Messias. O perseguidor vira-O como sendo o Filho de Deus, Aquele que viera à Terra em cumprimento das profecias, e em cuja vida se cumprira cada especificação dos Sagrados Escritos.

Ao proclamar Paulo, com zelo santo, o evangelho na sinagoga de Tessalônica, um jato de luz se derramou sobre o verdadeiro significado dos ritos e cerimônias que se relacionavam com o serviço do tabernáculo. Conduziu ele a mente de seus ouvintes para além do cerimonial terrestre e do ministério de Cristo no santuário celestial, até o tempo em que, tendo completado Seu trabalho de intercessão, Ele deverá voltar, com poder e grande glória, para estabelecer Seu reino na Terra. Paulo cria na segunda vinda de Cristo; apresentou as verdades concernentes a este evento com tanta clareza e ênfase, que produziu na mente de muitos dos ouvintes uma impressão que nunca mais se apagou.

Por três sábados sucessivos Paulo pregou aos tessalonicenses, disputando com eles sobre as Escrituras referentes à vida, morte, ressurreição, obra intercessória e glória futura de Cristo, “o Cordeiro morto desde a fundação do mundo” (Ap 13:8). Ele exaltava a Cristo, de cujo ministério a compreensão exata é a chave que abre as Escrituras do Antigo Testamento, dando acesso a seus ricos tesouros.

Ao serem as verdades do evangelho assim proclamadas em Tessalônica com forte poder, foi atraída a atenção de grandes congregações. “E alguns deles creram, e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos, e não poucas mulheres principais” (At 17:4).

Como aconteceu nos lugares anteriormente trabalhados, também aqui os apóstolos encontraram decidida oposição. “Mas os judeus desobedientes” foram “movidos de inveja.” Esses judeus não estavam então nas boas graças do poder romano, porque não fazia muito tempo, haviam levantado uma insurreição em Roma. Eram olhados com desconfiança, e sua liberdade estava até certo ponto restringida. Agora viram eles uma

Atos dos Apóstolos · Ellen G. White

Passagem bíblica

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