Cristo A Igreja
Plano Encontro 2 Dia 60
Este plano não foi iniciado. Marque a leitura como lida para iniciá-lo hoje.
Leitura do livro
Atos dos Apóstolos, páginas 115-116
esperança de obter dinheiro por meio de suas adivinhações e predições estava perdida, e que, se fosse permitido aos apóstolos continuar com a obra do evangelho, estaria logo esgotada inteiramente sua fonte de renda.
Muitos outros na cidade estavam interessados em alcançar lucro mediante satânicos enganos; e esses, temendo a influência de um poder que pudesse tão eficazmente deter sua obra, levantaram um forte clamor contra os servos de Deus. Levaram os apóstolos diante dos magistrados com a acusação: “Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade, e nos expõem costumes que nos não é lícito receber nem praticar, visto que somos romanos” (At 16:20, 21).
Impelida por um frenesi, a multidão se levantou contra os discípulos. Prevaleceu o espírito de tumulto, sancionado pelas autoridades, que, rasgando os vestidos dos apóstolos, ordenaram que fossem açoitados. “E, havendo-lhes dado muitos açoites, os lançaram na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança. O qual, tendo recebido tal ordem, os lançou no cárcere interior, e lhes segurou os pés no tronco” (At 16:23, 24).
Os apóstolos sofreram extrema tortura por causa da dolorosa posição em que foram postos, mas não murmuraram. Em vez disto, na densa escuridade e desolação do calabouço, encorajavam-se mutuamente com palavras de oração, e cantavam louvores a Deus por terem sido considerados dignos de sofrer vergonha por Sua causa. Seus corações foram animados por um amor fervente e profundo a seu Redentor. Paulo lembrava-se da perseguição movida contra os discípulos de Cristo, da qual ele havia sido instrumento, e rejubilava-se de que lhe tivessem sido abertos os olhos para ver, e seu coração para sentir o poder das gloriosas verdades que uma vez desprezara.
Com espanto ouviram os outros prisioneiros os sons de oração e hinos que saíam da prisão interior. Estavam habituados a ouvir gritos e gemidos, maldições e blasfêmias a quebrarem o silêncio da noite, mas nunca dantes haviam eles ouvido palavras de oração e louvor ascenderem daquela sombria cela. Guardas e prisioneiros se maravilharam, e perguntavam a si mesmos quem poderiam ser esses homens que, com frio e fome e torturados, podiam ainda se regozijar.
Entrementes os magistrados voltaram a seus lares, lisonjeando-se de, com medidas prontas e decisivas, haverem aplacado o tumulto. Mas em caminho ouviram mais pormenores com respeito ao caráter e à obra desses homens que haviam sentenciado ao açoite e prisão. Viram a mulher que havia sido liberta da satânica influência, e ficaram impressionados com a mudança em sua aparência e comportamento. Antes havia ela causado perturbação na cidade; agora estava calma e em paz. Sentindo que haviam provavelmente aplicado a dois homens inocentes as rigorosas penalidades da lei romana, ficaram indignados consigo próprios, e decidiram que pela manhã eles ordenariam que os apóstolos fossem secretamente libertados
e escoltados para fora da cidade, longe do perigo de violência por parte da turba.
Mas, conquanto houvessem os homens sido cruéis e vingativos, ou criminosamente negligentes nas responsabilidades solenes sobre eles postas, Deus não Se havia esquecido de ser misericordioso para com Seus servos. Todo o Céu estava interessado nos homens que estavam sofrendo por amor de Cristo, e anjos foram enviados a visitar a prisão.
A terra tremeu aos seus passos. As portas da prisão pesadamente aferrolhadas abriram-se; cadeias e grilhões caíram das mãos e pés dos prisioneiros; e brilhante luz inundou a prisão.
O guarda do cárcere tinha ouvido extasiado as orações e cânticos dos apóstolos prisioneiros. Quando foram encarcerados, havia ele visto suas feridas intumescidas e sangrentas, e por si próprio tinha-se decidido a colocar seus pés no cepo. Esperara ouvir-lhes amargos urros e imprecações; mas ouvia em lugar disto cânticos de louvor. Com esses sons nos ouvidos havia o carcereiro caído no sono de que foi despertado pelo terremoto e pelo sacudir das paredes da prisão.
Erguendo-se alarmado, viu com espanto que todas as portas da prisão estavam abertas e dele se apossou o temor de que os prisioneiros tivessem escapado. Lembrou-se com que explícitas recomendações Paulo e Silas haviam sido confiados a seu cuidado na noite anterior, e estava certo de que a morte seria a pena de sua aparente infidelidade. Em amargura de espírito sentia que lhe seria melhor morrer pelas próprias mãos que submeter-se a uma vergonhosa execução. Tirando a espada, estava prestes a matar-se, quando a voz de Paulo foi ouvida em palavras de animação: “Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos” (At 16:28). Cada prisioneiro estava em seu lugar, retido pelo poder de Deus exercido por intermédio de um companheiro de prisão.
A severidade com que o carcereiro tratara os apóstolos não havia despertado neles ressentimento. Paulo e Silas tinham o Espírito de Cristo, e não o de vingança. Em seus corações, repletos do amor do Salvador, não havia lugar para a maldade contra seus perseguidores.
O carcereiro, depondo a espada e pedindo luz, apressou-se a descer ao calabouço interior. Queria ver que espécie de homens eram esses, que retribuíam com bondade a crueldade com que haviam sido tratados. Alcançando o lugar onde estavam os apóstolos, prostrou-se diante deles e pediu perdão. Então, levando-os para um recinto aberto, interrogou: “Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?” (At 16:30).
O carcereiro havia estremecido ao contemplar a ira de Deus no terremoto; quando supôs que os prisioneiros tinham escapado, esteve prestes a matar-se pela própria mão; mas agora, todas essas coisas pareciam de pouca importância, comparadas com a nova e estranha perturbação que lhe agitava a mente, e por seu desejo de possuir a tranqüilidade e alegria mostradas pelos apóstolos debaixo de sofrimento e maus- tratos. Via-lhes no semblante a luz do Céu; sabia que Deus Se havia interposto de maneira miraculosa para salvar-lhes a vida e com força peculiar, vieram-lhe à mente as palavras da mulher possessa: “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus altíssimo.”
Com profunda humildade ele pediu aos apóstolos que lhe mostrassem o caminho da vida. “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa”, responderam eles; “e lhe pregavam a Palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa” (At 16:31, 32). O carcereiro então lavou as feridas dos apóstolos e serviu-os, sendo a seguir batizado por eles, juntamente com todos os que estavam em sua casa. Uma santificadora influência foi difundida entre os prisioneiros, e a mente de todos foi aberta às verdades expostas pelos
Atos dos Apóstolos · Ellen G. White