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Leitura do livro

O Grande Conflito, páginas 616-619

o protestantismo apóstata no Novo, adotarão uma conduta idêntica para com aqueles que honram todos os preceitos divinos.

O povo de Deus será então imerso naquelas cenas de aflição e angústia descritas pelo profeta como o tempo de angústia de Jacó. “Assim diz o Senhor: Ouvimos uma voz de tremor, de temor mas não de paz. ... Por que se têm tornado macilentos todos os rostos? Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante! e é tempo de angústia para Jacó; ele porém será livrado dela.” Jeremias 30:5-7.

A noite de angústia de Jacó, quando lutou em oração para obter livramento da mão de Esaú (Gênesis 32:24-30), representa a experiência do povo de Deus no tempo de tribulação. Por causa do engano praticado a fim de conseguir a bênção de seu pai, destinada a Esaú, havia Jacó fugido para salvar a vida, alarmado pelas ameaças de morte feitas por seu irmão. Depois de ficar muitos anos como exilado, pôs-se a caminho, por ordem de Deus, para voltar com suas mulheres e filhos, rebanhos e gado, ao país natal. Chegando às fronteiras da terra, encheu-se de terror com as notícias da aproximação de Esaú à frente de um bando de guerreiros, indubitavelmente determinado à vingança. A multidão de Jacó, desarmada e indefesa, parecia prestes a cair desamparadamente como vítima da violência e morticínio. E ao fardo de ansiedade e temor acrescentou-se o peso esmagador da reprovação de si próprio; pois que era o seu pecado que acarretara este perigo. Sua única esperança estava na misericórdia de Deus; sua defesa única deveria ser a oração. Todavia, nada deixa de sua parte por fazer a fim de expiar a falta para com seu irmão, e desviar o perigo que o ameaçava. Assim, ao aproximarem-se do tempo de angústia, devem os seguidores de Cristo esforçar-se por se colocar em uma luz conveniente perante o povo, a fim de desarmar o preconceito e remover o perigo que ameaça a liberdade de consciência.

Tendo feito afastar a sua família, para que não lhe testemunhasse a angústia, Jacó ficou só para interceder junto a Deus.

Confessa o seu pecado, e com gratidão reconhece a misericórdia de Deus para com ele, ao mesmo tempo em que com profunda humilhação pleiteia o concerto estabelecido com seus pais, e as promessas a ele mesmo feitas na visão noturna de Betel, e na terra de seu exílio. Chegara o momento crítico em sua vida; tudo está em jogo. Nas trevas e solidão continua ele a orar e a humilhar-se perante Deus. Subitamente percebe uma mão sobre o ombro. Julga ser um inimigo que procura tirar-lhe a vida, e com toda a energia do desespero luta com o seu assaltante. Quando começa a raiar o dia, o estranho emprega a sua força sobrenatural: ao seu toque o vigoroso homem parece atacado de paralisia e, desajudado, cai a chorar, suplicante, sobre o pescoço de seu misterioso antagonista. Jacó sabe agora que era o Anjo do Concerto, com quem estivera a lutar. Posto que extenuado e sofrendo a mais aguda dor, não abandona o seu propósito. Havia muito tempo que ele suportava a perplexidade, o remorso e a angústia pelo seu pecado; agora deveria ter a segurança de que fora perdoado. O Visitante divino parece a ponto de partir; Jacó, porém, apega-se a Ele, rogando uma bênção. O Anjo insiste: “Deixa-Me ir, porque já a alva subiu”; mas o patriarca exclama: “Não Te deixarei ir, se me não abençoares.” Que confiança, que firmeza e perseverança são aqui reveladas! Fosse isto uma exigência jactanciosa, presumida, e Jacó teria sido destruído instantaneamente; mas dele era a segurança de quem confessa a sua fraqueza e indignidade e, não obstante, confia na misericórdia de um Deus que guarda Seu concerto.

“Lutou com o Anjo, e prevaleceu.” Oséias 12:4. Pela humilhação, arrependimento e submissão, aquele mortal pecador, falível, prevaleceu sobre a Majestade do Céu. Firmara as mãos trementes nas promessas de Deus, e o coração do Amor infinito não poderia afastar a defesa do pecador. Como prova de seu triunfo e animação a outros para lhe imitarem o exemplo, seu nome foi mudado de um nome que lhe recordava o pecado para outro que comemorava sua vitória. E o fato de haver Jacó

desfalecem; pois que em sua vida inteira pouco bem podem ver. Estão perfeitamente cônscios de sua fraqueza e indignidade. Satanás se esforça por aterrorizá-los com o pensamento de que seus casos não dão margem a esperança, que a mancha de seu aviltamento jamais será lavada. Espera destruir-lhes a fé, de tal maneira que cedam às suas tentações, desviando-se de sua fidelidade para com Deus.

Embora o povo de Deus esteja rodeado de inimigos que se esforçam por destruí-lo, a angústia que sofrem não é, todavia, o medo da perseguição por causa da verdade; receiam não se terem arrependido de todo pecado, e que, devido a alguma falta, não se cumpra a promessa do Salvador: “Eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo.” Apocalipse 3:10. Se pudessem ter a segurança de seu perdão, não recuariam da tortura ou da morte; mas, se se mostrassem indignos, e perdessem a vida por causa dos seus defeitos de caráter, o santo nome de Deus seria então vituperado.

De todos os lados ouvem as tramas da traição, e vêem alastrar-se ativamente a revolta; e desperta-se neles um intenso desejo, fervoroso anseio d’alma, para que esta grande apostasia termine e a impiedade dos ímpios chegue a termo. Mas, enquanto rogam a Deus que detenha a obra da rebelião, é com um vivo senso de reprovação própria que não mais têm eles poder para resistir à poderosa onda do mal e forçá-la a retroceder. Sentem que se houvessem sempre empregado toda a sua habilidade no serviço de Cristo, indo avante de poder em poder, as forças de Satanás teriam menos capacidade para prevalecer contra eles.

Afligem a alma perante Deus, indicando o anterior arrependimento de seus muitos pecados, e reclamando a promessa do Salvador: “Que se apodere de Minha força e faça paz comigo; sim, que faça paz comigo.” Isaías 27:5. Sua fé não desfalece por não serem suas orações de pronto atendidas. Sofrendo

O Grande Conflito · Ellen G. White

Passagem bíblica

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